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A vida na contramão

Matéria publicada em 17 de dezembro de 2017, 07:00 horas

 


Popularidade de Pablo Vittar está baseada na visibilidade LGBT e na simpatia e fantasias do público heterossexual

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Os clipes de Pablo Vittar deixaram os espaços exclusivos do público LGBT e invadiram o chamado “mainstream” da música brasileira e internacional. Uma emissora de TV elegeu sua “KO” como música do ano, competindo com nomes como Anitta (“Paradinha”) e Ana Vilella (“Trem bala”). A escolha foi por voto popular, o que afasta a possibilidade de manipulação pela emissora.

Um dos motivos para esse sucesso talvez esteja em uma das frases da música “Todo dia”, do próprio Vittar: “Sabe que minha vida é na contramão”.

Viver na contramão é enfrentar as tradições, superar os preconceitos, vencer as limitações. E o público em geral gosta de pessoas que superam limitações.

Chiquinha Gonzaga chocou a sociedade da sua época ao se tornar maestrina. Machado de Assis, mestiço, conseguiu se impor numa sociedade que se achava branca.

Garrincha, o ponta-direita da seleção brasileira em meados do século passado, tinha pernas tortas, e o público adorava ver um sujeito que chegou a ser chamado de “aleijado” deixando zagueiros gringos sentados no chão. Cantores cegos, como Ray Charles ou Stevie Wonder, atraem mais simpatia, embora desses dois se possa dizer que fariam sucesso mesmo se tivessem visão de raios-x.

Então, ver uma drag queen – tipo de artista que geralmente se vê limitado a apresentações no circuito de boates gays – fazendo sucesso na maior rede de televisão do Brasil atrai a atenção e a simpatia das pessoas.

A fantasia sexual

Um dos atrativos das drag queens é sua natureza hermafrodita. São homens, genética e biologicamente falando, que se vestem de mulher e ficam atraentes até para os “héteros”, embora isso não seja admitido publicamente.

Aliás, há quem diga que todo mundo é bissexual, mas só algumas pessoas aproveitam isso. Se for verdade, os homens que reprimem uma atração inconsciente por travestis ou drag queens podem aliviar a tensão dessa convertendo a atração sexual escondida em votos.

E ainda dá pra dizer que quem critica essa escolha é preconceituoso…

Um meme que circula nas redes sociais apresenta um homem que diz que não achou nada demais no Pablo Vittar: “só aquela loira gostosa é que aparece no clipe”, diz.

Ao saber que a tal “loira gostosa” é Pablo Vittar, o cara se desespera: “Me masturbei pensando em homem!”, lamenta-se.

A verdade é que as drag queens, assim como os travestis, tendem a ser atraentes, mesmo para homens heterossexuais, pela sua natureza ambígua e misteriosa.

As críticas

E aí começam as críticas ao potencial vocal e à técnica de Viitar. O que ninguém percebe é que a importância dele transcende a qualidade de sua produção musical. Sua música dá voz ao segmento LGBT, que busca a aceitação no meio social e precisa de nomes de destaque. Pablo Vittar, com seus clipes, materializa o sonho de muitos gays de saírem dos guetos sociais e profissionais em que grande parte deles fica isolada.

Enquanto isso, o universo heterossexual começa a aceitar e a gostar da performance do artista. Não se trata de alguém que cante com a amplitude vocal de um Ney Matogrosso, ou com a técnica de uma Ana Carolina, mas, como música, é agradável de ouvir e dançável.

Embora os três competidores tenham ligações com o segmento LGBT (Ana Vilela é lésbica, enquanto Anitta é um dos ícones LGBT, apesar de ser heterossexual), um dos motivos de Vittar ter sido o vencedor em uma disputa decidida pelo voto popular foi o fato de ele representar tão claramente esse público.

Mas não foram os votos do segmento LGBT que deram a vitória a Pablo. Os heterossexuais também o escolheram, ou ele não teria vencido a disputa. E aí entram alguns fatores psicológicos que ajudam a explicar a opção do público.

A simpatia pelo mais fraco e o reconhecimento ‘lá fora’

Em qualquer disputa, o público tende a torcer pelo Davi que enfrenta Golias. Basta ver como as “zebras” ganham rapidamente a simpatia do público de futebol. No caso da disputa por melhor música do ano, Pablo Vittar era o recém-chegado, enquanto Anitta já é uma profissional consagrada e Ana Vilela começou a fazer sucesso antes do intérprete de “KO”.

