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2016, o ano horrível, acaba amanhã

Matéria publicada em 30 de dezembro de 2016, 07:05 horas

 


Retrospectiva deste ano vai ser um verdadeiro filme de horror; para os brasileiros foi ainda pior

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Amanhã termina o ano de 2016 e como é costume as redes de televisão costumam fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu nos últimos doze meses. Assistir a deste ano vai ser um exercício de masoquismo. Ótimo para quem gosta de filmes de horror, do tipo “quanto pior melhor”. Afinal, 2016, foi o que a rainha da Inglaterra costuma chamar de “annus horribilis”. A expressão em latim quer dizer ano horrível. É o oposto de annus mirabilis (ano maravilhoso) que são aqueles raros anos em que só acontecem coisas boas.

Para os brasileiros o ano foi realmente horrível. Imagine só as figuras que vão aparecer nas retrospectivas da televisão. Vamos ver a presidente afastada, Dilma Rousseff, garantir de novo que “não vai ter golpe”. Veremos os deputados dedicarem o impeachment da Dilma aos pais, a professora do jardim de infância, ao cachorrinho de estimação e por aí afora. Vamos ver de novo aquelas mulheres que se acorrentaram em uma cerca do palácio do planalto prometendo que iam ficar lá até a Dilma voltar. Devem estar lá até agora.

Depois veremos de novo a prisão do Eduardo Cunha, e do ex-governador do Rio, Sergio Cabral com sua mulher cheia de joias. Assistiremos perplexos ao Anthony Garotinho ser arrastado esperneando para a prisão de Bangu. E, é claro, teremos o Luís Inácio Lula da Silva afirmando, pela nonagésima vez, que não é dono do triplex no Guarujá, nem daquele sítio em Atibaia.

Tudo bem que em 2016 teve a Olimpíada do Rio de Janeiro. Vai ser o refresco da retrospectiva, assistir aos atletas do futebol e da vela exibindo suas medalhas de ouro. Mas logo depois vai recomeçar o festival de horrores brasileiros com as quadrilhas de bandidos tomando cidades do interior para explodir caixas eletrônicos. O ex vice da Dilma, Michel Temer, prometendo salvar o país as custas dos aposentados e pensionistas.

E a desgraça final. A queda do avião da Chapecoense por simples falta de combustível. Ufa! Ainda bem que acabou. Não aguentaríamos mais um mês deste ano pavoroso, da recessão e do desemprego. O ano em que a marolinha do Lula virou um tsunami que arrasou o país. E as perspectivas para 2017 não são nada boas. A recessão vai continuar e as coisas continuarão ruins nesta terra de palmeiras e sabiás.

Refresco

Diante de um ano tão ruim, aqui na Terra, um refúgio possível é buscar consolo na beleza do céu. A situação atual me faz lembrar da minha passagem favorita do romance “Guerra e Paz” do russo Leon Tolstói. O ano é 1812, em que o exército de Napoleão invadiu a Rússia e queimou a capital, Moscou. Antes da invasão o personagem Pierre caminha pelas ruas sujas e frias e tem sua atenção despertada pelo grande cometa que brilha no céu estrelado. O cometa de 1812, que diziam anunciar todo o tipo de desgraças.

Mas para Pierre, naquela noite estrelada, o cometa é um símbolo da alegria e da harmonia que ele sente diante do céu estrelado. Uma lembrança de que existe alguma coisa melhor além das misérias e desgraças do dia a dia. E realmente 2016 foi um ano maravilhoso para aqueles que sonham com as belezas etéreas do espaço sideral. A sonda Cassini transmitiu imagens espetaculares dos anéis de Saturno e de suas luas. Vimos como é o coração de um cometa, que é bem mais fantástico do que Tolstoi poderia ter imaginado.

E pudemos contemplar a superfície de asteroides e assistir ao resultado espetacular da colisão de galáxias inteiras. Fenômenos que nos lembram de que nossa Terra, com todas as suas desgraças é apenas uma partícula de poeira, flutuando no meio de um imenso mar de estrelas de nuvens, de luz colorida, imunes a ação e a cobiça dos homens.

E neste palco cósmico os corruptos, os políticos mesquinhos e as desgraças humanas são apenas um piscar de luz na noite cósmica. Como o brilho efêmero de um vagalume.

Feliz 2017!

 

NGC 4388: A galáxia da Virgem, linda e inatingível

NGC 4388: A galáxia da Virgem, linda e inatingível

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Quem a nós que o ano de 2017 será melhor?

  2. Alvíssaras, ma capitaine! Que seja melhor mesmo.

  3. Sinceramente, não foi pior que 2015. Depende do ponto de vista e do assunto a ser avaliado…

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