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A gente vai levando…

Matéria publicada em 13 de abril de 2018, 07:10 horas

 


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Como nos diz Chico Buarque: “A gente vai levando essa rima, mesmo com toda cédula, com toda célula, com toda súmula, com toda sílaba. A gente vai levando, a gente vai tocando, a gente vai tomando, a gente vai dourando essa pílula!”

E falando em um bom Português castiço, procrastinar ou não procrastinar, eis a questão?! De um tempo para cá, não que os anteriores tenham sido simpáticos e não nos tenham arrancado o couro do corpo e da alma, a coisa ficou literalmente feia. Focamos sem querer o chão, isto porque fomos obrigados a descermos ladeira abaixo sem freio, e acabou dando nesse quadro nefasto de 2015 até hoje. Desemprego aos borbotões motivados pelo fechamento das mais variadas empresas. Do barzinho da esquina, passando pelo restaurante, a boutique, a padaria, a livraria, a fábrica e por ai vai.

Parece que o Brasil foi obrigado mesmo sem querer a procrastinar, adiar suas ações esperando sentado para ver o que iria acontecer, como terminaria a “briga” Dilma x Temer, e diante do resultado final sabermos em que fundilho iriam nos colocar. Nós que estamos no olho do furacão e que fomos por ele tragados, encarnamos quase uma sensação de culpa, mesmo sem tê-la. Vivendo intensamente a perda de produtividade por não podermos cumprir com as nossas responsabilidades e compromissos.

Haja vista que a procrastinação para muitos pode até ser considerada normal. Palavras do sociólogo italiano Domenico de Masi acerca do ócio criativo. Ele defende que para ficar alegre no dia a dia e por conseguinte aumentar a criatividade, teremos que aumentar o potencial de imaginação necessário a um melhor desempenho produtivo no trabalho. Mas frisa que existe um ócio alienante, que de alguma maneira nos faz sentir totalmente vazios e até mesmo inúteis, mas que também existe um outro ócio, algo que nos faz sentir livres e que é necessário à produção de ideias inovadoras e que são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade num todo.

Segundo ele não se pode confundir ócio com preguiça. Existe uma diferença entre um e outro, pois para ele o ócio pode gerar produtividade e ter algum significado, já a preguiça é algo insignificante e até danoso para nós.

Embora a procrastinação seja considerada até normal para alguns, torna-se um problema quando impede o funcionamento de certas ações. A procrastinação crônica pode ser um sério sinal de problemas psicológicos e até fisiológicos. Ao meu ver quem de alguma forma provocou isso no Brasil está gravemente sofrendo de problemas psicológicos e fisiológicos e por não fazer corretamente o dever de casa, acabou por disseminar essa pandemia nacional.

Diante disso a gente vai levando sem saber onde vai dar. Estamos as portas da troca de governo, querendo, torcendo, rezando que as mudanças aconteçam de verdade, que a maquiagem deixe de ser feita de maneira grosseira e ultrajante. Um país como o nosso com dimensões e riquezas sem fim, acaba literalmente vendido, nas mãos de meia dúzia ou um pouco mais de engravatados e um bom número de empresários espertos que nos vendem caixas vazias e transitam para cima e para baixo em aviões e jatinhos com suas cuecas e malas 007 cheias de dinheiro podre. Que falta faz por aqui um James Bond, um 007 de verdade, alguém muito mais real que a personagem criada pelo escritor Ian Fleming.

Enquanto isso, mais uma vez continuamos na fila de espera, na fila do emprego, da saúde, da educação, da segurança e em tantas outras que nos obrigam a sofrer muitas vezes calados, mas agora em outubro, vamos ficar em uma outra, essa certamente teremos que ter o prazer de enfrentar, que é aquela que nos colocará frente a frente com a urna, onde conscientes iremos depositar nosso voto, ansiando para que as mudanças possam acontecer de verdade, que não vivamos mais quatro anos de quatro, a ver navios, esperando a boa vontade que vem do Planalto Central ou melhor dizendo do Distrito Federal e suas sucursais.

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. O eleitor comum brasileiro faz muita procrastinação com as suas escolhas políticas. Vão deixando, vão deixando, vão deixando de pesquisar um bom candidato e chega na hora do voto joga qualquer bandido na urna.

  2. Meu filho está sem em ócio, não é que ele tem preguiça de estudar, ele está em ócio criativo, mas a professora não entende, ele não fica procrastinando o dever, simplesmente está em ócio, de acordo com ele,rsrs

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