domingo, 24 de junho de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Começar de novo

Começar de novo

Matéria publicada em 5 de janeiro de 2018, 13:08 horas

 


wp-coluna-cultura-geral-artur-rodrigues

 

“Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre”.

Albert Einstein

 

Ano novo, vida nova. Clichê maior do que esse para começar um novo ano não existe igual. Junto com ele vem as promessas de mudar a vida radicalmente. Comer menos e melhor, parar de beber, fazer exercício pelo menos três vezes por semana, cuidar da alma lendo textos que trabalhem o interior e exterior, entre outras certezas que um novo ano costuma carregar, isso sem contar as crenças de passar de branco ou de amarelo, pular ondas, comer lentilhas, guardar as sementes de uva na carteira e por aí vai.

Manias e superstições que ao meu ver só acontece se trabalharmos em todos os sentidos, focar os nossos objetivos e buscar com todas as forças alcançarmos a meta, do contrário será apenas mais uma tentativa de reinventar a roda, algo que se repete todo o começo de ano.

O fato de mudarmos de ano, ou seja, de 2017 para 2018, não vai mudar em nada a nossa existência, não nos tornaremos melhor ou pior, mais ricos ou pobres, felizes ou tristes, tudo ficará na mesma. Os segundos e as horas continuarão a correr assim como aconteceu nos anos anteriores, a vida seguirá seu curso, ditando suas regras e normas e nós estaremos nos comportando como marionetes da rotina inevitável do dia a dia.

Vamos à medida que o final do ano vai se aproximando e um novo ano prometendo despontar, ocupando nosso coração com palavras como: amor, felicidade, paz, sucesso, alegria, fé, esperança e tantos outros sinônimos de positividade. Passado esse frenesi, chegado o novo ano, somos absorvidos ou abduzidos pelo dia a dia que soma trabalho e estudo entre outros compromissos inadiáveis e assim vamos nos esquecendo das promessas, vamos deixando para trás à medida que janeiro avança, o sorriso, nos esquecendo das mensagens enviadas e recebidas por aqueles que amamos e nos entregamos de corpo e alma a rotina real e crua.

A vida segue seu curso e temos novos 365 dias pela frente, doze meses para encarar o presente, isto sem jamais esquecer o passado, porque não dá para fechar os olhos para tudo o que vivemos até aqui.

A vida ainda irá nos reservar muitas surpresas ao longo dos próximos dias, até voltarmos a pensar em 2019. Serão dias de muitas alegrias e tristezas, de lutas e glórias e certezas de que temos que arregaçar as mangas e lutar, acreditando no nosso potencial, na nossa força interior.

Mudança real

Por mais que tudo pareça igual, que a mudança seja apenas sentida entre o dia 31 de dezembro e 1º de janeiro, temos que alimentar a certeza de que ela existe de verdade e para melhor, algo que dependerá exclusivamente de nós, acreditando que somente nós poderemos promover as verdadeiras mudanças e não aquelas que duram apenas alguns dias.

Ivan Lins cantou: “Começar de novo / E contar comigo / Vai valer a pena / Ter amanhecido / Ter me rebelado / Ter me debatido / Ter me machucado / Ter sobrevivido / Ter virado a mesa / Ter me conhecido”.

Temos que contar conosco, com a nossa força, mas também daqueles a quem amamos. Acreditar que o amanhã será um novo dia e o amanhecer irá sinalizar isso tudo dentro de nós. Temos que nos rebelar contra os erros do mundo: a fome, o preconceito, as injustiças nascidas através do roubo cometido por aqueles que nos devia proteger e cuidar.

Nos debatermos, retirando de nós a inércia, a desurgência. Muitas vezes por conta disso nos machucamos, dilacerando corpo e alma. Mas a sensação de sobrevivência é magnífica, é deliciosa. Sensação de se ter a certeza de que estamos vivos e que ganhamos mais uma chance para voltar ao palco, ao campo de batalha.

Então, virar a mesa, dar o grito de independência, de liberdade é fundamental. Isso fará brotar em nós os sonhos e o prazer de construí-los cada vez mais forte.

Por fim, nos conhecermos de verdade é fundamental, somente assim conseguiremos reconhecer o outro para podermos dividir com ele os nossos medos e anseios.

Que 2018 seja um ano para chamar de seu, que ele possa ser realmente novo em todos os sentidos, que ele seja construído com fé e amor ao longo dos próximos 12 meses, para então quando pensarmos em 2019, a vida dentro de nós esteja firme e forte. Sejamos novos hoje, amanhã e sempre. Que venha 2019, 2020, 2021, 2022…

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. Todo dia 31 de dezembro eu penso, cruz credo estou mais velha e nem fiquei riiiicaaaaa aí Todo dia 1 de janeiro eu esqueço essa bobagem e começo tudo outra vez, um dia coloco minha fantasia de fada noutro minha fantasia de bruxa e vou vendo o que acontece, quem sabe um dia eu fique riiiicaaaa, mas se não ficar também tô nem aí, já fazem 30 e lá vai fumaça de anos que eu estou distribuindo saúde, então pé na tabua e rumo ao futuro.

    • Artur Rodrigues

      Sandra 1, bom dia. Todo dia é dia de recomeçar, de olhar para frente e apostar todas as fichas no futuro. Ficar velho faz parte do trato e sendo assim não temos muito o que fazer. Cuidar da saúde, amar bastante e ajudar ao próximo, acredito que com isso sejamos seres humanos melhores e capazes de atingir mais alguns anos sempre com amor e prazer. Meu abraço.

Untitled Document