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As bobagens partidárias na internet

Matéria publicada em 14 de janeiro de 2018, 07:00 horas

 


Praticamente a totalidade dos discursos políticos de ativistas nas redes sociais carece de fundamentos e se baseia na emoção

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As redes sociais, que já andam carregadas de discursos ideológicos, vão se tornar um verdadeiro festival de conteúdo político nos próximos meses. O problema é que de cada cem postagens que falam de política, no máximo uma ou duas terá algum conteúdo que se aproveite. Isso porque os discursos dos internautas refletem uma constatação que já circula há alguns anos pela rede mundial de computadores: “o brasileiro fala de futebol com a seriedade de quem discute política e discute política com a paixão de quem fala de futebol”.

Ler posts políticos nas redes sociais de nada vai adiantar para o eleitor votar de forma mais consciente. A maior parte dos debates políticos na internet é tão inútil quanto uma discussão entre torcedores fanáticos.

É um jogo de cartas marcadas, em que cada um entra com uma posição já formada e com o único objetivo de desqualificar o adversário.

Para qualquer internauta que não seja militante e que tenha um mínimo de conhecimento sobre política, história e economia, esses confrontos ideológicos são perda de tempo.

Para os militantes e para os candidatos e partidos que eles apoiam, contudo, esse festival de besteira dito, compartilhado, retuitado e curtido incansavelmente tem sua utilidade.

Isso acontece exatamente porque o eleitor brasileiro indeciso não vai ser convencido a votar em alguém pela coerência das propostas ou porque elas estejam de acordo com suas ideias; aliás, a maioria dos eleitores está bem longe de ter qualquer coisa que possa ser remotamente parecida com uma ideia, quando se trata dos rumos do país.

O grosso do eleitorado gasta mais tempo e energia para escolher o sabor de pizza que vai levar pra casa no sábado à noite do que para decidir em quem vai votar para governar o país durante quatro anos. Eles vão decidir com base no que virem na propaganda eleitoral na TV ou do que se lembrarem dos posts mais engraçados ou chocantes que virem nas redes sociais.

Previsão: Maioria dos eleitores não liga para política e vai fazer na urna o que o gato faz na caixa de areia (Foto: Arquivo)

Previsão: Maioria dos eleitores não liga para política e vai fazer na urna o que o gato faz na caixa de areia (Foto: Arquivo)

O voto facultativo

Votar é um direito. Quando a lei brasileira o transformou em obrigação, com a terrível punição de uma multa de pouco mais de R$ 3 para quem não a cumpre, criou um monstro: o eleitor a contragosto. Esse ser humano não gosta de política, não sabe a diferença entre Congresso Nacional e Assembleia Legislativa e não tem a menor ideia de em quem votar e por que votar.

Quando ele vai à zona eleitoral e anula o voto ou vota em branco, pelo menos está deixando claro que não quer decidir nada e que deixa por conta dos outros o futuro do país. É um direito dele.

O problema acontece quando esse sujeito resolve votar em alguém e pega qualquer santinho oferecido por um infeliz que está fazendo boca de urna e se arriscando a passar o dia no xilindró por causa de uma merreca qualquer. Ele também pode ir para o local de votação vendo as redes sociais no celular e se decidir com base no que um militante virtual qualquer escreveu.

Esse infeliz vai à urna eletrônica e ajuda a colocar no poder gente que vai assumir o poder para roubar, por ser mal intencionada, ou que vai ficar mais perdida que cego em tiroteio, por ser tão ignorante quanto seus eleitores.

Na grande maioria das democracias dignas do nome, o voto é facultativo. Se o cidadão não politizado não quiser votar, poderá ir à praia, à piscina, ao futebol, à casa da sogra ou ao raio que o parta.

Nas democracias onde vota quem quer, só vai às urnas o cidadão que está interessado em contribuir para que o país avance. E geralmente esse cara tem uma boa noção de quem são os candidatos, o que eles propõem e sabe avaliar tudo isso.

Resultado: o governo de onde há voto facultativo tem realmente a cara dos seus eleitores, e reflete o que as pessoas que pensam estão achando no momento, não o que os analfabetos políticos jogaram lá porque não sabiam direito o que fazer.

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br


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22 comentários

  1. Muito boa matéria Paulo. Esclarecedora. O povo precisa primeiro aprender as atribuições de cada função, para depois ouvir as propostas dos candidatos. Importante, a formação pessoal, profissional e de como ele é visto pela sociedade são fatores que deveriam ser levados em conta na hora de votar. Na minha opinião, para a cadeira ode parlamentar, no mínimo deveria ter um terceiro grau e de direito. Caso contrário, como poderia criar leis, vota-las e fiscalizar o executivo. Eu e minha família escolhemos nosso candidato. Ele é Vereador de primeiro mandato em Volta Redonda, jovem sério e competente. É o destaque da nova safra de políticos.

  2. Lula 2018!!!!!!

  3. E por essas e outras que eu voto nulo ! sem esse papo,seu voto vai mudar o Brasil.Quem tem de mudar são os nossos políticos,que só legislam em causa própria,ou seja: ganhar dinheiro nas costas do povo.

  4. Como que discussão pelas redes sociais é inútil? Ao contrário.

    Veja o que aconteceu nas cidades próximas a VR onde os eleitores não se importam tanto com a política e com a politicagem, talvez por estarem nas roças. Vejam quantos prefeitos, deputados e vereadores eleitos pelo PMDB e outros partidos de bandidos em 2014 e em 2016.

