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A versão paz e amor do ditador Kim Jong-un

Matéria publicada em 27 de março de 2018, 07:00 horas

 


Depois das ameaças de guerra, agora ele quer conversar; testes semanais com mísseis pararam, por enquanto

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O mundo anda mais tranquilo ultimamente. Há menos de seis meses o ditador norte-coreano Kim Jong-un e o presidente americano Donald Trump trocavam ameaças diariamente. Kim ameaçava reduzir os Estados Unidos a cinzas e chamava Trump de velho gagá. O presidente americano afirmava poder destruir completamente a Coreia do Norte e apelidou o coreano de “pequeno homem foguete”. Nada como um dia depois do outro. Depois das Olimpíadas de Inverno o ditador mudou o discurso. Mandou uma delegação para os jogos na vizinha Coreia do Sul e sinalizou que está disposto a conversar com Trump.
Os testes semanais com mísseis pararam, por enquanto. Fala-se de um encontro entre Trump e Kim Jong-Un no mês de maio, em local ainda não determinado. Poderia ser em Pequim, já que a China, antiga aliada da Coreia do Norte está interessada em reduzir as tensões na região. Uma nova guerra da Coreia seria muito ruim para o governo chinês, deslocando milhares de refugiados para suas fronteiras e ameaçando o livre comércio asiático com que sonha o presidente chinês Xi Jinping.
Trump não é tão bobo quanto se pensa. Ele já disse que quer resultados concretos antes de se sentar à mesa de negociações. A Coreia do Norte tem um longo histórico de acordos não cumpridos e determinações ignoradas. O pai de Kim Jong-Un usou seu programa nuclear para chantagear o ocidente inúmeras vezes. Ele concordava em cancelar o programa nuclear em troca de ajuda para seu país falido. Recebia o dinheiro e as doações de alimentos e depois reiniciava o programa.
Enquanto seus líderes gastam dinheiro com mísseis e bombas o povo da Coreia do Norte passa fome. Atualmente até a China está proibida de comerciar com a Coreia do Norte. A situação no país é tão grave que gerou o curioso fenômeno dos “barcos fantasmas”. Pescadores da Coreia do Norte se afastam da costa tentando pegar mais peixe, uma das principais fontes de proteína daquele país. Acabam sem combustível para voltar e morrem de sede em alto mar. Os barcos ficam vagando ao sabor das correntes marinhas, com seus tripulantes mortos e vão parar nas praias do Japão.
Kim Jong-Un sabe que não pode manter esse jogo indefinidamente. Se atacar o Japão ou os Estados Unidos será pulverizado. Se não fizer nada seu país entrará em colapso devido às sanções impostas pelas Nações Unidas. Daí a tentativa de conseguir um acordo com o velho gagá americano. A suspensão do programa de mísseis em troca do afrouxamento das sanções. Para que a Coreia do Norte possa pelo menos comerciar com a vizinha China.
O fato é que Kim Jong-Un poderia ter as duas coisas, o fim das sanções e um programa de mísseis, se fosse um pouquinho mais esperto. Não existe diferença alguma entre um míssil balístico nuclear e um foguete lançador de satélites. No lugar de ameaçar os Estados Unidos com um ataque nuclear Kim poderia anunciar que a Coreia estava investindo em um pacífico programa espacial. Construindo foguetes para lançar satélites artificiais com mensagens do ditador para o mundo.
Russos e americanos fizeram isso no século passado. O presidente Dwight Eisenhower gravou uma mensagem que foi irradiada do espaço pelo satélite Score. Que não passava de um míssil nuclear Atlas modificado. Em caso de ameaça é só substituir a carga útil do foguete e ele vira uma arma de guerra. Mas esperteza não é um traço comum dos ditadores.
Com a Coreia do Norte apaziguada a nova ameaça à paz mundial é o líder russo Vladimir Putin. Que anda anunciando um novo programa de armas de destruição em massa. Parece que a humanidade não evolui. O tempo passa e o homem macaco continua a brandir seu cajado e prometer a aniquilação de seus desafetos. É por isso que tem tanta gente querendo colonizar o espaço.

Score: O míssil disfarçado de satélite voou em 1958

Score: O míssil disfarçado de satélite voou em 1958

 

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

3 comentários

  1. O “maluco” Trump provou seu ponto: nunca ceder às chantagens de ditadores. O presidente dos EUA colocou o seu rival norte coreano no devido lugar. É o que ele fez? Teve que ceder e conversar!

  2. Já tem 65 anos que os cães pararam de se morder e ficaram só latindo esse tempo todo. Mas a Coréia do Sul não quer correr mais riscos, vai que o lado norte resolva “morrer atirando”, o que causaria imensos estragos no lado sul. Daí que começaram a pensar em paz e o Trump ficou esbravejando sozinho até aceitar uma conversa. Só que a indústria bélica americana, grande financiadora das campanhas eleitorais dos republicanos, não vai gostar do silêncio nas ameaças da Casa Branca (e vice versa), que geram fabricação de armas.

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