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Ano novo, velhas notícias

Matéria publicada em 10 de janeiro de 2017, 07:00 horas

 


Trump leva o mundo de volta ao início do governo George Bush; 2017 já começou parecendo um filme antigo

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A humanidade vive agarrada a crenças ingênuas como náufragos segurando uma tábua para flutuar. Uma dessas ideias infantis é de que tudo vai melhorar só porque o calendário mudou. No “ano novo” tudo será diferente, e melhor do que no ano passado. Doce ilusão. Na verdade 2017 já começou parecendo um filme antigo, que vamos ver de novo. Donald Trump, o novo presidente dos Estados Unidos, afirma que o aquecimento global é “uma invenção dos chineses” e promete vetar todos os estudos sobre o assunto. O que levou os climatologistas americanos a uma corrida contra o tempo, para salvar suas pesquisas antes que o novo presidente tome posse.

Ou seja, estamos de volta ao início do século XXI, uma década e meia atrás, quando tomou posse o presidente George W. Bush. Bush também não acreditava no aquecimento global e entrou na Casa Branca em 2001, decidido a proibir todas as pesquisas sobre o assunto. Cientista que falasse em aquecimento global não podia trabalhar para o governo nem receber financiamento do Tio Sam. Na época o cineasta Roland Emmerich fez um filme catástrofe exagerando os efeitos do aquecimento global – “O Dia Depois de Amanhã”. E colocou várias entrevistas com os cientistas silenciados pelo governo no DVD do filme.

A mãe natureza se encarregou de mudar a situação. Em agosto de 2005 o furacão Katrina arrasou com a cidade de Nova Orleans. Uma das tormentas mais violentas da história, o Katrina matou 1.245 pessoas e causou um prejuízo de 108 bilhões de dólares. Ventos de 280 quilômetros horários e ondas gigantes destruíram instalações da indústria petrolífera no Golfo do México, arrancando oleodutos do fundo do oceano. Criticado pela resposta lenta diante da catástrofe, Bush mudou de opinião e passou a apoiar os estudos sobre a mudança climática e o aquecimento do planeta. Até a Nasa, a agência nacional de aeronáutica e espaço, passou a usar seus satélites de observação da Terra para monitorar o degelo no Ártico e na Antártida.

Reverter

A ideia de que Donald Trump vai reverter tudo isso é outra ingenuidade. A natureza não está nem aí para o presidente dos Estados Unidos. E as tempestades violentas vão continuar acontecendo.

Na verdade o aquecimento global nunca foi uma invenção dos chineses. Os primeiros alertas sobre o tema vieram de pesquisadores europeus, na penúltima década de século passado. Na conferência do clima do Rio de Janeiro, em 1992, os cientistas já alertavam sobre o aumento de temperaturas, o degelo do ártico, as tempestades violentas. Coisas que acabaram acontecendo mesmo, uma década depois. Trump vai ser presidente dos Estados Unidos por um período de quatro anos, o que é muito pouco tempo. Suas chances de reeleição são mínimas. Na verdade ele só ganhou este primeiro mandato devido as esquisitices do sistema eleitoral americano. Onde o voto dos delegados dos partidos é mais importante do que o voto da população. Se dependesse do povo americano, Hillary Clinton seria a presidente.

Mesmo que as pesquisas sobre o clima sejam interrompidas nos Estados Unidos, por quatro anos, elas vão continuar sendo feitas na Europa e na Ásia. Na verdade as nações que cercam o oceano Pacífico são as mais interessadas pelo assunto. Já que muitas ilhas correm o risco de desaparecer devido a elevação do nível das águas.

Trump inicia seu governo com níveis altíssimos de impopularidade. Que deve aumentar ainda mais se os Estados Unidos sofrerem outro desastre climático como o Katrina. O que é altamente provável. Até aqui no Brasil, bem longe do corredor dos furacões, o tempo anda bastante esquisito. Com um mar anormalmente quente e trombas d’água que eram fenômenos típicos do Caribe.

E nem o homem mais poderoso do mundo pode reverter isso.

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Escreve sobre a teoria do RH negativo provenientes de extra terrestre e os iluminati

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