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Corrupção à americana

Matéria publicada em 10 de junho de 2018, 09:23 horas

 


Doação de empresas para campanha nos Estados Unidos também é proibida, mas eles contornaram a limitação

É praticamente impossível falar nos problemas do Brasil sem mencionar a corrupção. Não é nem preciso falar em tudo de ruim que vem desse câncer. Mas… e o país mais rico e poderoso do mundo? Um gigante com mais ou menos uma vez e meia a nossa população, cerca de 10% maior no território, tendo umas dez vezes o nosso PIB e forças armadas capazes de desanimar qualquer inimigo em potencial: United States of America.
Seriam os Estados Unidos um exemplo de honestidade e uma terra livre de corrupção? Vamos dar uma olhada em alguns aspectos desse problema por lá.

Liberdade

Fator cultural: Noção de corrupção nos Estados Unidos é diferente da do Brasil
(Foto: Reprodução Internet)

A “terra dos livres e lar dos bravos” foi construída com base no amor pela liberdade e pela força.
Tire dinheiro de um americano e ele te processa. Limite a liberdade dele e ele a recupera na marra, na bala ou na bomba atômica, se for preciso.
O detalhe é que essa liberdade inclui também dar e receber dinheiro. E isso torna o conceito de corrupção bem mais flexível.

‘Jeitinho americano’

Quando a doação de recursos de campanha política por empresas foi proibida nos Estados Unidos, em 2010, foram criados os “Super PACs”, comitês independentes que recebem dinheiro de pessoas físicas e jurídicas e os repassam a partidos ou candidatos.
Se isso fosse feito Brasil, viraria bagunça? Mais do que já é, com laranjas e elaborados esquemas de caixa 2 de campanha? Talvez não. O mais provável é que não haveria grande interesse por parte dos políticos, porque as doações a esses comitês não são secretas, e essa transparência talvez não seja assim tão atraente.

Lobbys bem à vista

Nos Estados Unidos, não existe nada de ilegal em oferecer dinheiro a um ou mais deputados para eles votarem de determinada maneira em um projeto. Já houve casos, inclusive, de organizações fazerem campanha entre a população para arrecadar fundos para esse fim.
Mas como os americanos lidam com um parlamentar que “vende” seu voto? Geralmente, negando a ele outro mandato.
Lá, os deputados representam distritos, e as eleições parlamentares são disputas majoritárias. Uma comparação grosseira: seria como se Volta Redonda, por exemplo, tivesse direito a eleger um deputado federal e dois estaduais. A competição seria exclusivamente entre candidatos da cidade, e os mais votados seriam os eleitos, sem a complicada conta do coeficiente eleitoral. Resultado: o eleito é alguém mais próximo do eleitor, que poderá cobrar dele a sua atuação. Se o eleito não agir como o eleitor quer, “bye-bye”.

Corrupção nas empresas

O colunista conhece, por experiência profissional, dos tempos em que atuava no jornalismo de tecnologia, manuais de ética de algumas das maiores empresas dos Estados Unidos.
Todas são contra a oferta de dinheiro ou outras vantagens em troca de contratos, e esse tipo de procedimento é motivo de demissão sumária e até processo judicial.
Uma das empresas chegava ao ponto de sugerir que presentes nunca deveriam custar mais do que 10% da renda mensal de quem o recebe, já que assim seriam um agrado, mas não uma vantagem indevida. No caso, a “renda mensal” deveria ser estimada. Lá, como aqui, é considerado falta de educação perguntar o salário de alguém, a não ser que seja extremamente necessário.
No entanto, sabe-se que algumas grandes empresas americanas foram apanhadas oferecendo dinheiro em troca de contratos ou mudanças legais que as beneficiassem.
Quando isso acontece, é o caos para a empresa, principalmente se ela tiver ações em bolsa. E os responsáveis são demitidos, ficando com a “ficha suja”; dificilmente voltarão a ser executivos.

Pelo mundo todo

Os Estados Unidos não são uma terra de santinhos. Há escândalos e corrupção lá. A Coreia do Sul, outra das nações mais avançadas e ricas do mundo, teve recentemente uma presidente afastada e presa por acusações de corrupção.
E no Brasil não está sendo muito diferente. Temos uma ex-presidente afastada, um ex-presidente preso, o colunista perdeu a conta de quantos ex-deputados e ex-senadores estão vendo o sol nascer quadrado.
As empreiteiras que tiveram seus nomes envolvidos em denúncias de corrupção passaram por uma série de problemas – incluindo balanços com prejuízo, que é a segunda pior coisa que pode acontecera uma empresa. A pior é quebrar de vez.
No Brasil tem corrupção? Tem. Mas estamos aprendendo rápido a combatê-la.

O risco do poder absoluto

Quando alguém adquire algum poder – seja dar licenças para construções ou liberar guias de importação/exportação – recebe automaticamente uma boa quantidade de pessoas interessadas em se favorecer desse poder.
Por isso, praticamente todos os postos de poder – seja no governo ou na iniciativa privada – têm mecanismos associados à prevenção da corrupção.
O problema é que quando alguém recebe poder absoluto e incontestável, não sobra ninguém para contestar seus atos. A simples denúncia de corrupção pode ser punida como uma forma de contestação ao regime.
Por isso, a melhor frase para encerrar esta coluna é de Lorde Acton: “O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

6 comentários

  1. Bolsonaro e Paulo Guedes, chorem na cama kkkkk

  2. Os EUA nunca foram modelo de país de primeiro mundo. Eles tem a maior população carcerária do planeta. Tem 37% dos cidadãos com passaporte contra 75% dos ingleses o que evidência um povo que não viaja e não faz questão de conhecer outras culturas e quando viajam o máximo que fazem é ir no spring break em Cancun. São líder mundial de massacres nas escolas. Dentre os países de primeiro mundo são lider em mortes por arma de fogo 30000 por ano. No ranking da educação eles figuram em apenas 19 mesmo tendo o maior PIB. É esse modelo de país fracassado que um candidato brasileiro bate continência e foge dos debates quer copiar liberando as armas com o lobby da indústria americana

    • Aqui o Zomi prende mesmo….alguns estados se marcar 3 vezes em 10 anos pega vida atrais das grades….quanto ao passaporte olha la na Russia qual e o pais mais presente na copa sem nem mesmo ter sido classificado. Povo aqui tem dinheiro e invade o mundo todo…..pode ver la no google. Escola ve la nos Nobels se nao nasceu aqui e professor de alguma faculdade americana. Escola tem pra todos ate mesmo pra quem e ilegal….mais tem as pestes que nao querem merda nehuma.. Arma liberada da nisso muitos mortos, mais nao sao tantos por assaltos e roubos e sim por pessoas rretardada mentais que precisavam estar em hospitais e longe das armas….Pais fracassado ????……nao acho nao a culpa do Brasil e apenas tua ELEITOR

  3. Me pareceu um recado anti-Bolsonaro…

  4. Ainda bem que o Brasil está aprendendo com os Estados Unidos a maneira correta de combater a corrupção….
    O que não pode é o Brasil seguir o exemplo da Vemezuela, que é um estado governado por traficantes e corruptos e a maior ignorância seria votar, por exemplo, no ignorante do Ciro Gomes, que aplaude a Venezuela e a considera um exemplo para o Brasil!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”….

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