quinta-feira, 23 de novembro de 2017

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Brasil: Os últimos 50 anos

Brasil: Os últimos 50 anos

Matéria publicada em 15 de agosto de 2017, 07:10 horas

 


Um país que nada, nada e sempre morre na praia; das trevas do FHC entramos na era Lula em 2004, já em pleno século XXI

wp-coluna-espaco-aberto-jorge-calife

Nosso país, o Brasil, tem uma capacidade notável de frustrar todos os planos e todas as expectativas. Não importa se o governo é da direita ou da esquerda, os milagres e promessas sempre acabam dando em nada. Nosso país é como aquele nadador que acaba morrendo na praia depois de vencer vários obstáculos. Basta olhar para os últimos cinquenta anos da história brasileira. Vamos começar dando um pulo no tempo até agosto de 1967, há exatamente cinquenta anos.

Em 1967 o presidente da república era o general Artur Costa e Silva. O segundo general presidente da ditadura que tomara o poder em 1964. Depois de promulgar o AI-5 e fechar o Congresso, os generais tinham plenos poderes para conduzir o país aonde quisessem. E seus planos eram grandiosos. A ordem do dia era o “Brasil grande” o Brasil potência nuclear, tipo Coréia do Norte, com direito a submarino e bomba atômica.

Foram construídas duas usinas e uma fábrica de combustível nuclear. O governo militar também investiu em obras grandiosas, como a “ferrovia do aço” e a Transamazônica. Aquela rodovia que vira um imenso atoleiro todo o ano. “Exportar é o que importa” dizia o lema do governo e o país vendeu matérias primas a preços baratos para quem quisesse comprar.

Mas o sonho militar do Brasil grande, do Brasil potência, acabou resultando em uma imensa dívida externa. E um buraco na Serra do Cachimbo. Em 1985 o último presidente militar, João Figueiredo, entregou um Brasil arruinado para o novo governo civil, marcando o fim da ditadura. Tancredo Neves morreu antes de tomar posse e assumiu o Sarney. Era a época da hiperinflação, das maquininhas trocando as etiquetas dos preços todo o dia nos supermercados. E do governo pedindo ao povo que fiscalizasse os preços.

A equipe econômica tentou controlar a inflação sem sucesso. E Sarney deu lugar ao Collor de Melo no palácio do Planalto. O presidente jovem, cheio de ideias novas, que ia finalmente tirar o país do buraco. Collor, e sua ministra Zelia Cardoso de Melo, confiscaram a poupança do cidadão e deixaram o povo indignado. Em meio a uma série de denúncias o filho de Alagoas acabou sofrendo um impeachment. E sendo substituído pelo vice, Itamar Franco, em 1992. Itamar adorava o fusca, e queria que o carrinho alemão voltasse a ser fabricado no Brasil. Seu governo não deixou nenhuma marca na história.

Aí o povo elegeu o Fernando Henrique Cardoso. Que conseguiu controlar a inflação e tinha mania de privatizar tudo. A solução era vender as empresas do estado que ficariam melhores e mais eficientes sob o controle de capitais privados. Uma das primeiras a ser privatizada foi a companhia telefônica do Rio de Janeiro. Que terceirizou tudo e virou campeã de reclamações do Procom. A eletricidade privatizada provocou um imenso apagão e o governo FHC entrou para a história com a imagem dos lampiões de querosene e das cidades às escuras.

Das trevas do FHC entramos na era Lula em 2004, já em pleno século XXI. Lula prometeu que colocaria “carne na mesa dos trabalhadores” e criou o “Bolsa Família” para garantir o apoio eterno das massas menos favorecidas. Representante da esquerda, o governo Lula também pensava em um Brasil grande, potência econômica, graças ao óleo do pré-sal. E para mostrar que o país finalmente tinha se tornado moderno, rico e desenvolvido Lula convenceu a FIFA e o COI a realizarem uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no Brasil. Para alegria e felicidade geral de todas as empreiteiras amigas do governo petista.

Até a revista The Economist acreditou no “novo milagre brasileiro” e publicou uma capa com o Cristo Redentor decolando como um foguete. Mas no governo Dilma o sonho virou um pesadelo. O país entrou na maior recessão de sua história e a revista inglesa fez outra capa, com o Cristo foguete caindo sem controle.

E o Brasil continuou a ser o eterno país do futuro…

The Economist: A queda do foguete brasileiro

The Economist: A queda do foguete brasileiro

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

22 comentários

  1. Na minha modesta opinião, o nosso País, encontra-se nessa situação, por que além de termos políticos desonestos ( 99% ) do Vereador ao Senador,(Legislativo), dos Prefeitos ao Presidente da República (Executivo), temos também um POVO (em sua grande maioria) que quando tem oportunidade mete a mão. Nas estradas quando uma carreta tomba com mercadorias os motoristas param não para socorrer o motorista, mas para SAQUEAR a carga. O que esperar desse povo ? Eu já desisti.

