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Bom trabalho, Atlas!

Matéria publicada em 25 de julho de 2017, 07:05 horas

 


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O tema está muito longe de ser novidade. Há muito que escritores de ficção científica e cineastas descrevem as distopias (utopias reversas) de um mundo governado pelas máquinas e no qual a espécie humana é dragada pela sua Criatura. Desde o clássico Metropolis, de 1927 até o famoso AI, de 2001, o tema não para de produzir tramas interessantes.

Mas como todos eles tem um “Q” de futuro inatingível, a gente acaba não dando muita bola. Até mesmo porque eles quase sempre parecem ter uma dose muito maior de “ficção” do que de “científica”.

Mas o mundo anda mudando numa velocidade tão vertiginosa que tem certas horas que essa fronteira entre ficção e realidade parece ficar um pouco nublada.

Dia desses, numa viagem a trabalho, fiz uma chamada de vídeo por WhatsApp para matar a saudade dos meus filhos. Coisa trivial, uma chamada de vídeo, certo?

Não, não é uma coisa trivial, ainda que pareça. Na minha infância assistia ao desenho animado “Os Jetsons”, ambientado num futuro distante, no qual carros voavam, robôs faziam serviços domésticos e as pessoas se comunicavam por uma pequena TV implantada no relógio de pulso. E aquilo parecia uma ficção inatingível !

Mas isso já está na mão de qualquer um que possua um smartphone e acesso a internet, ou seja, quase todo mundo hoje em dia. E cá entre nós, numa tela muito maior e com mais qualidade do que o relógio dos Jetsons.

Robôs que auxiliam em tarefas domésticas ainda não são populares, mas já existem em alguns lugares do mundo. Há um ano e meio o Instituto Humano e de Computação Cognitiva da Flórida, em parceria com o braço de robótica do Google (Alphabet) desenvolveu um robô, apelidado de Atlas, com formas que lembram o corpo humano, que é capaz de varrer, passar o rodo e jogar objetos no lixo.

Aliás, o exemplo é até datado. Nas lojas que vendem produtos eletrônicos para casa existe há algum tempo o “robô aspirador”, um aparelho em formato oval, cheio de sensores, que sai perambulando pela sua casa aspirando e varrendo o que encontra pelo chão (cuidado com o que deixa no chão, portanto). E você pode controlá-lo à distância pelo seu celular. E não tem perigo de ele cair da escada ou de altura porque ele tem um sensor que o livra de enrascadas desse tipo.

Tem também o robô jardineiro, que programado por você, controla o nível de água que as plantas recebem e regam apenas aquelas áreas que você determinar, através de sensores de geoloocalização.

E pode ser que um dia a entrega da sua pizza seja bem mais rápida. Nos EUA já estão sendo testados drones para entrega de produtos na casa dos consumidores. Você compra um livro, por exemplo, e ao invés do correio entregar, um drone da livraria aparece voando no quintal da sua casa. Aquela frase que você diz para a Pizzaria “Traz a minha voando” será cada vez mais verdadeira no futuro.

Falando em voar, essa talvez seja minha principal frustração com as previsões dos Jetsons: ainda não temos carros que saem voando por aí. Em compensação, também não temos carros que batem no ar, nem caem sobre nossas cabeças. Bem, pelo menos por enquanto, vai saber né?

E o que vai acontecer com os empregos dos entregadores de pizza, das faxineiras e dos jardineiros? Muita coisa vai acontecer no mercado de trabalho, e não apenas com essas funções, mas isso já é matéria pra outro artigo meu (pelo menos enquanto não inventam um robô escritor).

Até o próximo!

 

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

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