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A religião, o ataque islâmico e o Papa

Matéria publicada em 18 de abril de 2017, 07:10 horas

 


Ataques no Egito deixaram 45 mortos em igreja; além dos antigos ódios religiosos, há motivos políticos

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No Domingo de Ramos, dia 9 de abril, as igrejas cristãs estavam cheias no Egito, assim como em outras partes do mundo. No meio da liturgia um homem bomba do Estado Islâmico se aproximou do altar da igreja de São Jorge, em Tanta, no delta do Nilo, e detonou um cinturão de explosivos. A mistura de dinamite com parafusos matou todas as pessoas que estavam rezando nas primeiras fileiras. Minutos depois outro terrorista suicida tentou entrar na Catedral Ortodoxa de São Marcos, em Alexandria. Foi percebido pelos seguranças e se explodiu em frente a porta principal. Ao todo foram 45 mortos e 126 feridos.

Desde fevereiro que o estado islâmico anunciou que ia atacar os cristãos da minoria copta do Egito. Além dos antigos ódios religiosos, há motivos políticos. Já que os coptas apoiaram o golpe militar que destituiu o líder egípcio muçulmano. Na verdade política e religião se misturam naquela região com muçulmanos sunitas lutando contra xiitas e islâmicos radicais fazendo ataques contra cristãos. O Papa Francisco anunciou que vai ao Egito prestar solidariedade aos coptas, o que é uma decisão temerária. Na situação atual ninguém pode garantir a segurança do líder católico naquela região. O patriarca ortodoxo estava na catedral de São Marcos e escapou por pouco do atentado do dia 9.

Os 45 mortos do dia 9 se somam as milhões de pessoas que morreram assassinadas ao longo da história humana, porque acreditavam ou não em algum tipo de divindade. É um paradoxo já que a maioria das crenças religiosas fala em amor e solidariedade ao próximo. Enquanto seus adeptos continuam matando e mutilando. Ali mesmo, em Alexandria, no Egito, uma multidão de cristãos atacou a matemática Hipacia, arrancando a pobre mulher de sua carruagem para esfolá-la viva e esquartejá-la no ano 415. Eram seguidores de Jesus Cristo, que pregava o amor e a humildade. O líder cristão na época, o patriarca Cirilo, foi canonizado e virou santo.

Toda essa violência levou o filósofo romano Lucrécio a concluir que “toda religião nasce do medo e da ignorância”. Elas são um mal necessário, mas acabam sendo mais malignas do que necessárias.

Explicação?!

Os delírios religiosos da humanidade são fáceis de explicar, o problema é conviver com eles. Vejamos o que aconteceu com o cristianismo. Na época de Cristo havia muitos profetas e milagreiros no Oriente Médio e no resto do império romano. Um dos mais famosos foi Apolônio de Tiana, que também realizava curas e feitos inacreditáveis. Hoje, dois mil anos depois, ninguém se lembra de Apolônio de Tiana. Por quê? Porque ele simplesmente realizava seus milagres, mas não prometia nada. Já seu contemporâneo, Jesus Cristo, criou uma religião seguida por milhões de seres humanos, e é adorado e reverenciado até hoje, no século XXI.

O sucesso de Cristo aconteceu porque ele prometia a ressurreição e a vida eterna para seus adeptos. O homem é o único animal, aqui na Terra, que sabe que vai morrer. E a consciência de sua finitude, a certeza de que um dia retornará a não existência, deixa a mente humana paralisada de pavor. O que leva os seres humanos a buscarem todo o tipo de fé que prometa a imortalidade. Não existe religião de sucesso que não acene com a promessa de um paraíso aqui na Terra ou em outro lugar. O que varia é o método para chegar lá. O cristão acha que se for à missa e seguir os mandamentos da igreja viverá para sempre em algum paraíso mítico. O islâmico também pensa a mesma coisa. Os budistas sonham com a reencarnação em uma sucessão de vidas e por aí a fora.

Nada demais se fosse apenas um consolo. Uma fuga do medo da morte. O problema é que os seres humanos, que adoram deuses imaginários, ainda guardam muito da agressividade e dos instintos de seus antepassados primatas. O ódio ao outro, ao que é diferente ou que pensa diferente de nós. Hoje são os radicais islâmicos que matam em nome da fé. No passado foram os cristãos. E infelizmente toda essa história de mortes e atentados está longe de terminar.