    Veja o que aconteceu em VR onde o clima é quente nas discussões: sepultamos o PMDB, o PT, o PSDB e PCdoB em apenas 02 eleições. Albertassi (agora preso) e Serfiótis receberam mais votos fora de VR do que aqui.

  5. liberdade e propriedade

    Gostei da frase entre aspas. No entanto a política deveria ser algo bem mais enxuto e cartesiano onde não houvesse margem para idéias e mirabolantes, sendo assim, ninguém iria ficar discutindo política impondo suas paixões.

  6. PRIMEIRA VEZ QUE ESSE COXINHA ESCREVE ALGO CORRETO… PARABÉNS COXINHA!!!!!!

    • Quem vota nulo não vota contra os bandidos.

      Quem paga multa contribui muito mais com os bandidos, pois a sua multa vai para o Fundo partidário que será distribuído proporcionalmente a começar pelos grandes partidos (PMDB).

      Um bandido PODE GANHAR ou não a eleição com o seu voto. Vários bandidos de vários partidos GANHAM A ELEIÇÃO com a sua multa.

  7. Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

    Ilustrou muito bem o que efetivamente vemos no dia a dia, inclusive aqui mesmo nos comentários do DV… Eu só leio e respondo como se estivesse numa atividade de recreio…

  8. Internem esse “guto”, com urgência. Depois que o Temer mandou fechar a Farmácia Popular onde ele pegava seu kit tarja-preta, o bicho tá surtando cada vez mais.

  9. Falar de política só é legal qnd a conversa é imparcial!!!!

  10. TodocoxinhamaaCrisBrasil

    Esse coxinha aí deve ser muito ignorante ou fumou um baseado para escrever essas bobagens aí : dizer que o Aécio é corrupto por causa do Lula; dizer que o almofadinha Dória faz um grande governo em São Paulo ( as enchentes mostram um governo omisso e incompetente); e por último não ter discernimento para perceber que o outro leitor que disse que ia votar no Aécio estava sendo irônico. De fato, a maioria dos internautas como esse coxinha aí não tem discernimento para distinguir boatos de verdades na rede, não consegue filtBo brasil é comandado por golpistas, corruptos e lesa pátrias.

  11. Depois do Regime Militar, também chamado de Ditadura por alguns, só ELEGEMOS porcaria. Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma e por tabela Temer. Um dia aprenderemos a votar. Como disse o articulista, o tal voto obrigatório, dá nisso. O eleitor vai obrigado e vota em qualquer um, ou no candidato que lhe ” dá algum ” . Acho absurdo também a quantidade de PARTIDOS ( A indústria de partidos no Brasil é lucrativa). Mas um dia chegaremos lá, pois é, ERRANDO QUE SE APRENDE.

    • Os homens eleitos pelo voto, que denominamos de “políticos” não vem de Marte, são o reflexo da nossa população…
      os bem intencionados geralmente não querem se envolver, sai caro!! e quem quer gastar pra fazer pelos outros?… esse meu comentário daria um texto muito grande se eu fosse continuar… bom dia!

  12. Mineirinho do Helicoca

    Já dizia vovô Tancredo, política é igual a nuvem, vc olha está de um jeito, olha depois de um minuto e já está de outro.
    Tínhamos o discurso me apoiando: “A culpa não é minha eu votei no Aécio”. Pararam com isso e agora é “É tudo farinha do mesmo saco”.
    Vejam agora os fãs do bolsonaro. Diziam “Este não é corrupto”. As recentes falcatruas provadas contra ele já fizeram mudar o discurso pra “Pelo menos ele não é tão corrupto como os outros”. Próximo passo: “Ah, bolsomito é corrupto mas não é comunista”.

  13. Coxinha inteligente defensor da moral e dos bons costumes

    Agora que completei idade pra votar, vou de Aécio/Aloysio de novo! Ou quem sabe Aécio/Bolsonaro. Já estou juntando dinheiro pra comprar minha camisa da CBF no camelô e pegar umas panelas da minha mãe.
    #Aecio2018, abaixo a corrupção!

    • Joesley Batista ficou bilionário com o dinheiro que Lula deu para ele, através do BNDES, e assim Joesley que tinha um frigorífico em Minas criou a Friboi, e Joesley comprou com o dinheiro sujo do Lula vários parlamentares, e também comprou Aécio Neves!
      Logo, você que completou a idade para votar deve pesquisar melhor em quem vai votar, pois Aécio também é corrupto e penso que ele não vai concorrer nem para Senador quanto menos para Presidente…. Você “Coxinha inteligente” deveria votar em gente honesta, que tem uma agenda de sucesso como governante, logo você deveria votar no Dória, por exemplo, que está fazendo uma excelente gestão na cidade de São Paulo, enquanto o último prefeito do PT que tentou se reeleger para a prefeitura e perdeu feio, deixou a cidade de São Paulo com poucos votos no segundo turno…

  14. Eu já escolhi o meu candidato. Lula na papuda.

  15. O que se constata, nas redes sociais, sites de jornais e internet como um todo, é que o brasileiro médio mal sabe usar o idioma e filtrar informações de credibilidade no oceano de “fake news”: recebe uma “denúncia” no WhatsApp e sai compartilhando a “notícia” feito lavadeira em beira de rio; e com a convicção e a autoridade de um Ph.D. em Ciência Política pela Unicamp.

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