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A aventura das mulheres aquanautas

Matéria publicada em 29 de maio de 2018, 08:12 horas

 


Laboratório submarino abriu caminho para as estações espaciais

 

Pioneiras: As aquanautas em sua casa profunda

Quase ninguém se lembra de uma das maiores conquistas femininas da era moderna, a aventura das aquanautas do “Tektite 2” no outono de 1971. “Tektite 2” foi um laboratório submarino com tripulação feminina que a NASA, a agência espacial americana, instalou no fundo do mar, na costa das ilhas Virgens. Naquela época as americanas não podiam participar das missões espaciais e perigosas, pois eram consideradas “coisa de homem”. As moças do projeto mudaram tudo isso, passando duas semanas a quinze metros de profundidade num protótipo das futuras estações espaciais.

E com o sucesso do projeto submarino a NASA passou a incluir mulheres no seu time de astronautas. Hoje, 47 anos depois, a agência espacial usa uma casa submarina semelhante, o laboratório Aquarius, para treinar homens e mulheres astronautas. Mas em 1971 era novidade e o diretor científico do projeto, Hal Goodwin, enfrentou uma forte resistência do governo e da agência espacial. Experiências semelhantes já tinham sido realizadas com equipes masculinas, no laboratório Sealab da Marinha. Para o Tektite ele queria uma tripulação de casais, homens e mulheres. A NASA vetou terminantemente, sem se dar por vencido Goodwin propôs uma tripulação só de mulheres.

Tentando acabar com a ideia o governo fez uma exigência, só aprovaria se a equipe tivesse uma engenheira. Naquela época poucas mulheres cursavam engenharia nos Estados Unidos e encontrar uma profissional que fosse nadadora e mergulhadora seria uma tarefa praticamente impossível. Foi aí que apareceu Peggy Lucas, uma mocinha de 20 anos que estava fazendo pós-graduação em engenharia elétrica na universidade de Delaware e tinha feito bicos como salva-vidas. Foi aprovada na hora.

O resto da equipe foi composta por biólogas marinhas, a comandante Sylvia Earle e suas colegas Ann Hartline, Renate True e Alina Szmant. Todas muito jovens, com idades entre 20 e 28 anos. Depois de um treinamento com os mergulhadores Seal, da Marinha, elas foram aprovadas e embarcaram na aventura. O Tektite 2 ficava a 15 metros de profundidade, e depois de um dia lá embaixo as tripulantes não poderiam voltar a superfície sem passar por um período de descompressão. Era uma exigência da NASA, para simular as condições de uma futura estação espacial.

Habitat: Instalação ficava a 15 metros de profundidade

A casa submarina tinha dois andares e era equipada com confortos como geladeira, fogão elétrico, televisão e chuveiro com água morna. Enquanto as expedições masculinas tinham se concentrado nos problemas de engenharia, as mulheres aproveitaram para estudar as criaturas do fundo do mar, observando seu comportamento dia e noite. Num passeio noturno, sob a luz da lua cheia, Sylvia Earle ficou fascinada com um cardume de peixes. Que deslizou em frente a lua cheia como se fossem pássaros no céu. Ela escreveu um livro sobre a aventura, intitulado “Explorando a fronteira profunda.”

Tentando provar seu valor, a equipe feminina se dedicou ao máximo e a missão foi um sucesso. Com o conhecimento adquirido na Tektite, a NASA projetou sua primeira estação espacial, a Skylab, lançada dois anos depois, em 1973. Sylvia Earle, a comandante do Tektite, partiu para outras aventuras, ainda mais perigosas. Ela desceu a 370 metros de profundidade, na costa do Havaí, para estudar um tipo de coral luminescente, que brilha ao ser tocado. A pressão a esta profundidade é tão grande que Earle teve que usar um escafandro blindado, o Jim.

Numa entrevista recente, para um site da NASA, Peggy Lucas, lembrou que a pior coisa era a comida de astronauta, incluída no cardápio, que ela achou intragável. E o maior susto foi um terremoto submarino que sacudiu a Tektite com um tremor de três e meio na escala Richeter, mas tudo acabou bem.

2 comentários

  1. Muito interessante esta matéria! Quem nos dera que as feministas deixassem um pouco de lado o seu ódio aos homens e se dedicassem a valorizar as verdadeiras heroínas, em especial as grandes cientistas da história. Cada uma destas citadas na matéria do Calife fez mais pelas mulheres do que a Frida ou a Dilma. Verdadeiras heróinas anônimas estas pioneiras da NASA.

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