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A ameaça da vida extraterrestre e a exploração de Marte

Matéria publicada em 20 de abril de 2017, 07:05 horas

 


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O filme “Vida”, em cartaz nos cinemas, aborda um antigo medo dos cientistas espaciais. A possibilidade de a humanidade fazer contato com uma forma de vida perigosa. O tema é atual já que tanto a Nasa, como o milionário Ellon Musk, tem planos de enviar uma cápsula para colher amostras do solo marciano e trazer para a Terra. Até hoje não foi detectado o menor sinal de vida no Planeta Vermelho, mas sempre existe a possibilidade de que algum micro-organismo perigoso possa ter sobrevivido no subsolo. Como “Calvin”, a criatura assassina do filme do diretor Daniel Espinosa.

Na época das viagens a Lua, entre 1969 e 1972, a Nasa não queria correr riscos. Quando os astronautas das Apollos 11, 12 e 14 pousaram no oceano Pacífico eles foram obrigados a vestir uma roupa de isolamento biológico. Depois foram levados para um vagão hermeticamente fechado, onde ficaram em quarentena durante 21 dias até os médicos se certificarem de que eles não tinham nenhuma doença extraterrestre. Os astronautas estavam saudáveis e a partir da Apollo 15 a quarentena não foi mais considerada necessária.

A partir daí os cuidados com amostras de material, trazidas de outros mundos, tem variado de acordo com o ambiente desses corpos celestes. Sondas não tripuladas têm voltado a Terra com amostras de cometas e asteroides, mas como esses mundos não têm atmosfera a chance de existir vida neles é nula. Com base na experiência dos voos lunares o médico Michael Crichton escreveu um romance, “O enigma de Andrômeda”, imaginando como o governo reagiria diante da pior hipótese possível.

O livro foi filmado pelo diretor Robert Wise em 1971 e imagina um micróbio hostil, a espécie Andrômeda, chegando a Terra a bordo de um satélite americano. O satélite cai em uma cidadezinha do Arizona e em poucas horas a “espécie Andrômeda” mata toda a população da cidade. Entrando na corrente sanguínea dos humanos os andrômedas provocam a coagulação instantânea do sangue e as pessoas morrem de embolia. O governo isola a cidade e leva amostras do organismo para um laboratório subterrâneo. Onde os médicos descobrem que ele não sobrevive em ambiente alcalino.

Na vida real é pouco provável que um organismo alienígena conseguisse sobreviver no ambiente terrestre. Ou que fosse compatível com o organismo humano. A maioria dos vírus e bactérias que causam doenças nos seres humanos evoluiu aqui na Terra, e possuem uma bioquímica compatível com a nossa. Além disso, não estamos completamente isolados do que existe lá em cima, no espaço sideral. Meteoritos e pedaços de outros planetas caem o tempo todo na Terra. Se existisse algum tipo de vida hostil, no espaço sideral, ela já estaria aqui há muito tempo.

Vários meteoritos vindos do planeta Marte têm sido recolhidos em locais como o continente Antártico e o deserto de Sahara. Alguns trazem amostras da atmosfera marciana presa dentro de bolhas. O mais famoso é o Allan Hills 84001 encontrado na Antártida em dezembro de 1984. Seu estudo com microscópios revelou estruturas fossilizadas que parecem bactérias. Mas essa hipótese nunca foi comprovada. É por isso que os pesquisadores de vida fora da Terra querem obter amostras do solo marciano colhidas in loco. Para verificar se elas contêm algum tipo de vida microscópica.

Originalmente a Nasa pretendia enviar uma sonda para pousar em Marte. Escavar o solo do planeta e trazer amostras desse solo para serem estudadas em um laboratório. O milionário Ellon Musk, presidente da empresa Space X, quer fazer isso com sua cápsula espacial Dragon, já na próxima década. O problema é encontrar um lugar seguro para guardar e estudar essas amostras.

Como mostra o filme “Vida”, a estação espacial não é um lugar seguro.

 

Perigosa: A criatura marciana do filme ‘Vida’

Perigosa: A criatura marciana do filme ‘Vida’

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Também acho que este medo é infundado, já que só são perigosos os microorganismos que evoluíram junto conosco aqui no planeta Terra. Há quem diga que somos o resultado desta contaminação, como dizem os teóricos da panspermia cósmica. Mas isso não tira a diversão de filmes como este Vida. Talvez o maior problema, mais real, seja a contaminação de outros planetas e luas com microorganismos terrestres, o que seria uma perda científica incalculável.

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