ÔĽŅ Como cumprir as promessas de fim de ano - Di√°rio do Vale
terça-feira, 14 de agosto de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / Como cumprir as promessas de fim de ano

Como cumprir as promessas de fim de ano

Matéria publicada em 9 de janeiro de 2018, 07:00 horas

 


wp-coluna-contos-e-cronicas-alexandre-correa-lima

 

Você sabe por que é sempre tão difícil cumprir as promessas de ano novo? Então este texto é para você!

Já no finalzinho de dezembro você sente uma estranha força te empurrando pra frente. Novos projetos, novos desafios, novas conquistas. Verdade seja dita, velhos projetos e velhos desafios, agora vestidos de branco, com cara de novos.

O primeiro dia do ano surge imponente no horizonte: aberto, convidativo, ensolarado e você sente que pode tudo, você é um super herói.

Mesmo com uma dose de etanol além da recomendável circulando nas veias, você mantém a firmeza de propósitos: arrisca uma caminhada mesmo sob um sol de fritar os miolos.

Desembrulha aquele livro que ganhou no amigo invisível quatro anos atrás, lê a introdução e promete que neste ano vai ler mais, muito mais, o que não será tarefa difícil, já que não leu absolutamente nada no ano que se foi.

Também jura que cuidará mais da carcaça maltratada que carrega nossa alma involuída: até arrisca uns abdominais no chão do banheiro.

Mas tamanha energia assemelha aos círculos que a lagoa gera no mergulho de uma pedra: cada vez mais fracos e distantes do foco original.

O teste de fogo é a primeira segunda feira do ano. O ímpeto diminui e é quase impossível expulsar da cabeça aquele pensamento traiçoeiro:

‚ÄúAh, o ano est√° apenas come√ßando, ainda h√° muitos dias para tirar o atraso e cumprir as promessas do ano novo, √© s√≥ hoje, amanh√£ eu retomo o ritmo das coisas‚Ķ‚ÄĚ.

√Č a primeira semente do p√© de vendaval: logo voc√™ estar√° procrastinando metas para a pr√≥xima segunda, para o s√°bado (de aleluia), para depois do carnaval, para o pr√≥ximo m√™s‚Ķ E quando se d√° conta, nos escombros de outubro, o ano seguinte come√ßa a lhe acenar maroto, como um amigo sumido que te conhece melhor do que ningu√©m e voc√™ finge que aquele sorriso de esc√°rnio n√£o √© com voc√™.

Mas logo dezembro chega de novo, e você acredita, com razão, que tudo pode ser diferente, a despeito das evidências constrangedoras do seu passado recente.

Mas por que a gente procrastina as metas? Por que é tão difícil mudar?

Alguns evolucionistas dizem que isso é fruto de uma tendência ancestral de poupar energia que nos move a ficar imóveis, mesmo com tanta disposição inicial de cumprir as novas velhas metas.

Na √©poca das cavernas nossa √ļnica preocupa√ß√£o era com o aqui e agora, e n√£o com o futuro. O que valia era a satisfa√ß√£o imediata, e poupar energia.

Psic√≥logos dizem que estamos em eterno conflito entre o nosso eu cognitivo (aquele que deseja aprender ingl√™s, emagrecer, comer mais espinafre, ler livros e levar uma vida mais saud√°vel) e aquele ser das cavernas que habita um espa√ßo insond√°vel l√° pelos rinc√Ķes basais do prosenc√©falo: as for√ßas inconscientes que impactam na maior parte das decis√Ķes que tomamos.

Mas o ser humano não é escravo de sua biologia ou de seus instintos, como os outros animais. Estudos provam que é possível sim mudar. E mudar a longo prazo, mas para isso você precisa agir, e fazer disso um hábito, goste ou não goste. A maioria das crianças não gosta de acordar e escovar os dentes, mas depois que isso virá um hábito, a gente faz isso para o resto da vida, e nem se dá conta.

Não existe receita mágica, mas você não pode se deixar dominar pelo Capitão Caverna que habita nossa mente e fazer o que precisa ser feito, mesmo que você ache a tarefa um porre.

