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E l√° se foi mais uma copa do mundo

Matéria publicada em 13 de julho de 2018, 08:11 horas

 


E as opera√ß√Ķes de resgate marcaram a semana que passou

Na sexta-feira passada, como bem se recordam, o can√°rio belga detonou com o canarinho pistola e o Brasil foi eliminado da Copa da R√ļssia. Se por um lado o resultado frustrou as esperan√ßas de um hexacampeonato, por outro lado o pa√≠s voltou √† normalidade. Durante os jogos do Brasil as escolas suspendiam as aulas, o com√©rcio fechava as portas e l√° em Pinheiral, onde moro, at√© os √īnibus sumiam das ruas. Quem precisava do transporte coletivo ficava uma hora, em m√©dia, esperando no ponto, pelos poucos coletivos que ainda circulavam.

J√° vi muitas copas do mundo, mas nenhuma foi t√£o vergonhosa para os brasileiros quanto esta copa da R√ļssia. Teve o epis√≥dio lament√°vel dos torcedores importunando e falando bobagens para jovens russas que nem sabiam o que estava acontecendo. E teve o teatro do Neymar que rolava no ch√£o e se contorcia tentando criar faltas inexistentes. Ou seja, fora do campo o mundo viu a falta de educa√ß√£o dos brasileiros. Dentro viu a desonestidade. Porque ao menor esbarr√£o o nosso ‚Äú√Ās do futebol‚ÄĚ simulava uma fratura exposta, com direito a caretas e esgares de dor.

Encenação: Malandragem do nosso craque não deu resultado РFoto: FIFA

Dizem que Neymar tem 44 tatuagens no corpo. N√£o posso afirmar, nunca contei. Se for verdade, ele est√° se aproximando do Homem Ilustrado, personagem do escritor norte-americano Ray Bradbury. Antes da Copa o nosso homem ilustrado era um her√≥i para crian√ßas de todo mundo. Agora virou motivo de piada. Em escolinhas de futebol do mundo inteiro sempre que algu√©m grita ‚ÄúNeymar‚ÄĚ as crian√ßas caem no ch√£o e rolam fazendo caretas. Nosso her√≥i do futebol ficou desmoralizado e dificilmente conseguir√° recuperar a imagem perdida.

Al√©m da Copa do Mundo a semana ficou marcada pelas opera√ß√Ķes de resgate. Na distante Tail√Ęndia uma equipe internacional de mergulhadores conseguiu retirar aqueles doze meninos presos dentro de uma caverna inundada. Numa demonstra√ß√£o de per√≠cia e coragem. Aqui no Brasil tivemos a tentativa de resgate do Lu√≠s In√°cio da Silva, o Lula, preso por corrup√ß√£o na Pol√≠cia Federal de Curitiba e que foi mal sucedida. Na Tail√Ęndia o hero√≠smo bem sucedido, no Brasil a malandragem petista que fracassou.

Agora temos quatro anos, at√© 2022, para tentar arrumar a casa e melhorar a imagem do Brasil. √Č preciso entender que quando viajamos para um pa√≠s estrangeiro, somos h√≥spedes, estamos visitando a casa dos outros e n√£o podemos nos comportar como se estiv√©ssemos na nossa casa. Aquele espet√°culo dos torcedores brasileiros cantando funks pornogr√°ficos para as mulheres da Pra√ßa Vermelha, ou fazendo mo√ßas indefesas repetirem palavr√Ķes ou pornografias n√£o pode se repetir no Quatar. Pa√≠s isl√Ęmico onde esse tipo de espet√°culo pode ter consequ√™ncias mais s√©rias.

Talvez seja uma boa ideia mudar o s√≠mbolo da sele√ß√£o. Esse neg√≥cio de canarinho n√£o traz boas lembran√ßas. Ainda me lembro da copa de 1966, quando alguns dos meus leitores ainda nem eram nascidos. Na √©poca a sele√ß√£o brasileira parecia imbat√≠vel. Tinha conquistado o campeonato na Copa de 1958 e o bicampeonato na Copa de 1962. Por isso o s√≠mbolo da sele√ß√£o de 66 foi chamado de ‚Äúcanarinho do tri‚ÄĚ. E os jornais e a televis√£o s√≥ falavam no ‚Äúcanarinho do tri‚ÄĚ. A√≠ veio a Copa e o Brasil foi derrotado antes mesmo das finais. Um jornal carioca publicou a charge do nosso can√°rio todo machucado, dizendo: ‚ÄúFui tri-turado!‚ÄĚ

Outra coisa que n√£o d√° certo √© subestimar os advers√°rios. Na Copa de 1982 a Rede Globo criou um personagem, o Araken, para zoar com nossos advers√°rios. Na v√©spera de um jogo com a Espanha o comediante se fantasiou de toureiro e disse que o Brasil ia dar ol√© na Espanha. O Brasil perdeu e o Araken foi demitido na hora. Nesta Copa um jornal do mesmo grupo zombou da sele√ß√£o mexicana dizendo que √≠amos dar uma ‚Äúchapoletada no Chapolin‚ÄĚ. Realmente vencemos o M√©xico, mas ca√≠mos no jogo seguinte. ¬†Agora temos quatro anos para evitar que a hist√≥ria se repita.

5 coment√°rios

  1. Meu nome é Zé Pequeno!

    Ufa! Até que enfim terminou a Copa do Mundo.
    Não é porque eu não goste de futebol nem torça pela seleção brasileira.
    Agora iremos descobrir as maldades praticadas contra o povo brasileiro.
    Afinal! Na Copa do Mundo a seguran√ßa p√ļblica melhorou, as escolas passaram a educar melhor as futuras gera√ß√Ķes de brasileiros, os hospitais p√ļblicos passaram a funcionar melhor, os transportes p√ļblicos est√£o funcionando melhor, o desemprego abaixou,etc.
    Tudo num passe de m√°gica!
    “Plim-Plim”!

  2. QUER CAIR!QUER CAIR!O NEYMAR VAI TE ENSINAR…….REFR√ÉO KKKKKKK

  3. O Brasil vive na periferia do mundo civilizado. Isso se reflete em tudo…no futebol, na pol√≠tica e at√© mesmo quando viajamos. Somos um povo ignorante q acha q tudo gira em torno do “eu”. Farinha √© pouca, meu pir√£o primeiro. N√£o se muda um pa√≠s de cima pra baixo.

  4. Bela cr√īnica, de leitura agrad√°vel, mas com um erro superficial. Arak√©m era personagem na Copa de 86, a do Maradona. Na de 82 tinha o Pacheco, garoto-propaganda da Gillette… Quanto √† zoeira e ao desrespeito, isso n√£o foi exclusividade nossa. Mexicanos, colombianos, argentinos e latino-americanos em geral protagonizaram epis√≥dios igualmente detest√°veis… O brasileiro tem seus defeitos, mas sempre tem algu√©m tentando nos superar…

    • Arthur Rodrigues Alves

      Desculpas, sempre assim, sendo assim eles se jogando em um buraco, vamos também!?
      Claro que n√£o, sendo assim, se fazem, problemas deles, temos que fazer diferente, pois uma coisa √© certa. CERTO √Č CERTO / ERRADO √Č ERRADO. N√ÉO VAMOS MISTURAR AS COISAS. CARATER N√ÉO SE CONQUISTA, SE TEM!

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