    • Existe um chavão que diz que cada povo tem os políticos que merece. Talvez seja verdade, nossos valores são péssimos.

    • O nosso povo precisa é de ajuda. Dias atrás ficavam horas a fio na frente da globo. Hoje ficam na frente do google. Um ponto em comum entre essas duas empresas: são americanas (uma controlada) e estão a serviço de países que querem fazer os povos de marionetes.

      Eu precisei de ajuda dos jovens de meu bairro em que tinham de usar o e-mail e um endereço eletrônico. Descobri que eles não sabem usar outra coisa senão buscar no google, mesmo mostrando o endereço eletrônico para eles. 180 jovens não sabem o que é internet livre. 180 jovens presos a uma empresa. 180 jovens sendo doutrinados por uma empresa.

      Outra prova: todos viram o show que os jovens deram na Vila Sta Cecília atrás daquele bichinho eletrônico Pokmom quando eles estavam sendo controlados diretamente dos EUA. Os americanos estão rindo deles até hoje. E eu tbm kkkkk

    • 167 jovens com e-mail do gmail.

  2. Carlos Magno de Oliveira

    Excelente esta matéria, só faltou colocar que o grupo que explora o Brasil nos últimos 53 anos é o mesmo que ainda dita as regras do jogo.
    Outro detalhe importante é que Lula nunca foi esquerda, e sim um instrumento deste grupo explorador que idealizou o PT para ser uma oposição fraudulenta que teve seu principal papel em tirar votos de Brizola e favorecer a vitória do Collor.
    Podem verificar que os grandes caciques da política nacional estão sempre juntos em todos os governos e continuam no governo atual, brigam entre si, fingindo serem oposição e continuam vendendo nosso país.
    Quem realmente manda no Brasil são os investidores internacionais que é formado por grupo de agiotas donos de diversos bancos e recebem bilhões somente em juros de nossa eterna dívida pública, além dos recursos em dinheiro recebem a preço de banana empresas públicas, estatais, exploração de rodovias e riquezas minerais.
    Vejam quem são os controladores do ministério da fazenda e banco central, todos banqueiros.
    Entregamos nosso país para velhas raposas tomarem conta do galinheiro chamado Brasil.

    • Carlos

      São os banqueiros, inclusive alguns internacionais, que mandam no Brasil. Nós, brasileiros, entregamos a eles (forçadamente) tudo que tínhamos até 1960.

      O povinho brasileiro não tem mais cidadania. (ele próprio não se considera um cidadão). Com isso não temos mais soberania do nosso país, tudo por sermos analfabetos funcionais e analfabetos políticos. E quem sabe das coisas ou se julga inteligente tbm não colabora, são omissos.

    • São os banqueiros (poder econômico) que estão forçando a baixa da inflação, a baixa da SELIC, promovendo notícias de melhora da economia somente para mostrar aos eleitores babões que estamos no rumo certo da economia.

      Eles próprios sacrificando os seus ganhos com a SELIC baixa para faturar mais tarde.

    • E outra: São eles que escolhem e indicam em quem nós vamos escolher como candidatos eletivos. Como o povinho ADORA votar nos primeiros lugares nas pesquisas eleitorais, então os indicados pelo poder econômico sempre saem ganhando.

  3. liberdade e propriedade

    Só um país com liberdade e propriedade pode avançar.

    • Na 123ª posição no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, e 124º colocado no Doing Business do Banco Mundial, o Brasil está longe, muito longe de ter liberdade, e com quase metade da renda gasta anualmente em impostos, nem do fruto do trabalho o brasileiro pode usufruir.

    • Liberdade e propriedade

      Parabéns pelo comentário! Caro Anderson, além do mais, nossos governos negligenciam por completo a Curva de Laffer.

    • Com certeza nem sabem o que é isso. Somando a mentalidade estatizante, mais o desconhecimento de como uma economia produz riqueza, mais este marxismo de botequim que vemos por aí, para eles o ideal seria uma alíquota de 100% sobre a renda! Como bons socialistas que são, para eles a solução é só distribuir, afinal, produzir para quê?.

  4. O problema da economia do Brasil é mais conhecida dos administradores do que dos economistas, e mais conhecido ainda pelos Administradores Públicos.

    A economia do Brasil é igual a de qualquer brasileiro bobão.