Eu vou te dar algumas dicas que podem te ajudar a superar esse desafio:

 

1)¬†¬†¬† Se afaste das distra√ß√Ķes. Desligue o celular, a TV e o computador. Coloque um cadeado e um pit bull tomando conta da geladeira. Como normalmente as coisas que a gente precisa fazer envolvem algumas tarefas chatas, a tend√™ncia √© que a gente fique buscando distra√ß√Ķes in√ļteis e mais divertidas, como naufragar na internet, por exemplo.

 

2)¬†¬†¬† Fragmente a sua meta em etapas. Se a sua meta for um projeto muito grande, voc√™ ter√° que dividir isso em etapas, caso contr√°rio vai ficar com a impress√£o de que a montanha √© alta demais para escalar. Digamos que o seu objetivo seja estudar no exterior. Isso provavelmente √© um projeto que demanda muitas coisas, ent√£o voc√™ tem que dividir esse objetivo em diversas tarefas: escolher o pa√≠s, verificar as op√ß√Ķes de escolas e as exig√™ncias, ficar fluente no idioma do pa√≠s, juntar dinheiro ou se inscrever em alguma bolsa estudantil, guardar dinheiro, etc. Voc√™ n√£o vai conseguir realizar tudo duma vez. √Č preciso fatiar a grande meta em diversas mini metas. Falando em metas, cuidado para n√£o estabelecer metas demais, porque voc√™ vai acabar n√£o conseguindo cumprir nenhuma. O ideal √© que voc√™ tenha de 1 a 3 grandes metas no ano. Isso n√£o quer dizer que voc√™ deve abandonar todas as √°reas da sua vida, mas grandes metas exigem mais foco e dedica√ß√£o, e por isso elas devem ser limitadas.

 

3)    Pense na recompensa final. Uma das maiores dificuldades em realizar as grandes metas é que o sacrifício é certo e imediato mas a recompensa ocorre apenas no futuro e com algum nível de incerteza.  Por isso é importante que você visualize esse futuro desejado para que consiga motivação para vencer essas dificuldades imediatas. Pense nos benefícios que vai obter quando atingir a meta desejada.

 

4)¬†¬†¬† Crie micro pr√™mios para as etapas vencidas. Voc√™ n√£o deve se sabotar buscando distra√ß√£o, mas voc√™ pode estabelecer pequenas premia√ß√Ķes toda vez que voc√™ cumprir uma etapa da sua meta. Por exemplo, se voc√™ cumprir o seu objetivo estipulado para aquele dia ou aquela semana voc√™ pode assistir um filme que deseja muito, comer sua comida predileta ou ouvir a sua banda preferida.

 

5)¬†¬†¬† Coloque a m√£o na massa o quanto antes, e n√£o desista. Esse √© o mais √≥bvio, o mais importante e sem d√ļvida nenhuma o mais dif√≠cil. Eu poderia ficar aqui falando um milh√£o de teorias, mas a √ļnica coisa que realmente importa √© voc√™ levantar da cadeira e fazer o que precisa ser feito. O quanto antes. Fazer hoje, fazer amanh√£, fazer depois da manh√£, fazer todo dia. Se voc√™ est√° no ponto A e deseja chegar no ponto B o √öNICO, o √öNICO jeito de chegar l√° √© todo dia caminhar na dire√ß√£o do ponto B. Se voc√™ parar no caminho o ponto B n√£o ir√° at√© voc√™. Vou repetir, voc√™ precisa fazer, fazer, fazer, e muitas vezes fazer o que voc√™ n√£o est√° a fim de fazer. E n√£o arrume desculpas para n√£o fazer. Avance todo dia, mesmo em que alguns dias avance pouco. Se sua meta √© fazer atividade f√≠sica, fa√ßa se o dia estiver bonito ou feio, se o seu time ganhou ou perdeu, e se voc√™ est√° com sono ou n√£o, se est√° triste ou est√° alegre. √Č como escovar os dentes, tem que fazer e ponto final. Sem mimimi. Fa√ßa, fa√ßa, fa√ßa.

 

Não, não é fácil, mas é sempre possível vencer a si mesmo, romper com velhos hábitos, sair da letargia e (aleluia!) riscar da lista de pendências aquelas metas que você vem rescrevendo há vários réveillons.

E nem precisa ser primeiro de janeiro (em várias outras culturas o primeiro dia do ano é comemorado em outra data do calendário). O primeiro de janeiro pode ser todo dia ou pode ser nunca. A decisão é sempre sua.

Mãos à obra e feliz vida nova!

 

 

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

Untitled Document