Essa simpatia pelo supostamente mais fraco trouxe muitos votos, mas o fato de Vittar ter sido reconhecido no exterior também ajudou. Brasileiros tendem a achar que alguém que faz sucesso na Europa ou nos Estados Unidos é necessariamente muito bom.

Surpresa: Pablo Vittar supera Anitta e ganha prêmio pela música do ano (Foto: Divulgação)

Surpresa: Pablo Vittar supera Anitta e ganha prêmio pela música do ano (Foto: Divulgação)

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

31 comentários

  1. Podem ter certeza, devido ao grande ‘ talento ‘ dos citados, daqui a pouco estarão no ostracismo, chorando no programa da Sônia Abrão. São ‘ talentos ‘ efêmeros q quando não servirem mais aos seus patrões
    , serão descartados como as garrafas pet.
    Quem viver verá……..

  2. Por favor leiam outros textos do Jornalista. Se não gostou deste texto, tudo bem, agora querer desqualifica-lo é imperdoável..se esta puto com a politica ou qualquer outra coisa tudo bem ….agora querer descontar esse descontentamento em cima de um texto de cunho psicossocial é uma tremenda asneira, idiotice, babaquice mesmo, OBSERVE QUE O JORNALISTA APENAS CONTEXTUALIZOU UMA SITUAÇÃO. É triste ter que escrever par um povo mediocre, mal informado, preconceituoso, RAIVOSO, e quer falar mal de tudo e de todos…. Parabéns Paulo, avante….não se preocupe estamos no Brasil, onde opinião é artigo muito barato e todo mundo a tem…Esse povo não tem a menor noção do que é contextualização.

    • Ainda bem que vc não faz parte desse povo, tendo em vista a sua generalidade e a sua superioridade intelectual. Pela sua capacidade ,acima, e muito acima, da média do povo, vc poderia pleitear uma vaga no New York Post e, posteriormente, um cadeira na Universidade de Yale (USA). Não se misture c essa gentalha: Gentalha, gentalha,puuuuuuuffff

    • É isso aí, tiozão nervoso (sim, porque segundo os Cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais, o último ser batizado com o nome de “Valmir” no Brasil tem 66 anos).
      Só uma dica pro senhor: aprenda a acentuar as palavras (tente algum cursinho para a 3a idade), antes de qualificar as pessoas de medíocres. Pena que o senhor já está muito velho para aprender a respeitar opiniões divergentes.

  3. Então o jornalista explica Pablo Vittar comparando-o à Chiquinha Gonzaga, Garrincha, Ray Charles ou Stevie Wonder! Nada com o falido sistema educacional e o consequente despreparo intelectual do povo (responsável por eleições bizarras como esta). É por eles – ou a falta deles – que vemos lixos como este proliferar. E não se trata de preconceito. Falamos apenas de uma péssima música e de uma pessoa que simplesmente não sabe cantar. A falta de investimentos educacional e cultural faz surgirem pablos e paulos, o pseudo cantor e o pseudo jornalista. Musica e textos do mesmo nível. Deprimentes e deploráveis. Há antes que me critiquem, essa não é uma opinião homofóbica nem contra o “cantor”, nem contra o “colunista”.

    • Esse Jornalista Paulo moreira é um excelente delinquente intelectual, seguidor do politicamente correto para justificar o seu emprego……..mas também me faz lembrar a justa não necessidade de curso superior para ser jornalista.

  4. Isso aí minha gente, é CHUVA PASSAGEIRA. Daqui a dois ou no máximo três anos, ninguém, fala nessa coisa. Quem viver verá. O pior é que essa gente que aprecia isso, VOTA.

