sábado, 17 de novembro de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A missão do Insight no planeta Marte

A missão do Insight no planeta Marte

Matéria publicada em 17 de maio de 2018, 07:10 horas

 


Diretor da NASA diz que Lua é plataforma para Marte

Insight: A nave sendo colocada em sua concha protetora.

A sonda espacial Insight, da agência espacial americana NASA, começou bem a sua viagem de seis meses e 485 milhões de quilômetros até o planeta Marte. Se tudo correr conforme o esperado, o robô deve fazer um pouso suave na planície de Elysium, no equador do planeta vermelho, no dia 26 de novembro. Ao contrário das missões anteriores, que estudaram a superfície de Marte, a Insight vai observar o interior do planeta, registrando a possível ocorrência de martemotos (os terremotos marcianos) e monitorando o fluxo de calor do subsolo. Atualmente Marte não tem vulcões ativos, como a Terra, mas ainda possui um núcleo liquefeito.
Insight é uma abreviação do nome da sonda, que quer dizer “Explorador do Interior” usando investigação sísmica e geodésica. A Insight foi lançada no sábado, dia 5 de maio, por um foguete Atlas 5 que partiu da base de Vandenberg, na Califórnia. Foi a primeira vez que uma missão de exploração planetária parte da costa oeste dos Estados Unidos. Todas as anteriores foram lançadas de Cabo Canaveral, que fica na Flórida, na costa leste, do outro lado do continente.
Outra novidade é que o Insight não viaja sozinho para Marte, ele é acompanhado por dois pequenos satélites, os cubesats Marco A e Marco B. Que a equipe do laboratório JPL apelidou de Wall-E e Eva, numa referencia ao desenho animado da Pixar. Ao contrário do Insight, que vai pousar em Marte, os dois pequenos satélites vão apenas passar pelo planeta, retransmitindo as informações sobre o pouso da nave. Assim o controle da Terra poderá acompanhar em tempo real a manobra de pouso.
Para aumentar as chances de sucesso da missão, o Insight usa tecnologia que já foi testada em outras missões. A nave principal foi construída a partir do projeto da sonda Phoenix, que pousou com sucesso em Marte no ano de 2008. Os cubesats também já foram usados com sucesso em missões na órbita da Terra, mas essa é a primeira vez que eles são testados no espaço interplanetário. De todos os planetas do sistema solar, Marte é o mais parecido com a Terra, com uma superfície solida e um clima relativamente ameno. O que faz dele o principal objetivo dos projetos de colonização planetária e viagens tripuladas.
Atualmente a superfície de Marte é um deserto arenoso e muito frio. Com temperaturas de mais de 50 graus negativos durante as noites marcianas. A atmosfera rarefeita é feita de bióxido de carbono e a baixa pressão do ar marciano torna os pousos muito difíceis. Quando chegar a Marte em novembro, o Insight vai entrar na atmosfera marciana protegido por um escudo de cerâmica, usando a resistência do ar para perder velocidade através de uma técnica que os engenheiros chamam de aero freio.
Assim que a velocidade for reduzida para um nível seguro será aberto um paraquedas que sustentará o robô nos últimos quilômetros de sua descida. A uma altura de mil metros sobre a superfície o robô se separa do paraquedas e usa retrofoguetes para pousar suavemente. Toda a manobra de pouso dura apenas seis minutos, é o que os técnicos da missão chamam de “seis minutos no inferno”, porque a maioria das falhas acontecem durante esses minutos críticos, quando a nave desacelera de uma velocidade de 40 mil quilômetros horários até dez quilômetros por hora durante a manobra final de descida.
Ao contrário dos robôs anteriores, que desciam num local prefixado, o Insight vai usar o seu radar de mapeamento de terreno para escolher o local mais plano, e descer na sua direção. É uma técnica que está sendo desenvolvida para as futuras missões tripuladas. Na semana passada o novo diretor da NASA, Jim Bridenstine, disse que antes de pousar em Marte os astronautas americanos voltarão a Lua. Ele acrescentou que a Lua será uma plataforma para as futuras viagens a Marte, mas não detalhou quando isso vai acontecer.

Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Novamente essa ideia de voltar antes à Lua para depois ir a Marte. Concordo com o Robert Zubrin, que defende que temos que ir direto para Marte, pois uma volta à Lua seria desperdício de dinheiro e desviaria o foco, eventualmente descontinuando o programa.

Untitled Document