quarta-feira, 22 de novembro de 2017

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Seminaristas da região falam sobre vocação

Seminaristas da região falam sobre vocação

Matéria publicada em 12 de agosto de 2017, 18:00 horas

 


Processo é longo e exige dedicação até a ordenação final; primeiro passo é a pastoral vocacional

Volta Redonda – Neste mês de agosto, a Igreja Católica está propondo aos fiéis o tema da vocação, que é o seminarista. Segundo Daniel César, de Barra do Piraí e que, desde 2012, estuda no Seminário Maior ‘Bem Aventurado Dom Oscar Romero’, em Volta Redonda, em geral um jovem que tem a vida inserida na comunidade é o perfil de quem procura o ministério ordenado.

– Sempre participei da comunidade, frequentando as missas e participando das atividades nas pastorais. Por isso mesmo, sempre fui incentivado pelas pessoas a me tornar padre, mas continuei seguindo a minha vida normalmente até a faculdade, onde cursei um ano de administração. Mas com a frequência da faculdade comecei a questionar sobre o meu futuro e percebi que talvez não fosse o meu caminho. Foi quando procurei a pastoral vocacional da diocese para me ajudar e em 2012 decidi entrar para o seminário – diz.

Para o seminarista Gabriel Ribeiro, que ingressou no seminário Diocesano de Volta Redonda em 2011, o desejo de se tornar padre foi crescendo desde a infância, a partir da participação na comunidade eclesial de base Nossa Senhora da Paz, em Resende.

– Com o tempo fui me encontrando com o projeto de Jesus e ainda na catequese, quando fui aprender o que era o ministério ordenado e a vida de um padre, é que decidi aos oito anos que queria me tornar um padre. Mas como qualquer jovem fui crescendo, namorei, trabalhei e fiz faculdade de história por dois períodos, sem nunca abandonar a Igreja. E com este desejo de me encontrar procurei a pastoral vocacional e logo depois me ingressei no seminário, em 2011 – destaca.

Já o seminarista Ueslem Nandim, que é de Porto Real, afirma que desde pequeno falava em ser padre.

– Apesar de frequentar as missas e participar das atividades da comunidade, sempre tive uma vida normal onde namorava, ia às festas e cheguei a ficar noivo. Mas aos 19 anos decidi entrar no seminário da congregação Verbo Divino. Fiquei lá por cinco anos, desisti e após quatro anos afastado, retornei para o seminário diocesano de Volta Redonda – comentou.

De acordo com Gabriel, o seminário é um processo de descoberta e não quer dizer que o estudante concluirá todo o processo.

– A evasão ocorre e é normal dentro desse processo. Muitos de nossa turma desistiram, e hoje seguem rumos diferentes através da opção pelo casamento ou uma nova profissão. Mas continuam participando da comunidade. Esta possibilidade de desistir é real e todos os candidatos passam. E o seminário nos permite pensar nesta hipótese nos dando um tempo para pensar caso seja necessário – explica.

Aprendendo: Seminaristas se preparam para aplicar a vocação que motivou a busca pela ordenação (Foto: Júlio Amaral)

Aprendendo: Seminaristas se preparam para aplicar a vocação que motivou a busca pela ordenação (Foto: Júlio Amaral)

Número de candidatos ao seminário tende a aumentar

Na opinião do padre Samuel Moreira Camargo, reitor do seminário ‘Bem Aventurado Dom Oscar Romero’, o número de candidatos ao clero tem crescido recentemente.

– Hoje temos oito residentes no seminário, com possibilidade de ampliar para catorze a partir do ano que vem. Também temos 20 jovens sendo acompanhados pela pastoral vocacional da diocese – afirma.

Segundo o padre Samuel, uma das dificuldades que os candidatos encontram hoje para ingressar no seminário seria a baixa formação acadêmica. O incentivo e apoio familiar também é outro obstáculo para a decisão desse jovem.

– Acredito que a falta de uma religiosidade nas próprias famílias tem desmotivado o interesse pela vocação religiosa. A própria formação dos jovens hoje em dia está carente e sem a participação dos pais. E isso dificulta na hora desse jovem decidir pela vocação religiosa. Tenho observado em alguns casos esta falta de apoio familiar entre os próprios candidatos que desejam ingressar ao seminário – opina.

Com relação ao celibato, o padre Samuel acredita que é uma renúncia de um amor particular para assumir um amor maior, que seria a Igreja e o cuidado com o rebanho.

Etapas da formação

De acordo com o reitor do seminário de Volta Redonda, padre Samuel Moreira, a formação de um padre é bem criteriosa e extensa. De seis meses a um ano, o candidato participa de encontros e acompanhamentos mensais na pastoral vocacional.

Depois, este candidato permanece mais um ano no seminário Propedêutico, onde aprende matérias introdutórias. Samuel disse que é um tempo de adaptação e transição entre a família e o seminário diocesano.

– Já a formação no seminário diocesano dura sete anos, sendo dividida em duas etapas: a filosófica (três anos) e a teóloga (quatro anos). Ambas as etapas são realizadas em uma faculdade. Depois vem um período de estágio pastoral, onde o seminarista passa a morar durante um ano em uma paróquia, acompanhado de um padre. Após este estágio vem a ordenação Diaconal (Diaconato Transitório) por um período mínimo de seis meses. E em seguida vem à ordenação presbiteral, quando o candidato se torna padre. Depois o padre é encaminhado á uma paróquia para trabalhar sozinho com uma remuneração de três salários mínimos – conclui.

 

Por Júlio Amaral

jamaral@diariodovale.com.br

 

2 comentários

  1. QUE DEUS ABENÇOE ESTES NOSSOS NOVOS FUTUROS SACERDOTES DE NOSSA MÃE IGREJA.

  2. Parabéns a igreja católica pela perseverança na luta pela evangelização e igualdade social, só tem que ficar de olho em quem tem realmente vocação e não somente vê o seminário como um emprego qualquer,senão vira antro de espertalhões como os protestantes!

Untitled Document