terça-feira, 18 de setembro de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Certo ou errado?

Certo ou errado?

Matéria publicada em 4 de maio de 2018, 07:00 horas

 


Quem tem a autoridade de estabelecer os verdadeiros padrões do que é certo e do que é errado? Independente da nossa cultura ou mesmo da nossa religião, temos uma percepção do que é realmente certo e o que é errado. Certamente que isso vai variar de pessoa para pessoa, de grupo para grupo.
Creio que não exista nada 100% errado no mundo. Até mesmo um relógio parado, sem funcionamento, consegue estar certo duas vezes ao dia, mas o que realmente deve existir para que se conheça os caminhos corretos em cada momento é o equilíbrio e a lucidez para saber discernir cada instante que vivemos.
O mundo antigo e também o moderno, sempre viveu a discussão do certo e do errado, a filosofia e a religião têm se debruçado, estudando e meditando sobre tudo que abarca estas perguntas, buscando achar uma resposta final e concreta, pois o seu diferencial deturpa o real sentido de tudo o que existe.
Aprendemos e desenvolvemos tendências neurológicas que nos fazem apegar a coisas e, sobretudo, a pessoas. De certa forma uma determinada decisão parece ser moral quando ela está voltada para o bem e amoral quando sinaliza que está de alguma forma prejudicando uma pessoa ou um grupo.
Nós seres humanos somos capazes de desenvolver conceitos sociais de justiça, algo que já falei anteriormente que pode variar de pessoa para pessoa, mas certamente no âmbito geral temos a sensação intuitiva de reciprocidade, o que para muitos é o bem sendo pago com o bem e o mal com o mal. O que seria o dito popular “Olho por olho, dente por dente”, expressão que carrega, sobretudo, um gosto de vingança, algo que deve ser dado ao outro na mesma proporção, sugerindo punição exatamente do mesmo tamanho e intensidade em que foi dada a causa.

Leitura

Em muitos casos a lealdade pode ter uma leitura diferente. Aquele que se comporta assim, ficando ao lado daquele que se acredita, pode ser visto como cúmplice, um puxa-saco ou mesmo um louco. A literatura nos mostra personagens fiéis, que independente de qualquer coisa eram cúmplices apaixonados de seus pares: Sancho Pança, foi fiel escudeiro de Dom Quixote. Sancho sempre foi realista e sério, enquanto Quixote era profundamente sonhador. Mas o amor, o carinho e a lealdade fizeram com que Sancho Pança aceitasse os delírios de seu mestre e também passasse a acreditar que os moinhos de ventos eram na verdade gigantes a serem combatidos. Ainda temos a história de Robin Hood e seu melhor amigo João Pequeno, e Sherlock Holmes e seu braço direito Watson.
Não são poucas as vezes que vemos a interpretação de certas coisas tomarem um formato diferente, o certo e o errado trocando de lado. Na política, por exemplo, muitos políticos que deveriam cuidar de nós, se privilegiam do cargo para transformarem suas vidas, criando uma distância do povo e por ele nada fazendo. O que parecia ser algo espetacular, transformador em função de grandes promessas de campanha são apenas objetos usados para enganar os eleitores e tornam-se uma falsa realidade quando estes são eleitos. E ninguém é responsabilizado por isso. Com isso se privilegia o errado, a mentira.
Os psicólogos que estudam a Teoria dos Fundamentos da Moral, acreditam piamente que as pessoas interpretam os pilares que sustentam esses estudos de inúmeras maneiras. Pessoas que são mais progressistas, acabam associando a reciprocidade ao conceito de igualdade, onde todos merecem os mesmos direitos inatos. Por sua vez os conservadores acreditam que o justo é a proporcionalidade, ou seja, as pessoas merecem direitos de acordo com as suas ações e contribuições.
Incrível como a ética e a moral têm inúmeras interpretações. Para certas pessoas ou grupos o espaço ao sol acaba levando a tomar decisões que comprometam cada vez mais a reputação por meio de ações antiéticas.
Hoje nada mais parece surpresa, pois com a quebra de paradigmas e a total falta de discernimento tudo parece normal. Incrível a aceitação de inversão dos valores. Em todas as esferas existe a dualidade entre o certo e o errado: começa na infância, nos primeiros aprendizados, na sala de aula, no pátio da escola, na faculdade, no trabalho, no lazer, nas religiões, nos relacionamentos amorosos, na vida e na morte. Até aí nada demais. O que não se pode é o certo tomar o lugar do errado e vice-versa. É triste saber que nada mais parece assustar e repugnar, pois tudo se encontra de cabeça para baixo. Mas como bons brasileiros que somos, não conseguimos tirar de nós essa bendita mania de sermos otimistas.