Igreja: A catedral de Alexandria foi o segundo alvo

Igreja: A catedral de Alexandria foi o segundo alvo

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

7 comentários

  1. Péssimo artigo. sem fundamento algum e com várias informações puramente justificadas a partir do seu modo de pensar e quando for falar de religiões tem que estar embasado na história VERDADEIRA e não segundo a sua concepção. Sugiro o senhor ler sobre o Cristianismo em fontes seguras. Porque não é só isso não. Religião não se baseia somente em relações políticas não, é algo muito mais superior do que isso. E Jesus Cristo foi muito mais do que foi mencionado aqui, leia mais sobre ele EM FONTES SEGURAS E LEGÍTIMAS. Pois é muito fácil criticar quando se acompanha críticos do mesmo, que tal “ver o outro lado da moeda”?

    “O cristão acha que se for à missa e seguir os mandamentos da igreja viverá para sempre em algum paraíso mítico. O islâmico também pensa a mesma coisa”. Cristianismo e Islamismo são religiões TOTALMENTE DIVERSAS, impossível compara-las, Se compara é porque não conhece verdadeiramente sobre os mesmos com base em fontes seguras.

    “Hoje são os radicais islâmicos que matam em nome da fé. No passado foram os cristãos.”
    Como disse anteriormente não tem como comparar os islâmicos com os cristãos, possui princípios bem diferentes, é nítido a diferença ao comparar os livros sagrados (alcorão e a Bíblia sagrada) e em relação em matar pela fé, no caso dos muçulmanos eles precisam exterminar todos aqueles que são contrários a sua fé e no caso os cristãos foi diferente, eles estavam se defendendo.

    • O senhor criticou o artigo dizendo: Péssimo artigo, sem fundamento, sem conhecimento, sem embasamento, pois bem, quando o senhor escreve ” em relação em matar pela fé, no caso dos muçulmanos eles precisam exterminar todos aqueles que são contrários a sua fé e no caso os cristãos foi diferente”, eles estavam se defendendo”, o senhor é totalmente contraditório, preconceituoso e mostrando tão limitado raciocínio no qual deve estar embasado em verdades prontas.

      O senhor para dissertar sobre o Islamismo, c as acusações levianas e desrespeitosas, deveria no mínimo ler o alcorão, o livro sagrado jamais falou de vingança, ódio, extermínio, de quem não compactua c a sua fé, as religiões são seguidas por seres humanos, os quais um pequena parte destoa da maioria, então pelo q vejo o senhor, antes de criticar, e ser contraditório, deveria se alfabetizar funcionalmente, afim de afastar esse seu preconceito baseado em verdades prontas.

    • Não dá para comparar o Cristianismo de hoje com o Islã, mas o cristianismo de séculos atrás teve momentos de que ninguém se orgulha, para dizer o mínimo. No princípio do cristianismo então, nem se fala.

  2. Falta de crença não é crença. O artigo não ataca a religião em si, mas sim, o fanatismo e suas consequências danosas à humanidade. O fanatismo religioso e o político-ideológico são grandes males que ameaçam o futuro da humanidade e causaram centenas de milhões de mortes no passado. Basta lembrar as vítimas do terrorismo e também as dos genocídios perpetrados pelos regimes totalitários coletivistas do Século XX, os gêmeos esquerdistas Nazismo, Fascismo e Comunismo.

  3. Matéria interessante, penso que deus não criou o homem e sim o homem criou deus, para amenizar esta certeza da morte e explicar o que ‘ainda” não se sabe a resposta.

  4. E você? Qual sua crença? Tenho um palpite para sua resposta: você crê no MUNDO DA LUA. Fala sério!… Com esses seus artigos que saem de sua “zona de conforto”!!!

  5. Al Fatah o Cicutiano

    A religião é o poder persuasivo/dissuasivo, enquanto o Estado, com suas leis, é o poder ordenador/coercitivo… Todas as sociedades, em todas as eras, sempre tiveram seus deuses, então isso é intrínseco ao ser humano. Mesmo os ateus e agnósticos têm suas crenças, ou no mínimo passam a vida a contestar a dos outros. O misticismo não passa impune a ninguém…

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