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Astrônomos encontram nova terra em Ross 128

Matéria publicada em 23 de novembro de 2017, 07:15 horas

 


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Os astrônomos continuam suas buscas por um mundo semelhante a Terra. Semana passada uma nova descoberta foi detalhada na revista Astronomy & Astrophysics. Um novo planeta com 1,35 vezes a massa da Terra, que orbita a estrela Ross 128. Um sol vermelho anão que fica há 11 anos-luz de distância do nosso sistema solar. Ainda é um bocado longe para a tecnologia atual, mas fica dentro do alcance dos veleiros espaciais impulsionados por raios laser que estão sendo desenvolvidos dentro do projeto Breakthrough Starshot.

Também existe um planeta quase do tamanho da Terra orbitando Proxima Centauri, que é a estrela mais próxima do nosso sistema solar, há 4,5 anos-luz. Todavia, Proxima Centauri é uma estrela turbulenta, que produz explosões de radiação conhecidas como flares. A radiação dessas explosões faz de Proxima b um planeta muito perigoso para se viver. E tornam improvável a existência de vida neste mundo, mesmo que ele tenha água e atmosfera semelhantes a nossa.

Já Ross 128 é uma estrela pacífica, sem descargas de radiação e a vida tem mais chances de existir no pequeno planeta Ross 128 b. A descoberta foi feita pela equipe europeia do observatório de La Silla, que fica nos Andes Chilenos. Eles usaram o equipamento HARPS, iniciais de Pesquisador Planetário de Velocidade Radial de Alta Precisão, o qual, como diz o nome, usa o método de detecção por velocidade radial. Ele mede as oscilações que a gravidade dos planetas provoca no movimento das estrelas.

O chefe da pesquisa foi Xavier Bonfils, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, nos Alpes Franceses. Ele explica que o Ross 128 b fica na zona habitável, onde pode existir água líquida e a temperatura não é muito elevada. O que o torna um local potencial para a existência de vida como a conhecemos.

Desde que esse tipo de pesquisa começou, na década passada, os astrônomos já descobriram milhares de planetas orbitando sois distantes. Muitos são gigantes gasosos, como Júpiter, e quentes ou frios demais para a existência de vida. Outros são mundos de rocha e metal como a Terra onde algum tipo de biologia pode ter se desenvolvido ao longo dos milênios.

Apesar dos sonhos dos escritores de ficção científica e de filmes como Jornada e Guerra nas Estrelas ainda não encontramos sinais de vida inteligente no Universo. O que nos leva ao famoso Paradoxo de Fermi, criado pelo físico italiano Enrico Fermi. Ele criou esse paradoxo há décadas ao fazer a pergunta: “Se existe vida inteligente lá fora, onde estão eles, por que ainda não apareceram aqui?”.

Há muitas respostas a essa pergunta. Uma delas é de somos a primeira forma de vida inteligente a surgir em nossa galáxia, a Via Láctea. Outra hipótese é de que as civilizações semelhantes a nossa estariam condenadas a autodestruição. Através de guerras ou da degradação do meio ambiente de seus planetas. Também é possível que exista vida inteligente lá fora que prefere se manter discreta, e nos observar de longe, sem fazer contato.

Afinal, os seres humanos são uma espécie perigosa e extremamente agressiva. E alienígenas realmente inteligentes iam preferir se manter longe de nós. No mês passado os astrônomos detectaram a passagem de um objeto interestelar pelo nosso sistema solar. Ele já ganhou um nome, é o Oumuamua. O nome é do idioma do Havaí e significa “mensageiro de longe que chegou primeiro”. Oumuamua pode ser um simples asteroide, que se desprendeu de outro sistema estelar. Mas uma civilização alienígena poderia enviar uma sonda para nos observar, seguindo uma órbita hiperbólica semelhante.

Na próxima década, com os novos telescópios espaciais como o James Webb, da Nasa, poderemos aprender um pouco mais sobre essas terras distantes.

Pacífico: Ross 128 b e seu pálido sol vermelho

Pacífico: Ross 128 b e seu pálido sol vermelho

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. Muito boa a matéria. A descoberta de qualquer planeta localizado na zona habitável de alguma estrela é muito excitante, pois mesmo que ele seja muito grande ainda sim pode ter luas habitáveis, como Pandora do filme Avatar.

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