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Setembro Amarelo: Campanha chama atenção para risco de depressão e suicídio

Matéria publicada em 18 de setembro de 2017, 16:43 horas

 


Volta Redonda – “Setembro Amarelo: Precisamos falar sobre Suicídio”. Apesar dessa campanha, vinculada ao Ministério da Saúde, vir à tona anualmente, com o objetivo de provocar debates sobre o assunto, o suicídio é um tema que poucos se atrevem abordar.

Falar sobre estes casos em família é, segundo psicólogos, um fato raro. No entanto, as estatísticas acenam para a gravidade da situação e apontam crescimento acelerado de suicídios, principalmente, entre a população com faixa etária de 15 a 35 anos.

O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking mundial de países com maior incidência do suicídio. Em média, a cada 45 minutos uma pessoa se mata em nosso país. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam, ainda, em escala global, a ocorrência de 2,2 mil suicídios/dia. A psicóloga Janine Procópio Muniz faz outro alerta: embora os números sejam preocupantes, eles podem ser ainda maiores, já que muitas famílias por preconceito, tabu, entre outros motivos, evitam registros sobre esse assunto.

Seguindo a avaliação da maioria dos profissionais da área, Janine, afirma que poucas famílias tem coragem de abordar o assunto abertamente. Outro agravante é a distância entre as pessoas provocada pelo corre-corre do dia a dia ou pelo fácil acesso às redes sociais, deixando o indivíduo cada vez mais longe do diálogo, convivência familiar ou em sociedade. Estes fatores, na avaliação da psicóloga, vieram contribuir, em muito, para a distância nos relacionamentos e, consequentemente, para uma maior dificuldade de se perceber as mudanças de hábitos e comportamentos, na pessoa que tende ao suicídio.

Outro alerta é para o mito de que o suicida não avisa que pretende se mantar. Janine garante que a pessoa com esta predisposição deixa uma série de indícios desse ato, seja na mudança de comportamento, no isolamento, no diálogo, na compulsão por comida, álcool, drogas, entre outros fatores. “As pessoas vão mudando aos poucos suas atitudes, comportamento, enfim, deixam uma infinidade de dicas alertando para a possibilidade de virem a cometer o suicídio”, comentou a psicóloga, lembrando que o corpo fala e demonstra quando há algo errado.

Apesar desses indícios, de acordo com Janine, boa parte dos familiares não percebe as mudanças. E quando isso ocorre, muitos acreditam se tratar de uma depressão, mas esta doença, nem sempre esta associada ao suicídio. “Boa parte dos casos que chegam aos nossos consultórios é associada à depressão, mas à medida que avaliamos o paciente, percebemos que a situação é bem mais alarmante”, completou Janine, ressaltando que a cada ano, o número de pacientes com indícios de depressão ou suicídio, que chegam ao consultório dela, vem aumentando cerca de 40%.

“Nem sempre podemos associar um caso ao outro, mas o sinal de alerta deve se acender sempre quando ocorre mudanças no comportamento”, completou Janine.

Fatores

Para psicólogos os fatores que levam ao suicídio podem ser diversos e não há um perfil definido entre esses casos. Há, no entanto, alguns indícios que podem contribuir para esta situação como: excesso de cobrança da sociedade e família; dificuldades em aceitar as perdas, sejam elas, econômicas, profissionais, ou o término de um relacionamento; e, por fim, a falsa felicidade exposta pelas redes sociais, principalmente, através do facebook, onde muitos expõe suas intimidades para um universo de contatos que sequer sejam pessoas próximas.

– Se olharmos o facebook está todo mundo muito bem, onde boa parte dos casos, demonstra uma falsa alegria. Outros levam temas íntimos para debates nas redes sociais, sem sequer tomarem o cuidado de checar os contatos que estarão opinando sobre um assunto de extrema importância para aquela pessoa – completou Janine, alertando para o perigo desta situação.

A transição entre idades também se torna um agravante. No caso dos adolescentes, por exemplo, as dúvidas são muitas e falta amadurecimento para lidar com a diversidade de questionamentos que geralmente surgem nesta idade. Tudo isso pode levar a um conflito e pressão emocional que tende a se agravar com o tempo e falta de apoio. Outra faixa etária que chama atenção dos profissionais da área de saúde mental é a transição para a terceira idade, quando as pessoas se aposentam, passam a ter maior tempo livre, limitações físicas e se isolam.

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Diálogo, convivência e até alimentação podem ajudar

O diálogo entre familiares, a convivência social, alimentação, aliada a pratica de exercícios físicos, estão entre os fatores que podem ajudar manter a auto estima. O poder público, em diversas cidades do país, realiza as “Rodas de Conversa”, onde pacientes que se sentem sozinhos interagem, aliviando a dor.

Pais também devem ficar atentos às redes sociais e aos contatos mantidos pelos filhos.  Profissionais de Saúde Mental são outros que tem se mantido atentos e promovem, através de escuta qualificada, a inclusão e o acolhimento à diferença e ao sofrimento psíquico. Em 2006, o Ministério da Saúde elaborou o Manual de Prevenção ao Suicídio e, em 2013, o Conselho Federal de Psicologia publicou em seu site a cartilha “Suicídio e os desafios para a Psicologia”.

‘Setembro Amarelo’ começou em 2015

Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina)e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo esta em atividade desde 2015. Com o respaldo da OMS, a Campanha “Setembro Amarelo”  mobiliza em todo o mundo, governos, profissionais de Saúde e a sociedade de um modo geral, promovendo debate sobre o suicídio. O  Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro é outra entidade que agrega força a esta campanha.

Na Região Sul do Estado o CVV vem realizando em diversas cidades, palestras, entrevistas e debates sobre o tema, cujo slogan é “Falar é a melhor Solução”. A entidade, assim como profissionais da área, afirma que muitos casos de depressão ou solidão podem ser agravados por falta de diálogo sobre o assunto. Voluntária do CVV há 15 anos, Zenaide Rosa, afirma que o diálogo ainda é o melhor remédio para aliviar a dor de uma pessoa. Para isso o CVV vem aumentando o número de voluntários. Atualmente eles contam com 17 pessoas, sendo que o ideal seria 45.

– Saber ouvir, sem intervir na vida pessoal é um caminho que vem se tornando eficiente para aliviar a dor de alguém que passou por uma perda ou está com dificuldades de se situar em alguma realidade nova – ressaltou Zenaide, lembrando que no próximo dia 28 a equipe estará falando sobre o assunto na Faculdade de Jornalismo, para alunos da UBM (Universidade de Barra Mansa).

3 comentários

  1. É “o” UBM, pois é centro universitário e não universidade.

  2. SUICIDIO!DEPRESSÃO!NASCEU?DE LUGAR PARA DEUS!NASCESEMOS JA ENCONTRAMOS TUDO PRONTO! NÃO TENTE GOVERNAR ELE.Á ELE PERTENCE TODAS AS COISAS.MENOS RIVOTRIL,BEBIDAS,DROGAS,MENTIRAS.MAL AO PROXIMO.INVEJA.VAMOS PARAR LOR AQUI.

  3. Essa psicóloga é a melhor !!!!! Muito orgulho da nossa comadre !!!!!

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