    Quando um deles ganha uma boa grana, o que faz? Gasta tudo como se não houvesse o amanhã. Compra carros, sítios, faz viagens, enfim torram tudo em pouquíssimo tempo. Como nada é eterno depois vem as dívidas devido a manutenção do patrimônio. Aí acabam tendo de vender o que tinham.

    Com a economia do Brasil (PIB) não é a mesma coisa?

    • Nooossa Senhora dos comentaristas do DV, parece que estamos todos medicados, até o VAI VENDO ex Eta povinho escreveu algo coerente, só esqueceu dos jatinhos, jóias para esposas trambiqueiras, jantares em Paris, etc, e que a maioria das vezes o dinheiro não foi ganho e sim roubado do prato de muitos brasileiros. BREAKING NEWS, você já soube da última de Brasilia? que as assessoras (nutricionista e roupeira) da bela, recatada e do lar também moram em apartamentos funcionais pagos com o nosso dinheiro. Ufa

  5. Duas correções: Quem trabalhou para o início da estabilização econômica foi o Itamar Franco, tendo FHC ministro da economia. E outra, não foi o Lula quem “… convenceu a FIFA e o COI a realizarem uma Copa do Mundo..” nenhum pais queria sediar esses eventos desde 2008 quando jogaram a copa de 2010 para a Africa, e na África jogaram para o Brasil em 2014.

    O mundo estava em crise econômica devido os subprime do capitalismo americano desde 2008. Os investidores da FIFA sabiam e eu sei que os brasileiros gostam de ser enganados, por isso fizeram aquele teatro todo mostrando que o LULA convenceu.

    • Lá vem de novo o folclórico “Vai Vendo”, o caçador da boquinha perdida. Você inventou ou Ministério da “Economia” onde, jegue?.
      Cabo eleitoral fracassado, aspone baixa-renda desempregado, assim seu candidato não recontrata você.
      À época do Real, o ministro era Rubens Ricúpero da Fazenda ( FHC era ministro das Relações Exteriores, ficou alguns meses na Fazenda, mas logo saiu para disputar a Presidência. Ricúpero foi o verdadeiro “pai” do Real, nas palavras de Itamar.

    • Nem FHC, nem Ricupero, quem criou o plano Real foram os economistas da PUC-Rio, como Gustavo Franco, Pedro Malan, Pérsio Árida, e outros. Eles foram os cérebros por trás do Plano Real. FHC era só fachada.

    • Anderson
      Técnicos da PUC-RIO e equipe do ministro FHC. Mais tarde FHC presidente nomeou os três técnicos para ministros.

  6. Senhor Calife, como é libertador escrever a verdade dos fatos (ou quase) mas já é um começo, desta vez não culpou o povo? milagre. Tomara que continue a escrever assim pois muitas pessoas tem dificuldade de lembrar do passado e muitos jovens, preguiça de ler livros principalmente os que contam a história politica do país e acabam acreditando em baboseiras que políticos falam, agora pelo andar da carruagem e pelo que estou vendo acho que desta vez vamos morrer é no fundo do poço, pior do que na praia. Parabéns pelo texto. : ) : ) : )

  7. Muito bom o artigo, como sempre. O Brasil é isso aí mesmo, repetindo sempre os mesmos erros e querendo um resultado diferente. Discordo de sua conclusão sobre o governo Itamar Franco, que teve o mérito de estabilizar a economia e domar a inflação com o plano Real. Não é pouca coisa.
    O problema do Brasil é esse ranço esquerdista estatizante de achar que o governo é a solução de todos os nossos problemas. Ocupamos as últimas posições no índice de liberdade econômica; tornamos um inferno a vida do empreendedor que cria empregos e riquezas; ensinamos nas escolas que Cuba é um paraíso e que o socialismo é viável; somos o país com a economia mais fechada da OCDE; e, quando tudo invariavelmente dá errado, culpamos os Estados Unidos, o capitalismo, o neoliberalismo e o passado colonial pelo nosso fracasso. Não corremos o menor risco de sermos um país próspero e sem pobreza no futuro.

  8. Nosso maior problema é a educação de péssima qualidade, lembro quando conversei com um engenheiro japonês que comandava uma obra na Brasfels, ele disse tocou obras em várias partes do mundo, mas o brasileiro era o de longe o mais despreparado e indisciplinado.

    • الفتح - الوغد

      O brasileiro é ególatra, exatamente o contrário dos povos do Extremo Oriente. O problema maior de ser ególatra é quando falta esperteza, sagacidade, inteligência… Se vc tem isso, faz parte da minoria abastada. Se não, pasta ou vive de pilhagens…

Untitled Document