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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A Nasa e a fenda gigante na Antártida

A Nasa e a fenda gigante na Antártida

Matéria publicada em 12 de janeiro de 2017, 07:10 horas

 


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O novo presidente dos Estados Unidos propôs que a agência espacial americana Nasa pare de observar o planeta Terra e se dedique exclusivamente ao espaço sideral. Enquanto isso não acontece, as câmeras da agência espacial continuam captando imagens fantásticas do nosso planeta. Como a gigantesca rachadura que se formou em um dos extremos da banquisa da Antártida. A rachadura no gelo tem 112 quilômetros de comprimento, 60 metros de largura e 500 metros de profundidade. Se continuar a aumentar ela vai separar uma placa de gelo com cinco mil quilômetros quadrados, criando um iceberg gigante.

A fenda descoberta pela Nasa é maior que aquela rachadura que quase engoliu o Dannis Quaid no filme de ficção “O Dia Depois de Amanhã.” A missão IceBridge usa um avião a jato DC-8 para sobrevoar o continente gelado, fotografando mudanças na crosta de gelo. Ao contrário do Ártico, que é um mar congelado, a Antártida é um continente coberto por camadas de gelo que chegam a mais de um quilômetro de espessura. E por isso são menos afetadas pelas mudanças no clima do planeta.

A fenda gigante fica em uma placa de gelo chamada Larsen C, que fica na península Antártica. Ela é vizinha de outra placa de gelo que se soltou e se desintegrou em 2002. Elas são as partes flutuantes de grandes geleiras, e acabam se derretendo, contribuindo para aumentar o nível dos oceanos. No século passado existiu um projeto para rebocar esses icebergs gigantes até os países do Oriente Médio, onde eles seriam fontes de água potável. Mas a tecnologia necessária para rebocar um bloco de gelo do tamanho do distrito federal só existe, por enquanto, na ficção científica.

No passado o gelo flutuante era uma grande ameaça à navegação. Foi um iceberg solto da banquisa do Ártico que afundou o transatlântico Titanic, no famoso naufrágio de 1912. A tragédia do Titanic aconteceu porque o capitão ignorou os avisos transmitidos por outros navios. O iceberg do Titanic era feito de gelo azul, que parece escuro durante a noite e é muito difícil de detectar.

Além disso, naquele tempo, no início do século XX, ainda não existia o radar e os navios dependiam da observação visual para localizar os grandes blocos de gelo flutuantes. Desde a instalação do radar em todos os navios não houve mais acidentes envolvendo icebergs. Eles são mais comuns hoje em dia devido ao rápido derretimento das geleiras. O oceano Ártico, que costumava ficar todo coberto de gelo, tem ficado descoberto, em sua maior parte, durante o verão. Isso altera a capacidade que tem nosso planeta de refletir a energia que vem do Sol. Já que um oceano congelado reflete muito mais luz do que o mar escuro.

O derretimento dos gelos polares tem sido um forte argumento para aqueles que defendem que o planeta está se aquecendo devido a ação humana. Eles calculam que o nível do mar vai aumentar, cobrindo as nações insulares do oceano Pacífico se não forem tomadas medidas para conter o aumento da temperatura.

A resistência das geleiras da Antártida sempre foi usada por aqueles que combatem a ideia do aquecimento global. Mas elas também estão mostrando sinais de mudanças, como a fenda detectada pelo avião da Nasa. O DC-8 foi um jato comercial muito usado no transporte de passageiros durante a década de 1960. Atualmente existem poucos ainda em uso e um deles é usado para sobrevoar a Antártida e fotografar as mudanças na capa de gelo.

A Operação IceBridge tem verbas suficientes para continuar até o ano de 2019. Os aviões partem de uma base em Punta Arenas, no Chile.

 

Profundidade: Rachadura tem meio quilômetro de profundidade

Profundidade: Rachadura tem meio quilômetro de profundidade

Panorâmica: A rachadura vista da janela do DC-8

Panorâmica: A rachadura vista da janela do DC-8

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

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