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Armageddon 2135: A ameaça do asteroide Bennu

Matéria publicada em 29 de março de 2018, 07:00 horas

 


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O governo norte-americano anunciou na semana passada um novo sistema de defesa contra asteroides. É o míssil HAMMER – iniciais em inglês de Missão de Anulação de Asteroide em Resposta de Emergência. O projeto foi elaborado com base na possibilidade do asteroide Bennu, de 500 metros de diâmetro, colidir com a Terra no dia 21 de setembro do ano de 2135, mas pode ser usado bem antes disso, se outro asteroide, de tamanho semelhante, ameaçar colidir com o nosso planeta.
Bennu é o objetivo da missão Osiris-Rex, que foi lançada ao espaço em setembro de 2016. O objetivo da sonda robô é coletar mais dados sobre a consistência e composição do asteroide. Com 500 metros de diâmetro Bennu é um asteroide pequeno, mas poderia destruir uma cidade e arrasar regiões densamente povoadas como a Europa ou o leste dos Estados Unidos. Outros asteroides de tamanhos diversos, maiores ou menores do que Bennu, cruzam regularmente a órbita do nosso planeta. Daí a necessidade de um sistema de defesa.
O projeto HAMMER será apresentado em maio, durante uma conferência internacional sobre pesquisa de asteroides. Mas os dados básicos já foram publicados na revista Acta Astronautica.
A pesquisa, até então secreta, envolveu a agencia espacial americana Nasa, a Agência Nacional de Segurança Nuclear e o Laboratório de Los Alamos.
HAMMER (que significa martelo em inglês) será um míssil com ogiva de oito toneladas métricas. Se um asteroide perigoso for detectado com suficiente antecedência uma frota de foguetes será disparada ao seu encontro. Nesse caso os mísseis não usarão ogiva explosiva e a simples energia cinética de seu impacto será suficiente para empurrar o asteroide para fora de sua orbita de colisão com a Terra.
Mas se a ameaça for percebida com poucas semanas de antecedência será preciso usar uma bomba nuclear. Nesse caso os mísseis seriam equipados com ogivas nucleares suficientemente potentes para despedaçar o asteroide, transformando a montanha celeste numa chuva de partículas pequenas. Como foi mostrado no filme “Armagedom” de 1978, estrelado pelo Bruce Willis.
A ideia não é nova. Em 1967 o professor Paul Sandorff, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, pediu aos seus alunos que criassem um sistema para proteger a Terra de um impacto do asteroide Ícaro, que se aproxima regularmente do nosso planeta. Ícaro é bem maior do que Bennu, tem 1,4 quilômetros de largura e seu impacto poderia arrasar o planeta inteiro. Os estudantes de graduação trabalharam na base de um alerta de 14 meses entre a detecção do asteroide em curso de colisão e o impacto com a Terra.
Os estudantes projetaram uma frota de foguetes Saturno 5 equipados com ogivas nucleares de 100 megatons. Essa é a potência da maior bomba de hidrogênio já explodida, a chamada “bomba do Tsar”, testada pela União Soviética em 1961. O estudo foi publicado como “Projeto Ícarus” e serviu de base para o filme de ficção científica “Meteoro”, de 1979.
Existem outros métodos menos drásticos de se lidar com asteroides perigosos. Alguns pesquisadores já sugeriram usar velas refletoras de luz para desviar o asteroide. Outros falam em pintar um dos lados da rocha celeste para que ela absorva mais calor do Sol e seja desviada.
O problema é que não conhecemos as órbitas de todos os asteroides potencialmente perigosos. Novos asteroides são descobertos todos os meses. Cometas de longo período também podem arrasar com o nosso planeta em caso de colisão. E eles são mais difíceis de detectar do que asteroides. Uma defesa efetiva só será possível quando tivermos uma frota de naves pronta para ser lançada no momento em que a ameaça for localizada.

 

Meteoro: Filme de 1979 previu o projeto HAMMER

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Os meteoros são uma ameaça real à segurança da Terra. Se a humanidade não quiser ser extinta por eles no futuro, uma arma real terá que ser desenvolvida. Talvez a Rússia, China e os EUA poderão desta forma dar uma utilidade para todos os seus centenas de milhares mísseis nucleares.

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