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Inclusão é palavra chave para portador de Síndrome de Down

Matéria publicada em 18 de março de 2017, 16:00 horas

 


Relatos de profissionais e familiares que lidam com esse público comprovam que todos podem ter uma vida normal na sociedade

Volta Redonda e Barra Mansa – Em um país onde se estima que cerca de 300 mil pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, sejam portadores da Síndrome de Down, um grande desafio ainda é pertinente entre às famílias desse público: a conquista do respeito, inclusão e igualdade na sociedade em que eles vivem. Nesta terça-feira, dia 21, é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down e o DIÁRIO DO VALE traz alguns exemplos de superação e da importância dessas pessoas terem um acompanhamento especializado, para que possam se desenvolver e provar que podem ir mais além do que muitos imaginam.

Conforme destaca a diretora da Apae (Associação dos Pais e Amigos do Excepcional) de Barra Mansa, Jaquelina dos Reis, o Dia Internacional da Síndrome de Down chama atenção justamente pela luta por direitos iguais, bem estar e inclusão das pessoas que nasceram com essa síndrome, que é uma alteração genética produzida pela presença de um cromossoma a mais no par 21. Segundo a diretora, embora esta modificação afete o desenvolvimento do indivíduo, determinando algumas características físicas e cognitivas, ela não o limita de ser tratado pela sociedade como uma pessoa normal.

– Há 46 anos a Apae de Barra Mansa vem trabalhando para isso, com a prestação de um serviço gratuito técnico e educacional para esse público. Temos toda uma história e uma importância na construção de uma sociedade inclusiva. Nosso objetivo é conscientizar as pessoas e mostrar que os portadores de Down existem e que não pertencem apenas à instituição e as suas famílias. Eles pertencem à sociedade e todos têm sua igualdade onde eles se encontram. Nosso princípio no dia a dia é: “Tudo para eles, com eles”, ou seja, eles participam de tudo e, inclusive, tomada de decisões – detalhou a diretora.

Inclusão no mercado de trabalho

Mãe de uma portadora de Síndrome de Down, assistida pela Apae de Barra Mansa, a dona de casa Zanette de Brito Menezes, de 75 anos, afirma que sempre manteve um tratamento de igualdade com a filha, no dia a dia, e que isso fez toda a diferença para que ela se desenvolvesse ao longo da vida. Hoje, com 37 anos, Viviane Aparecida de Britto Menezes trabalha como repositora em uma farmácia e, segundo a mãe, ela sabe perfeitamente distinguir seus direitos e deveres.

– É muito gratificante e me deixa muito feliz ver que ela se desenvolveu a ponto de conquistar seu espaço no mercado de trabalho, que fez várias amizades, inclusive com clientes. Ela já está lá há cinco anos, no começo sentiu um pouco, mas agora já se acostumou. A Apae foi muito importante no desenvolvimento da Viviane nos últimos trinta anos, e se hoje ela tem uma certa autonomia, isso se deve a todo um acompanhamento e preparo que ela recebeu na instituição e também à minha forma de tratá-la, como uma pessoa normal e capacitada – destaca Zanette.

De acordo com a dona de casa, que tem mais quatro filhos, desde pequena Viviane foi um orgulho para todos da família. Para dona Zanette, essa deve ser a principal reflexão para a ocasião que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down.

– Na minha família sempre tratamos a Viviane como uma pessoa normal e isso fez com que a relação dela com os outros, com o mundo, fosse muito boa. Ela é uma pessoa muito cativante e que faz amizades com todos. Mas, sabemos que o preconceito ainda existe e, por isso, acho que é a válida a mensagem para que as pessoas vejam os portadores da Síndrome de Down com outros olhos, que tenham respeito e, acima de tudo, compaixão com essas pessoas e suas famílias – enfatizou a dona de casa.