  5. الفتح - الوغد

    Nas ruas, um aleijado é mais notório que dezenas de passantes “normais”. Um anão comportado chama mais atenção que o bobão falastrão. A mulhomem (ou homulher) atrai olhares, seja de aprovação, seja de repúdio… Normal…

  6. Ele/Ela canta em falsete o que gera desafinações, se diz montada ou desmantada como se fosse uma égua e não um ser humano com a dignidade e distinção da espécie humana, como a maioria dos artistas que, como todo ser humano precisa de dinheiro, ela é uma delinquente intelectual, no mais é questão de gosto e eu, fico como se estives degustando um pudim de leite condensado enquanto pessoas preferem um bolo fecal

  7. Gente, nada contra Pablo Vittar, Anitta, Ana Vilella, e outras mais, o problema é que em 2018 temos eleições gerais, e é esta mesma turma que escolheu estas músicas que vai votar para deputados ( estaduais e federais), senadores, governadores e presidente, se bem que não tem jeito de escolher candidatos piores do que os que aí estão, ou tem?

  8. É só uma questão de mercado.
    Ou ninguém previu a ascensão de uma diva representante da justiça social que grita “fora Temer”?
    Justiça social VENDE.
    E é só isso que importa…afinal, será que essa suposta simpatia pelo suposto mais fraco realmente ajuda no diálogo entre conservadores e progressistas?
    Ou é essa justamente a força que converte Pablo Vittar em vendas?

    E realmente é uma pena que a Pablo cante tão mal…ela devia estudar/praticar mais.

  9. Bom, qualquer um que discorde dele ganhar não deve ter saído na rua este ano…
    A música dele foi o maior sucesso do carnaval e fez muito sucesso sim, bem como todos seus clipes no youtube… Com certeza o artista que mais cresceu em popularidade em 2017…
    Todo ano tem uma música merda chiclete… Ja teve lepo lepo, camaro amarelo, show das poderosas e por aí vai… Nenhuma delas foi agradavel aos ouvidos, mas não causou este reboliço… Agora as pessoas querem dizer que não tão reclamando por preconceito…
    Considerando que foi voto popular e o público seja gay, vcs nao fazem ideia do que o público lgbt faz para dar view para artista que gostam no YouTube… Da próxima vez é só votar em alguém que cante melhor
    Ata

  10. Eita assunto medíocre. Enquanto nossos políticos ( 99 % ) roubam a luz do dia, e fica por isso mesmo, estamos perdendo tempo com essas baboseiras. Francamente o BRASIL realmente acabou. Se eu fosse mais novo iria embora.

    • Turista de Mambucaba

      Pois é, quando falta preparo intelectual, domínio mínimo de um idioma estrangeiro e coragem para sair debaixo das saias da família, o jeito é morrer por aqui mesmo, monoglota e amargurado…

    • Aécio "A gente mata antes de delatar" Neves

      O aeroporto é logo ali, ué…

  11. O Pablo é vítima de preconceito SIM… já tivemos inúmeros lixos que cantavam muito mal, tipo Carla Pérez, Kelly Key, Anitta e cia, mas todos toleravam por que eram gostosonas. O Pablo é só mais um lixo que igualmente canta muito mal, talento zero, mas como é traveco aí ninguém alivia!

  12. A matéria é até medíocre, mas mesmo assim não traz nada de novo, e foi precipitado na motivação da vitória

  13. Esse papo lbgt é coisa que enfiaram na cabeça do brasileiro, o problema é a corrupção desenfreada, justiça comprada, impostos que são maiores que os salários, código penal de cem anos atrás, educação lixo, isso é o que interessa, agora ficam perdendo tempo com kit gay, ideologia de gênero etc… Vamos atacar os reais problemas.

  14. Não tem nada a ver “todo dia” ” sabe que minha vida e na contra mão” com o single “KO” são duas músicas diferentes.. tá muito mimimi em relação a Pablo saber cantar, ela cantava na primeira fase do programa “amor e sexo” e pelo que vi na midia vai continuar na segunda temporada do programa, porque será? Já que dizem que ela não canta nada? Deixando bem claro que sou hetero e não estou defendendo nenhuma classe distinta, mas no caso do prêmio foi o povo que a elegeu assim como elegeu Nayara Justino para ser Globelesa e depois caíram de pau dizendo que ela não servia para tal cargo…e como o próprio jornalista disse , voto do povo não tem como ser manipulado, então se foi a maioria da população que votou e ela está lá foi por mérito…

  15. namoral isso ai é culpa da ideologia de transgenicos nas escolas vlw

  16. Então… a sociedade é dinâmica e a cada dia o acelerador está mais pressionado. Certamente o pedal do freio já foi retirado, todavia a maioria vai levar ainda algum tempo para perceber isso.

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