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

10 comentários

  1. Falei, bom dia. Obrigado pelas suas interferências e pela leitura ao que escrevo, é sempre bom ter com quem aprender e trocar ideias mesmo que seja através desse canal, é um aprendizado muito bom. Abraços e sucesso SEMPRE!

  2. Vai Vendo, bom dia. Querendo ou não boa parte dos brasileiros vive uma esperança sem tamanho, acredita no amanhã até por falta de alternativas. Quantos políticos (se formos usar esse mote) esperamos a cada eleição que nos embale em nossos sonhos e quiçá em nossas necessidades. Eles não fazem e vamos no otimismo ou algo similar acreditando que amanhã surgirá um Messias a fazê-lo. Obviamente que muitos “políticos” entram para se locupletarem já outros se transformam a medida que o tempo avança, até para se “adequarem” as exigências internas entre seus pares. Psicologicamente essa mudança existe porque o homem é produto do meio e mais do que nunca o meio o molda seja para o bem ou não. O pão e circo existe e não é de hoje, meu amigo leitor. No que cita a resposta a um emprego e a contemplação por parte de quem o busca, esse lhe afianço por experiência frente as empresas que dirijo que acontece e muito. Triste essa verdade, mas ela é real e grotesca. Grande abraço e felicidades.

  3. O problema maior é quando alguém quer te obrigar a concordar que ela esta certa, eu sinceramente quando encontro pessoa assim dou um tialzinho, meia volta e saio correndo o mais rápido possível sem olhar para trás e fazendo sinal da cruz. Tem um tipo Vai Vendo ex Eta povinho que cruz credo, Deus me livre, olha pra cima que ele deve está aí.

    • ou pra baixo.

    • A psicologia afirma que o fanatismo surge a partir da necessidade de segurança que sentem as pessoas que são precisamente inseguras. Trata-se de uma espécie de compensação perante um sentimento de inferioridade.

    • Sandea1

      Fico agradecido e feliz de saber que Vc está lendo os meus comentários mesmo não concordando.

    • Sandea 1. Bom dia. Obrigado pela sua leitura e comentário a minha crônica. Grande abraço e sucesso SEMPRE!

  4. Artur, sempre leio seus textos, porque gosto e aprendo muito com você, pode acreditar que mesmo não fazendo comentários sou sempre assíduo na leitura de seus textos, mas hoje gostaria de tomar a liberdade de pedir se possível resumir um pouco o texto, embora seja agradável ler as vezes é um pouco longo e cansativo, espero que não me interprete como desrespeitoso mas só como um pequeno entrometido do bem. Obrigado

    • Celso Alencar, bom dia. Obrigado pela gentileza das palavras. Acerca do tamanho da crônica ela cresce ou diminui conforme o tema e o espaço que tenho na página, mas acredite que vou pensar com carinho no seu pedido.Grande abraço e boa semana.

  5. Na dúvida entre o certo e o errado siga o que diz as leis. Como cada um tem a sua ética ou moral, nem a elas pode-se confiar se certo ou errado.

    Bendita mania de ser otimistas? Isso me parece uma mentira das grandes. rsrs

    Interessante a citação sobre os políticos: “…grandes promessas de campanha são apenas objetos usados para enganar os eleitores e tornam-se uma falsa realidade quando estes são eleitos.” Não há dúvidas que as grande campanhas enganam a muitos. Se for regada a …….. pão MAIS mortadela ….. é garantia de sucesso. É errado pensar que os políticos mudam depois de eleitos. Ninguém muda de comportamento após ganhar a eleição. O sujeito continuará o mesmo de sempre, agora com mais força do mau caráter ou não porque tem poder influente.

    Após uma entrevista de emprego Vc foi contemplado (eleito) por ter mostrado competência ao entrevistador. Por acaso se mostrará pior funcionário depois?

Untitled Document