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Beleza exterior não põe mesa

Matéria publicada em 21 de abril de 2017, 07:10 horas

 


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Reza a lenda que beleza não põe mesa, mas é fato que muitos homens e mulheres vivem quase que ininterruptamente no afã de achar a fórmula ou seria a saída para algo que “melhore” o corpo, o exterior dos cabelos a ponta dos pés.

Quem não deseja fazer uso de um santo botox que leve ao Nirvana da juventude ou se ainda estivermos nela, que ela seja mantida a qualquer preço. Haja vista, muitos foram os que correram atrás da beleza e ficaram pelo caminho, como algumas Barbies e Quems da vida. Tem aquelas pessoas que fizeram construções e amputações em seus corpos para dar um upgrade total, vide a cantora Cher que hoje aos 70 anos tem um registro de inúmeras cirurgias plásticas, tendo sido considerada na década de 1990, a Garota Cirurgia Plástica.

No Brasil a líder nesse quesito é Ângela Bismarchi, a modelo, que era casada com um cirurgião plástico, fez mais de 50 procedimentos cirúrgicos ao longo da vida. Além de colocar implantes de silicone nos seios e no bumbum, a loira também passou por cirurgia íntima, lipoescultura, rinoplastia, aumento dos lábios, correção de pálpebras, entre outros. Outra que entrou na faca para melhorar sua aparência, mas não teve um resultado lá muito bom, foi a dublê de cantora, Gretchen. Aos 57 anos, ela diz ter perdido as contas de quantas plásticas já fez na vida. Acredita que já passou pelo bisturi pelo menos umas 20 vezes para turbinar seios, braço, nariz, barriga e lábios.

Portanto, quando bate a síndrome de Vanusa, que cantou: “Hoje eu vou mudar / Vasculhar minhas gavetas / Jogar fora sentimentos / E ressentimentos tolos. / Fazer limpeza no armário / Retirar traças e teias / E angústias da minha mente…”, esse é momento de fazer uma limpeza no corpo, mas sobretudo na alma. Revirar e organizar gavetas, armários, onde houver coisas guardadas dentro ou fora de nós, isso serve para mulheres e homens, nada de machismo, vendendo a ideia de que mudança radical só mulher quem faz. Isso ficou lá atrás há pelos menos 50 anos.

Quando brinco e falo do botox, a famosa toxina botulínica que é utilizada na dermatologia para a correção das rugas, como os pés de galinha e outros, ou ainda o detox que é uma dieta desintoxicante que oferece uma limpeza total de maneira que o corpo se sinta mais leve e saudável. Uma dieta basicamente constituída para uma mudança alimentar onde se faz uso da ingestão de alimentos que possuam, além componentes saudáveis, também rígidos controles de toxinas e eliminação de produtos que ficam arraigados em nosso interior e que fazem com que, a longo prazo, o corpo passe a acumular gordura. Na verdade nada disso, botox, detox, plástica, dieta ou seja lá o que já tenha sido inventado ou se esteja inventando, não terá nenhum efeito positivo se não buscarmos nos conhecer melhor, se não soubermos empreender respeito e amor ao próximo, o próximo mesmo, aquela pessoa que está ao nosso lado no dia a dia.

Verdadeira beleza

Viver é melhor que sonhar. Imaginar-se em um corpo lindo e saudável mas com uma mente poluída por todo o tipo de impureza não vai funcionar. Se somarmos estas mudanças que o marketing nos impõe, mas não colocarmos aliado a esta fórmula algo que nos permita crescer como seres humanos, o resultado vai ser quase que imperceptível, só vai chegar até a casca, nunca ao interior.

É muito bom quando conseguimos partilhar com o outro o sorriso com ou sem rugas ou ainda, a alegria sem a preocupação de dentes alvos. Quando sabemos e buscamos ser útil, mesmo em pequenas ações como nos adiantarmos para abrir a porta do elevador para quem está do nosso lado, um muito obrigado a quem nos oferece um café, um copo d’água ou o assento no ônibus. Ajudar aquela pessoa que precise atravessar a rua, aguardar mais alguns segundos até o pedestre terminar a sua travessia. Centenas de milhares de ações-detox são capazes de nos renovar, limpar o organismo, tirando o gosto amargo da boca por algo ruim que tenha ocorrido há minutos.

Limpeza

Temos que nos desintoxicar de coisas e pessoas ruins e amargas. Exercitar os bons hábitos, esquecendo a superficialidade daqueles seres baixo astral que nos cercam, ou ainda a inércia daqueles que olham e nunca saem da estaca zero, pessoas que ficam infinitamente prostradas na cadeira do tempo, olhando a banda passar sem a menor disposição para segui-la. Fugir por completo da inveja, do embate gratuito é o melhor remédio para se ter uma boa aparência e muita paz. Temos que saber e, sobretudo, acreditar que a mudança se faz de dentro para fora, praticá-la é um exercício para lá de saudável.

Experimente ler “Ame-se e cure sua vida” de Louise L. Hay, “Desperte seu gigante interior” de Anthony Robbins, ou ainda “O livro do bem” de Ariane Freitas e Jéssica Grecco. Estes livros podem até ajudar nessa busca ou recomeço, mas o que vai funcionar de verdade será a sua força interior, a sua determinação de levar a frente seu intento de mudança.

A vida é muito mais que dietas sanfonas, ela é cheia de altos e baixos, carrega alegrias e tristezas, tudo nela é de verdade e é essa verdade que temos que viver e praticar, mas para isso é inevitável querer, acreditando que querer é sinônimo de poder.

Mudar é muitas vezes uma ação que requer determinação, foco acima de tudo. Não é todo mundo que gosta de gente, que presta atenção no outro, que se coloca no lugar daquele que busca ajuda, que se dispõe a ser solidário, investindo em uma relação de verdade, aquele olho no olho.

O livro “A roupa nova do rei”, escrito por Hans Christian Andersen, nos coloca frente a frente com a verdade, com o que vemos e até com o que não vemos. Fingir ver, muitas vezes usando o nosso lado artístico jogando com a meia sinceridade, não é um bom negócio, é uma estratégia fadada ao fracasso. Nessa história a única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança que gritou quando o monarca passava pela rua: “O rei está nu!”. O grito é absorvido por todos, o rei se encolhe, suspeitando que a afirmação é verdadeira, mas se mantém orgulhoso e continua o seu caminho.

Então, se nos colocarmos no lugar do rei teremos a opção de seguir em frente achando que estamos vestidos, não dando a menor bola para o destino ou podemos nos cobrir com o manto da mudança, buscando repensar o tudo e o todo, nos despindo dos preconceitos e abrindo por fim espaço para o novo. A decisão não é de mais ninguém, só nossa.

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

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