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Brasil, um país relativizado

Matéria publicada em 29 de junho de 2018, 08:23 horas

 


Os tempos que se apresentaram ainda mais bicudos de 2015 para cá, provocaram mudanças no comportamento do dia a dia do brasileiro.

Menos saidinhas no final de semana, menos barzinhos e restaurantes, lojas e muito menos mercado. As compras ganharam uma cara mais modesta, as marcas que ficavam esquecidas em determinadas gôndolas ganharam status de estrela. Feijão, arroz, sabão em pó, amaciante de roupas, sucos, biscoitos, macarrão e tantos outros produtos de preços inferiores que “caíram” no gosto ou melhor, no bolso popular. O modus vivendi sofreu uma mudança gigantesca e por conta disso o modus operandi teve que se adaptar rapidinho a nova realidade brasileira.

É óbvio que nem tudo virou cactos, tem muita gente que continuou a viver como se nada tivesse acontecido, não mexeu em nada, muito menos nos seus hábitos. Estes não foram afetados e talvez tenham até tirado uma casquinha de todo esse vendaval que nos carregou o guarda-chuva.

A cultura essa, tomou literalmente na cabeça. Menos idas ao cinema, ao teatro, a shows, a livrarias. O lazer ficou por conta do que vem com a chancela de 0800. Assim com a marca paulista ser, o programa de domingo passou a valorizar a lavadinha no automóvel (quando se tem um) ou ir ao aeroporto ver avião aterrizar e decolar. Programas mais barato como estes, impossível.

O Brasil foi relativizado sem o menor pudor, haja vista a Copa do Mundo que está no seu ápice, e o que vemos são pouquíssimas ruas enfeitadas e lojas repletas de produtos verde e amarelo que caminham para o encalhe. Falta ânimo e dinheiro, elementos que indiscutivelmente movem as pessoas em um mundo capitalista.

Querendo ou não o nosso olhar está mais a frente, pensando no futuro próximo, no máximo aquele que chega até dezembro. Tentando adivinhar se teremos ou não o tal 13º salário, algo que ficou escasso para muitos no último ano e ainda quem vai tomar as rédeas do poder nesse país. Quais serão os novos nomes a se sentarem nas cadeiras da política, se serão os mesmos ou teremos caras novas, dispostas a mudar este cenário patético que ai se encontra.

Somos apaixonados desde sempre por futebol e uma Copa do Mundo nos enche os olhos, mas este ano estamos meia-boca, vivendo uma letargia que não é nossa, mas sim algo que foi introjetado por uma considerável soma de políticos incapazes, seres que simplesmente estão a favor do povo, mas aquele povo que se limita aos seus familiares mais próximos.

Vivemos ou estamos muito próximos de viver o valor relativo das coisas e sobretudo de nós mesmos. Não nos enxergam nos hospitais, nas escolas, no transporte público, na segurança e em tantos outros lugares. Ganhamos vida e uma função muito objetiva nos anos em que há eleições, somos cidadãos obrigados a ir às urnas querendo ou não. Diferente de muitos países onde isso é facultativo. Imagine que menos de 15% dos 236 países do mundo o voto é obrigatório.

Até ai encarar uma urna não é lá um terrível problema, mas sim o de teclar determinados números que não servirão para nada, continuarão se não os trocarmos a viver das mamatas do cargo e nós certamente continuaremos a ser por mais alguns anos, seres relativizados a espera de um salvador da pátria.

E por essas e por outras que acredito plenamente na Educação. Ela é capaz de formar a personalidade de cada um de nós. É através dela que nos integramos ao mundo, nos sociabilizamos e por conseguinte, nos libertamos de muitas amarras. Mas do que adianta escolas em tempo integral se elas não integram, faculdades que não educam, mas que proliferam  absurdamente por todo o país e professores que não são respeitados em seus direitos e muito menos em seus salários.

Enquanto não acharmos de verdade o antônimo para a palavra relativizar, algo que nos torne amplo e sobretudo ilimitado, seremos submetidos a ler numa cartilha mal redigida, onde o Brasil será escrito com z de zafimeiro, que quer dizer: esperto, velhaco e ardiloso.

Um comentário

  1. Belo texto, e como disse que não temos educação, é pelo simples motivo de que os políticos querem nos manter na ignorância, e outro ponto é que não temos educação suficiente para o voto ser facultativo.
    Abçs.

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