segunda-feira, 25 de setembro de 2017

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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A caçadora de sonhos volta a voar

A caçadora de sonhos volta a voar

Matéria publicada em 7 de setembro de 2017, 07:30 horas

 


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Pendurada embaixo de um grande helicóptero a nave Dream Chaser completou um voo de teste semana passada sobre o lago seco Rogers, da antiga base aérea de Edwards. Onde a barreira do som foi rompida pela primeira vez em 1947. Com um quarto do tamanho do antigo space shuttle da Nasa, a Dream Chaser é o único ônibus espacial atualmente em desenvolvimento. Em 2013 a mesma nave sofreu um acidente quando o trem de aterragem não se abriu adequadamente em um voo de teste. Se tudo correr bem a nave será lançada ao espaço por um foguete em 2020, levando suprimentos para a estação espacial internacional ISS.

Em 2021 a Dream Chaser será a primeira espaçonave a voar sob a bandeira das Nações Unidas. Será uma missão não tripulada, carregando experimentos de vários países. O desenvolvimento da nave tem sido lento devido a falta de verbas para a empresa Sierra Nevada Corporation, que perdeu um contrato com a agência espacial Nasa depois do acidente em outubro de 2013.

Mas a empresa firmou outro contrato com a agência espacial para usar a nave para transportar carga no lugar de astronautas. A Dream Chaser pode voar tanto sob controle de um piloto quanto sob comando de um computador.

No século passado acreditava-se que os ônibus espaciais eram o futuro da astronáutica. Até 1981 os astronautas viajavam em cápsulas que caíam de paraquedas no mar. E os tripulantes precisavam ser resgatados por navios e helicópteros. Ao contrário das cápsulas, que fazem voos balísticos, os ônibus espaciais possuem asas e podem voar na atmosfera da Terra como aviões. Sendo guiados para um pouso controlado em um aeroporto comum. Na próxima década espera-se que a Dream Chaser seja capaz de descer até no aeroporto de Houston, onde fica o centro de controle da Nasa.

Em 1981 a Nasa começou a usar uma frota de naves assim. Eram os spaces shuttles, como o Colúmbia, a Challenger, a Discovery e a Atlantis. Infelizmente a operação desses veículos se revelou mais cara do que a dos foguetes comuns. Cada voo do shuttle custava 400 milhões de dólares. Defeitos no projeto levaram a dois acidentes catastróficos, que destruíram as naves Colúmbia e Challenger e mataram 14 astronautas. Isso levou a Nasa a aposentar os ônibus espaciais em 2012 e passar a enviar seus astronautas em cápsulas espaciais russas, as Soyuz.

Com os problemas enfrentados pela Nasa outros países desistiram de projetos semelhantes. A Rússia mandou sua nave Buran para o museu depois de um único voo. E a França e o Japão cancelaram os projetos das naves Hermes e Hope. Mas a ideia de um veículo aeroespacial, que não tivesse os erros de projeto do shuttle da Nasa, continuou a fascinar os engenheiros aeroespeciais. Além de pousar em uma pista, como um avião comum, a viagem em uma nave desse tipo é mais confortável. Submetendo a carga e os passageiros a acelerações menores do que as das cápsulas espaciais.

Isso levou a empresa americana Sierra Nevada a projetar o Dream Chaser, que poderá transportar sete pessoas na versão tripulada. E será ideal para transportar cargas frágeis, como cristais de proteína, que não podem ser submetidos às acelerações violentas das cápsulas espaciais. Ao contrário do antigo shuttle, que voava preso a um perigoso tanque de combustível criogênico, a Dream Chaser subirá ao espaço no topo de um foguete Atlas. E poderá fazer viagens regulares até a estação espacial internacional.

Também será possível usar a nave para voos turísticos em órbita da Terra. Mas a prioridade por enquanto é o transporte de equipamento científico. Para a Nasa e as Nações Unidas.

Futuro: Nave voará para a ONU em 2021

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. الفتح - الوغد

    Parece mais um tubarão-Lego…

  2. Muito bom saber que a iniciativa privada continua a investir em missões tripuladas ao espaço. Quando forem barateados os custos para enviar cargas e pessoas até a órbita da Terra, o universo se abrirá para a humanidade.

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