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Bingo

Matéria publicada em 24 de Abril de 2018, 07:05 horas

 


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Acabei de assistir ao filme Bingo, inspirado na história real de Arlindo Barreto, que interpretou o palhaço Bozo na TV brasileira nos anos 80. Por questões autorais, no filme o palhaço leva o nome de Bingo.
O filme não é nenhuma obra prima, nem se propõe a sê-lo, mas costura um interessante panorama não apenas da inusitada história do protagonista mas também dos anos 80, uma época de liberação e de excessos, após duas décadas de ditadura militar.
O filme despe o homem por trás da fantasia de palhaço, um sujeito intenso, desmedido, obstinado e com um prazer irrefreável pela brisa sedutora que sopra na beira do abismo.
Do ostracismo de ator de filmes de pornochanchada de quinta categoria ao primeiro lugar da audiência matinal no Brasil, o filme faz um passeio pelo trinômio mais batido da indústria pop: sexo, drogas e rock’n’roll. E um bocado de drama também, como não poderia faltar a todos aqueles que se entregam languidamente aos delírios do Deus Baco.
Bingo (ou Augusto Mendes) se entope de todo tipo de excesso que pode se meter, e acaba comprometendo a relação que possui com o filho pequeno, fruto de um relacionamento mal sucedido.
As armadilhas que o sucesso arma. Os anos 80 foram pródigos nisso. Lembro de uma reportagem em que a banda RPM admitia que não foi capaz de gerenciar as pressões que o sucesso trazia nem deixar de se afogar num tsunami de extravagâncias de todo tipo. Cheiraram todo o dinheiro que o sucesso meteórico trouxe.
Excessos parecem fazer parte do showbiz. São incontáveis os casos de artistas que se afogaram nas águas do próprio sucesso, como um suicídio auto programado.
O protagonista do filme chega no limiar disso, mas no fim acaba em lacônica e inesperada redenção. Mesmo assim, não abandona aquilo que era sua essência maior: a vida nos palcos sob a luz dos holofotes.
“Somos como as mariposas, precisamos de luz para sobreviver”,como diz a mãe do ator, uma atriz decadente, em determinado momento do filme.
A luz que atrai é a mesma luz que cega até matar.
Wladimir Brichita está muito bem no papel, e o filme rende bons momentos de risadas e viagens nostálgicas.
Se você é fã do rock brasileiro, como o autor que vos escreve, o filme renderá duas horas de boa diversão, e uma certa saudade daqueles anos que ficaram na memória de toda uma geração, os anos oitenta, onde apesar de toda a inocência, até o palhaço era um pouco safado.

Bingo!

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

 

Um comentário

  1. a melhor lembrança que tenho do Bozo foi quando um moleque de Barra Mansa, acho que era 1983 ou 1984, ligou e o Bozo perguntou pra qual cavalinho ele iria torcer: branquinho, pretinho ou malhadinho? Daí o moleque disse que não queria apostar em nenhum, daí o Bozo caiu na besteira de perguntar, “porque então você amiguinho?”…ai veio a resposta: “eu liguei pra te mandar tomatecrú Bozo!”

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