Inclusão na internet

Mãe do adolescente Fabrício Martins Domingues, de 17 anos, a dona de casa Rosemeire Martins Domingues, de 46 anos, também têm motivos de sobra para comemorar o fato de sempre ter feito questão de buscar a inclusão e a autoestima do filho, que hoje tem um canal no YouTube, onde posta vídeos sobre jogos de videogame, um dos seus principais hobbies.

– Ele mesmo faz os vídeos dele e posta no canal, mostrando quais os jogos que mais gosta, além de falar sobre lançamentos. Como é muito vaidoso, às vezes também posta vídeos fazendo os topetes no cabelo – contou a mãe.

Para Rosemeire, ainda que a família se esforce, manter a inclusão de seus filhos na sociedade é o principal desafio das famílias dos portadores da Síndrome de Down, assim como ocorre nas escolas onde, para a mãe de Fabrício, ainda falta estrutura para acolher esse público.

– O Fabrício está na escola regular, no entanto todo o seu acompanhamento psicopedagogo e psicológico ainda é feito na Apae, onde eu sempre recebi todo o suporte. Logo ele começará a preparação para o mercado de trabalho e tenho certeza que isso será muito bom para ele, principalmente no sentido de se sentir útil para outras pessoas. Na minha família ele já participa de tudo, tem uma vida social normal, é muito bem aceito por todos e isso faz com que ele não se sinta diferente de ninguém. Com certeza, essa inclusão foi o que fez toda a diferença no bom desenvolvimento do meu filho – afirmou a dona de casa.

Para a diretora da Apae, os exemplos de vida de Fabrício e Viviane são o resultado de quando família e instituição caminham juntas.

– É um desafio à família toda acolher, porque geralmente isso fica muito por conta das mães. Os dois são exemplos de que quando o portador é inserido na própria família, ele fica mais próximo de uma vida normal – finalizou a diretora.

Conectado: Fabrício Martins Domingues, de 17 anos, tem um canal no YouTube, onde posta vídeos sobre jogos (Foto: Roze Martins)

Conectado: Fabrício Martins Domingues, de 17 anos, tem um canal no YouTube, onde posta vídeos sobre jogos (Foto: Roze Martins)

Em todos os locais

Já na Apae de Volta Redonda, conforme destaca a coordenadora do Programa de Trabalho, Ana Gilda da Silva Santos, a luta da entidade é para que seus assistidos estejam em todos os locais: na escola, no comércio, no entretenimento, no mercado de trabalho, entre outros segmentos. Isso tudo, segundo Ana, é o que vai contribuir para que eles possam viver melhor em sociedade.

– Neste dia 21 de março o grande desejo de toda a coordenação da Apae e que a instituição não seja vista e lembrada pela sociedade somente em momentos de dificuldades, conforme estamos enfrentando. É importante destacarmos que quando pedimos apoio é para que possamos continuar assistindo e ajudando, por meio de um trabalho especializado, todos esses portadores, seja da Síndrome de Down ou outra deficiência, para que eles possam viver melhor e serem aceitos por onde eles passarem – destacou a coordenadora.

Segundo Ana Gilda, a Apae vem sendo, há seis décadas, responsável por tudo o que os portadores de Síndrome de Down e outras deficiências mentais aprendem na vida diária, na própria higienização e socialização. Temos depoimentos dos próprios pais de que, se não fosse o atendimento e a equipe especializada da instituição, muitos não teriam aprendido a falar, a andar e, hoje, participarem de atividades normais.

– Nossa “tônica” é tratá-los como pessoas normais, com direitos e deveres. A sociedade, quanto age dessa forma com os portadores de Síndrome de Donw, está contribuindo com seu crescimento pessoal, sua autonomia e independência, fazendo com que realmente tenham uma vida normal. E essa é nossa luta e reflexão para esse dia 21 de março – finalizou a coordenadora.

 

 

Por Roze Martins

(Especial para o DIÁRIO DO VALE)

 

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