domingo, 21 de outubro de 2018

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Jovem coleciona premiações em torneios leiteiros da região

Matéria publicada em 9 de janeiro de 2018, 18:00 horas

 


Veterinária: Além das competições, Ana Júlia tem planos cursar Medicina Veterinária.

Veterinária: Além das competições, Ana Júlia tem planos cursar Medicina Veterinária.

Rio Claro

Com cinco torneios leiteiros na bagagem, Ana Júlia Duque segue se destacando na pecuária leiteira. Estudante, de 17 anos, Ana Júlia foi premiada no 35º Torneio Leiteiro Interfazendas de Barra Mansa, realizado pelo Sindicato Rural em parceria com a prefeitura e a Emater-Rio. A jovem recebeu o troféu de grande campeã com a vaca Fortaleza.
– Eu fazia hipismo e passava boa parte do tempo com os cavalos. Mas, quando eu tinha 12 anos, meu pai me pediu para ajudar no curral, com as vacas, e eu fui pegando gosto. Logo comecei a ir todos os dias. Estudava de manhã e ia para o curral de tarde. Descobri um talento e, mais do que isso, uma paixão”, revelou Ana, que compete por conta própria. Para ela, as competições são uma oportunidade de crescimento. “O Interfazendas é uma competição de profundo aprendizado. Temos a oportunidade de conhecer colegas produtores, trocar experiências e crescer por meio desse intercâmbio. Sou muito grata por ter participado, pelo apoio que recebi dos meus pais e de toda a organização. Meu pai me supervisionou no dia da competição, mas foram semanas de preparo sozinha no curral”, contou Ana, salientando que essa vitória foi a mais importante. “Ela foi resultado do meu esforço, de trabalhar em prol de um sonho e de não ter parado por nada até conseguir”, frisou.
Logo que percebeu a habilidade da filha com os animais, Marco Aurélio Ribeiro, que já participava de competições regionais, decidiu deixar que a jovem competisse sozinha. “Ela sempre mostrou interesse muito grande em aprender e realmente leva jeito. Então eu deixei com que ela assumisse a frente das competições. Ela faz tudo sozinha e eu só fico ao lado para supervisionar, tanto nos torneios quanto na fazenda”, explicou o pai. Já para o presidente do Sindicato Rural de Barra Mansa e secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Adilson Delgado Rezende, a jovem é um exemplo de renovação. “Acompanho de perto a dedicação e o crescimento da Ana Júlia. O desenvolvimento dela só reforça a importância de se investir no processo de sucessão familia. A atividade rural é, por tradição, um negócio de família e ver a Ana Júlia assumindo responsabilidades e seguindo os passos do pai com a pecuária leiteira nos faz acreditar em um ótimo futuro para o setor”, comemorou o presidente.

Carreira

A primeira premiação que Ana Júlia recebeu quando começou a competir sozinha foi no Torneio Leiteiro do distrito de Antônio Rocha, em 2014. Desde então, ela não parou mais. Foi vencedora duas vezes seguidas em competições na cidade de Itaguaí, e também em Amparo, outro distrito de Barra Mansa. Porém, o título de grande campeã do Interfazendas recebido este ano é o que dá mais orgulho, tanto a ela quando aos pais. “Eu tenho muito orgulho dela estar seguindo a tradição da família. Ela é muito talentosa e dedicada. Mas eu sempre ensino que é preciso ser humilde porque estamos sempre aprendendo. Ela tem consciência disso e quer sempre aprender mais”, contou. Para garantir esse aprendizado, o próximo passo nos planos de Ana Júlia é cursar Medicina Veterinária. “Eu tenho certeza absoluta de que quero trabalhar com animais de fazenda e pecuária leiteira. Quero ser veterinária para fazer o melhor que eu posso, tanto para os animais quanto para o crescimento da nossa propriedade”, revelou a jovem, que já fez também um curso de inseminação artificial e é a responsável pelo procedimento na fazenda da família.

Preconceito

A paixão pelo setor sempre existiu, mas a estudante também conta que teve que aprender a lidar com o pensamento de que meninas e mulheres não combinam com o meio rural. “No início, eu tinha um pouco de vergonha de contar para os outros que eu trabalhava no curral, porque sempre diziam que aquilo não era serviço de mulher. Aos poucos, eu aprendi que não era vergonha nenhuma. Minha mente se abriu e hoje eu sei que não existe ‘trabalho de mulher’. A gente pode trabalhar no que quiser desde que a gente ame o que faz”, defendeu. “Eu tenho um orgulho imenso da vida no campo. É raro ver meninas fazendo o que eu faço, mas, quando tem, a gente sabe que a pessoa está fazendo por amor. Porque, para mim, o que fazemos por obrigação nunca sai tão perfeito quanto o que a gente faz por gostar mesmo”, finalizou.


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