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Direita versus esquerda ou liberal versus conservador?

Matéria publicada em 6 de Maio de 2018, 07:00 horas

 


Definição de posições ideológicas pelo critério de ‘direita’ e ‘esquerda’ confunde mais do que explica nos dias de hoje

A discussão política – que, diga-se de passagem, é muito importante e deve desempenhar um papel positivo no redesenho do Brasil – sofre muito quando as pessoas tentam enquadrar a complexidade do país atual num modelo que foi adotado há quase 250 anos, durante a Revolução Francesa: aquele que divide as posições políticas entre direita e esquerda, criando conceitos como “extrema direita”, “direita”, “centro-direita”, “centro-esquerda”, “esquerda” e “extrema-esquerda”.
Em tese, a direita é conservadora no que diz respeito a costumes, tratando as questões de gênero, aborto, uso de drogas e família de acordo com os valores tradicionais, enquanto a esquerda é liberal em todos esses assuntos.
Já no que diz respeito à questão econômica, a esquerda defende a presença de um Estado mais forte e de uma economia mais regulada, e, nos casos extremos, propõe a propriedade estatal de todos os meios de produção, o que caracterizaria o comunismo.
Enquanto isso, a direita defende a propriedade privada e a livre concorrência, assim como uma economia menos regulada. Em casos extremos, a direita defende o chamado Estado Mínimo, em que o governo interfere o mínimo possível na economia.
O problema é que a grande maioria dos políticos, atualmente, tem posições que misturam conceitos das duas ideologias, dependendo dos assuntos que serão tratados.

As incoerências do petismo

O PT é visto como o principal partido de esquerda no Brasil. Durante os cerca de treze anos em que governou o país, o partido de Lula e Dilma teve uma postura claramente esquerdista no que diz respeito a costumes, o que aliás foi muito combatido por seus adversários, forçando inclusive a um recuo histórico quando a discussão das questões de gênero nas escolas foi deixada de lado na formulação do currículo mínimo das escolas brasileiras.
No aspecto econômico, o PT foi errático: promoveu concessões de estradas e aeroportos e abriu a exploração de petróleo a empresas estrangeiras – duas posturas liberais.
Mas “segurou” artificialmente o preço da gasolina durante anos, fazendo com que, durante muito tempo, a Petrobras praticamente pagasse para fazer gasolina. Isso é uma postura tipicamente esquerdista.

As incoerências de Bolsonaro

O “queridinho” da direita, Jair Bolsonaro, é plenamente coerente com sua origem ideológica quando se revela contra a luta dos homossexuais pelo reconhecimento de uma série de direitos e combate o aborto e o movimento quilombola.
No entanto, em certos aspectos de seu discurso econômico, identificam-se posições esquerdistas: Bolsonaro se posicionou contra a privatização da Eletrobras, por exemplo. A estatização vai contra a “cartilha” liberal.

As incoerências de Trump

Vamos tomar como exemplo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pode ser classificado como um líder de direita: as posições dele no que diz respeito a política externa, por exemplo, com o endurecimento das relações e a tendência a recorrer ao uso da força militar, se encaixam nesse critério.
Mas a postura protecionista de seu governo, com o fechamento do mercado através da imposição de barreiras de importação, não são típicas do liberalismo econômico.

Nem lá nem cá: Até Donald Trump, o ícone da direita, toma atitudes ‘de esquerda’ em alguns momentos (Foto: Arquivo)

As incoerências do regime militar

A esquerda adora jogar a definição de “direitista” no regime militar que durou de 1964 a 1985. E, sob diversos aspectos, como o discurso nacionalista, a prioridade para a segurança nacional e o conservadorismo nos costumes, além da censura à imprensa e ao entretenimento, foi mesmo um regime de direita.
Mas nunca na história desse país se estatizou tanto. Tínhamos fábrica estatal de aviões, mineradora estatal, siderúrgicas estatais, empresas de telecomunicações estatais, uma variedade enorme de bancos estatais, enfim, a presença do Estado na economia era tão grande que certos países do Leste Europeu tinham uma economia menos estatizada que o Brasil.

A incoerência que deu certo (até agora) na China

A China é comunista, não há dúvida. O Partido Comunista é o único do país, a imprensa e a internet são vigiadas o tempo todo, a economia é totalmente planejada e controlada pelo governo.
Mas, para crescer a um ritmo inacreditável para um país tão grande, com quase um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes (quase seis Brasis), o governo chinês fez concessões ao capitalismo e, na disputa de mercado para produtos chineses, atua mundialmente com uma agressividade comparável á das maiores multinacionais.
Deu certo até agora. Pode ser que tanto estatismo e controle sobre a economia acabe trazendo consequências, mas é melhor torcer para que os chineses achem uma solução.
Uma sacudida na China, agora, geraria um efeito dominó que ia fazer a economia mundial tremer na base.

