ÔĽŅ Jovem coleciona premia√ß√Ķes em torneios leiteiros da regi√£o - Di√°rio do Vale
quarta-feira, 15 de agosto de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Jovem coleciona premia√ß√Ķes em torneios leiteiros da regi√£o

Jovem coleciona premia√ß√Ķes em torneios leiteiros da regi√£o

Matéria publicada em 9 de janeiro de 2018, 18:00 horas

 


Veterin√°ria: Al√©m das competi√ß√Ķes, Ana J√ļlia tem planos cursar Medicina Veterin√°ria.

Veterin√°ria: Al√©m das competi√ß√Ķes, Ana J√ļlia tem planos cursar Medicina Veterin√°ria.

Rio Claro

Com cinco torneios leiteiros na bagagem, Ana J√ļlia Duque segue se destacando na pecu√°ria leiteira. Estudante, de 17 anos, Ana J√ļlia foi premiada no 35¬ļ Torneio Leiteiro Interfazendas de Barra Mansa, realizado pelo Sindicato Rural em parceria com a prefeitura e a Emater-Rio. A jovem recebeu o trof√©u de grande campe√£ com a vaca Fortaleza.
– Eu fazia hipismo e passava boa parte do tempo com os cavalos. Mas, quando eu tinha 12 anos, meu pai me pediu para ajudar no curral, com as vacas, e eu fui pegando gosto. Logo comecei a ir todos os dias. Estudava de manh√£ e ia para o curral de tarde. Descobri um talento e, mais do que isso, uma paix√£o‚ÄĚ, revelou Ana, que compete por conta pr√≥pria. Para ela, as competi√ß√Ķes s√£o uma oportunidade de crescimento. ‚ÄúO Interfazendas √© uma competi√ß√£o de profundo aprendizado. Temos a oportunidade de conhecer colegas produtores, trocar experi√™ncias e crescer por meio desse interc√Ęmbio. Sou muito grata por ter participado, pelo apoio que recebi dos meus pais e de toda a organiza√ß√£o. Meu pai me supervisionou no dia da competi√ß√£o, mas foram semanas de preparo sozinha no curral‚ÄĚ, contou Ana, salientando que essa vit√≥ria foi a mais importante. ‚ÄúEla foi resultado do meu esfor√ßo, de trabalhar em prol de um sonho e de n√£o ter parado por nada at√© conseguir‚ÄĚ, frisou.
Logo que percebeu a habilidade da filha com os animais, Marco Aur√©lio Ribeiro, que j√° participava de competi√ß√Ķes regionais, decidiu deixar que a jovem competisse sozinha. ‚ÄúEla sempre mostrou interesse muito grande em aprender e realmente leva jeito. Ent√£o eu deixei com que ela assumisse a frente das competi√ß√Ķes. Ela faz tudo sozinha e eu s√≥ fico ao lado para supervisionar, tanto nos torneios quanto na fazenda‚ÄĚ, explicou o pai. J√° para o presidente do Sindicato Rural de Barra Mansa e secret√°rio municipal de Desenvolvimento Rural, Adilson Delgado Rezende, a jovem √© um exemplo de renova√ß√£o. ‚ÄúAcompanho de perto a dedica√ß√£o e o crescimento da Ana J√ļlia. O desenvolvimento dela s√≥ refor√ßa a import√Ęncia de se investir no processo de sucess√£o familia. A atividade rural √©, por tradi√ß√£o, um neg√≥cio de fam√≠lia e ver a Ana J√ļlia assumindo responsabilidades e seguindo os passos do pai com a pecu√°ria leiteira nos faz acreditar em um √≥timo futuro para o setor‚ÄĚ, comemorou o presidente.

Carreira

A primeira premia√ß√£o que Ana J√ļlia recebeu quando come√ßou a competir sozinha foi no Torneio Leiteiro do distrito de Ant√īnio Rocha, em 2014. Desde ent√£o, ela n√£o parou mais. Foi vencedora duas vezes seguidas em competi√ß√Ķes na cidade de Itagua√≠, e tamb√©m em Amparo, outro distrito de Barra Mansa. Por√©m, o t√≠tulo de grande campe√£ do Interfazendas recebido este ano √© o que d√° mais orgulho, tanto a ela quando aos pais. ‚ÄúEu tenho muito orgulho dela estar seguindo a tradi√ß√£o da fam√≠lia. Ela √© muito talentosa e dedicada. Mas eu sempre ensino que √© preciso ser humilde porque estamos sempre aprendendo. Ela tem consci√™ncia disso e quer sempre aprender mais‚ÄĚ, contou. Para garantir esse aprendizado, o pr√≥ximo passo nos planos de Ana J√ļlia √© cursar Medicina Veterin√°ria. ‚ÄúEu tenho certeza absoluta de que quero trabalhar com animais de fazenda e pecu√°ria leiteira. Quero ser veterin√°ria para fazer o melhor que eu posso, tanto para os animais quanto para o crescimento da nossa propriedade‚ÄĚ, revelou a jovem, que j√° fez tamb√©m um curso de insemina√ß√£o artificial e √© a respons√°vel pelo procedimento na fazenda da fam√≠lia.

Preconceito

A paix√£o pelo setor sempre existiu, mas a estudante tamb√©m conta que teve que aprender a lidar com o pensamento de que meninas e mulheres n√£o combinam com o meio rural. ‚ÄúNo in√≠cio, eu tinha um pouco de vergonha de contar para os outros que eu trabalhava no curral, porque sempre diziam que aquilo n√£o era servi√ßo de mulher. Aos poucos, eu aprendi que n√£o era vergonha nenhuma. Minha mente se abriu e hoje eu sei que n√£o existe ‚Äėtrabalho de mulher‚Äô. A gente pode trabalhar no que quiser desde que a gente ame o que faz‚ÄĚ, defendeu. ‚ÄúEu tenho um orgulho imenso da vida no campo. √Č raro ver meninas fazendo o que eu fa√ßo, mas, quando tem, a gente sabe que a pessoa est√° fazendo por amor. Porque, para mim, o que fazemos por obriga√ß√£o nunca sai t√£o perfeito quanto o que a gente faz por gostar mesmo‚ÄĚ, finalizou.

Untitled Document