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A volta das viagens supersônicas

Matéria publicada em 10 de abril de 2018, 07:00 horas

 


Nasa assina contrato com a Lockheed para desenvolver um SST supersônico

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Experimental: Avião começará a voar em 2022

Experimental: Avião começará a voar em 2022

Viajar de avião pode ser uma tortura, principalmente se a viagem for longa e o passageiro pegar um daqueles assentos da classe econômica. O problema não é só que os aviões atuais foram projetados para carregar o maior número de pessoas com o mínimo de custo. Eles são extremamente lentos para as distancias intercontinentais. Mas isso pode mudar. No início do mês a agência espacial americana Nasa assinou um contrato de 247 milhões de dólares com a empresa aeronáutica Lockheed-Martin para o desenvolvimento de um jato supersônico silencioso.
A missão da Lockheed-Martin será criar um avião experimental, para pesquisas, no sentido de reduzir o estrondo produzido quando um avião a jato rompe a barreira do som. Além do custo, foi o estrondo sônico que condenou os primeiros transportes supersônicos, criados na década de 1960. O mais famoso foi o Concorde, anglo-francês, que chegou a fazer a rota Paris-Rio de Janeiro na década de 1970. O estrondo sônico do Concorde fez com que a maioria dos países, proibissem voos sobre seus territórios. E o avião só pode voar sobre o oceano onde o barulho não incomodava ninguém. Na época os americanos projetaram um transporte supersônico bem maior do que o Concorde, o Boeing 2707, mas o projeto nunca foi concluído devido ao alto custo e a falta de uma solução para o problema do estrondo sônico.
A agência espacial americana vem estudando o problema há mais de uma década. Primeiro com modelos colocados dentro de túneis de vento. Agora os engenheiros aeroespaciais chegaram ao ponto de testar suas ideias num avião de verdade. E a Lockheed foi encarregada de construir esse avião.
Chamado de Low Boom Flight Demonstrator, que quer dizer Demonstrador de Voo com Baixo Estrondo, ele deve levar apenas um piloto de provas e voar em 2022. Os testes serão feitos na famosa Base Aérea de Edwards, na Califórnia, onde foram realizados os primeiros testes com aeronaves militares supersônicas na década de 1940. O centro de testes hoje se chama Neil Armstrong, em homenagem ao piloto de aviões foguete que se tornou o primeiro homem a pisar na Lua em 1969.
O projeto tem o apoio do presidente Donald Trump que garantiu seu financiamento, dentro do orçamento federal, para todo o ano de 2019. Assim que o avião, conhecido pela sigla LBFD ficar pronto ele fará testes, voando sobre algumas cidades americanas e a população será entrevistada para dar sua opinião sobre o nível de ruído. A ideia é que o LBFD produza um ruído semelhante a uma batida ou estalo leve, que nem será percebido pelas pessoas que estiverem dentro de casa.
Se tudo correr bem com os testes, na década de 2020, o conhecimento será passado para as empresas do setor aeronáutico. Para que usem a tecnologia na construção de novos aviões de passageiros. Um avião supersônico reduziria as 12 horas de viagem entre a América e a Europa para seis ou sete horas, caso viaje a Mach 2, ou duas vezes a velocidade do Som. Uma viagem para o Japão ou a Austrália, que dura 24 horas nos jatos subsônicos atuais, não passaria de 12 horas de duração.
No ano passado o empresário Elon Musk anunciou seu projeto de criar uma frota de foguetes, para transportar pessoas entre a América e a Ásia em 40 minutos de voo. O problema é a poluição que esses foguetes provocariam, além do barulho, muito maior que o de um simples avião supersônico. É por isso que o projeto da Nasa é mais fácil de ser implementado do que o do foguete suborbital.

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

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