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

18 comentários

  1. O conceito esquerda direita surgiu na Revolução Russa.

  2. Pra mim , nem esquerda e direita e nem liberais e conservadores mas sim neoliberais que querem que o país seja entregue a qualquer estrangeiro e os nacionalistas que querem que a riqueza do país seja de seus habitantes

  3. Povo dizendo que PSDB é conservador kkkkkkk… Nunca! Os tucanos são loucos para liberar consumo de drogas e aborto, que conservadorismo é esse gente. De se observar que até o antigo concorrente tucano á presidência andava com o nariz branco.

    • Realmente, o Povo não sabe nem oq fala

    • Verdade. Não existe esquerda nem direita, como a mídia tupiniquim quer dividir a sociedade (ainda tem idiota q acredita nisso), no Brasil. Existe é quem paga o “cachê” maior……….

  4. Liberdade é bolsonaro.

  5. Legalzinho o texto! Meu voto é secreto…

    BOLSONARO PRESIDENTE

  6. E os de Centro?

    Nas duas últimas eleições 2012 e 2016 os prefeitos dos partidos de centro foram reeleitos com mais votos de antes. Nas regiões onde há esses prefeitos tbm os candidatos venceram. Ou seja, candidato de centro está sendo bem aceito perante a opinião pública que conhece o trabalho sério que fazem, sem tomarem ciência do que seja esquerda ou direita.

    Até o Alckmin, conhecido mundialmente por ser de direita (PSDB) está, nesta eleição, se dizendo que é de Centro, pois já percebeu que é o melhor caminho, além de evitar falar em direita. (vai enganar muitos eleitores do Samuca, certamente)

    • Assim como o samuca enganou seus eleitores
      Ao falar de aborto, ideologia de gênero e liberação de drogas, ficou o mais em cima do muro possível

  7. liberdade e propriedade

    Direta x Esquerda, não explica nada. Bem como capitalismo, não quer dizer nada.
    Na essência, o certo é liberal (liberdade) x Marxismo ou Comunismo (intervenção estatal na propriedade do cidadão).
    Liberal defende um governo neutro. Marxismo defende intervenção na vida econômica de cada cidadão.
    Assim como o estado é laico e todo mundo concorda, inclusive marxistas, o estado deve ser também liberal, livre de marxismo.

    O grupo que liderou a independência dos EUA, declarou após a vitória sobre a Coroa Inglesa: “Nos livramos do subjugo do Rei, daqui para frente seremos livres”. Criaram um governo liberal, que respeita a liberdade, a propriedade e a opção de cada cidadão, seu governo está ali somente para garantir a ordem.

  8. meu amigo paulo moreira, gostei da chamada, liberais x conservadores, mas no decorrer do artigo não fiquei tão satisfeito, por que há quem diga que não existem liberais no brasil, palavras do próprio reinaldo azevedo. Eu acredito que o Lula e um liberal, e o PT podia mudar o nome para partido liberal… ou partido trabalhista, tranquilamente… e os tucanos para partido conservado.. ficariam com os nomes mais próximos do que realmente são.

  9. Maniqueísmo só na cabeça do povāo…

    • Sim, e esse mesmo povão – tão manipulado – escolheu crer que nessa divisão entre o bem e o mal, direita é o bem e esquerda é o mal. Falta de aulas de história, o que não faz…

  10. Olha na prática o que vejo é o seguinte , o eleitor pensa se eu votar em tal pessoa vai ter ele algum benefício com ele.
    Exemplo quem é artista vota na esquerda devido a patrocínios, quem é estatutário, vota em quem não privatizar, quem é parente de militares vota em quem o valorizará…
    Enfim no Brasil de hoje cada um vê a sua causa.
    Há um estudo que para o italiano o mais importante é a religião, para o americano o país e para o Brasileiro o núcleo familiar da sua casa, ou seja Marido, mulher e filhos. Pais, irmãos, avós, tios, primos não estão incluídos.

  11. Meu. caro Paulo Moreira. Discordo de você quando você diz que no Brasil existe ESQUERDA E DIREITA. Isso não existe aqui no nosso País, o que existem são grupos que se juntam em partidos, para saquear o dinheiro público, com raríssimas exceções. Ideologia para essa gentalha está muito longe, e se você quiser juntar os HONESTOS em Brasilia, você consegue encher uma VAN e olhe lá.

  12. É interessante ver que as duas ideologias são usadas conforme a necessidade dos casos.
    Mas caro autor, acho que você errou ao citar apenas PT e Bolsonaro no seu texto; poderia tê-lo postado sem estas partes. Assim você foge de falar genericamente, podendo ser confundido até como militante de alguma outra parte.
    Se quiser falar de partidos e candidatos no Brasil, amplie e fale de todos ou quase todos.
    Fica a dica!

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