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Ano novo, vida nova… Será?

Matéria publicada em 4 de janeiro de 2017, 07:00 horas

 


Em todas as esferas o setor da cultura sofreu muito com cortes e mudanças

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Diante do atual contexto econômico e das dívidas acumuladas pelos gestores anteriores, muitos governantes optam pelo mesmo caminho: extinguir secretarias, cargos e diminuir salários. Foi possível analisar que em todas as esferas um setor sofreu muito com esses cortes e mudanças: a Cultura.

Primeiramente o Ministério da Cultura – MINC, criado em 1985, durante o governo de José Sarney, que havia deixado claro que, com a expansão da rede escolar e universitária, o desenvolvimento da cultura brasileira havia deixado o Ministério da Educação “incapaz de cumprir, simultaneamente, as exigências dos dois campos de sua competência”, não podendo o país existir sem uma política nacional de cultura, deixaria de ser Ministério e passaria a ser Secretaria. Uma grande repercussão aconteceu (#FICAMINC), prédios culturais federais ocupados, e o Ministério ficou.

Depois foi possível identificar um desejo do Governo do Estado pela extinção da Secretaria de Cultura – SEC que passaria a ser uma sub-secretaria da pasta de Educação. Novamente, os artistas se uniram em prol do #FICASEC, e a SEC ficou.

Mas, o que realmente estava em jogo diante de todo esse cenário político? O que eles precisavam ver? Precisavam entender a força dos artistas? Ou simplesmente estavam tirando a atenção das esferas maiores e minando as esferas menores?

As perguntas ainda reverberam e não são respondidas com a mesma lucidez com que as Secretarias de Cultura dos municípios vão perdendo o espaço e se tornando sub de outras como Educação, Patrimônio, Esporte e Lazer… E diferente da esfera federal e estadual, nos municípios os grupos e entidades culturais acabam fadados a “boa vontade” dos órgãos públicos para existir, e mesmo os que tentam se posicionar, buscando o diálogo em prol dessa política pública para a cultura, são considerados inimigos políticos, a famosa oposição. Oposição de quem cara pálida? Por que ser chamado de oposição se houve a tentativa do diálogo?

Sendo forçados a se calar esses artistas passam apenas a INSISTIR, ora pela migalha, ora pelo “sim senhor, não senhor”, até que se cumpra, talvez, o desejo do governo, que é o de não dar força para o movimento cultural, não dar voz para os oprimidos, não fazê-los agir, não mais fazer da cultura o calo no pé do governo.

É bem verdade que o status de ministério ou de secretaria, por si só, não é central na garantia de verbas para o setor, mas deve ser considerado um setor estratégico do ponto de vista da identidade nacional e do desenvolvimento econômico, deve ser preservada como as fronteiras físicas do país, sendo um elemento necessário para um projeto moderno de desenvolvimento do local.

Fusão

A fusão muita das vezes tem mais impacto simbólico do que financeiro em termos orçamentários, e a “falsa ilusão” de contenção de gastos faz com que a Cultura perca o seu lugar de fala e, consequentemente, força para defender uma política orçamentária, estrutural e de ações públicas para o setor.

Para muitos uma economia, para outros um retrocesso, o que então nos reserva o ano que inicialmente serviria para deixar os problemas passados para trás?     É preciso RESISTIR, pois INSISTIR um dia cansa. É nítido que um lugar que despreza sua cultura será sempre mais colonizado e dependente, do que autônomo e presente. Então, cultura vamos aceitar o novo traje, e como fomos rebaixados sejamos os sapatos, pois é preciso lembrar que cada um sabe onde o sapato lhe aperta.

Que seja um ano lindo! Feliz 2017!

 

JOÃO VITOR MONTEIRO NOVAES  | joao.vitor@diariodovale.com.br

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