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Empoderamento, a palavra da vez

Matéria publicada em 8 de junho de 2018, 07:13 horas

 


Não faz muito tempo, somente sete anos que a palavra empoderamento tem estado na boca de muitos, sobretudo das mulheres. Mas foi a partir de 2013 que ela se incorporou definitivamente na vida dos brasileiros, passando a fazer parte dos discursos; matérias publicadas em jornais, revistas e livros; dita no rádio, TV, cinema e teatro e principalmente nas ruas, nos protestos e marchas em prol de mudanças, sobretudo de ordem social. A palavra acabou sendo adotada por inúmeros movimentos sociais e hoje é largamente utilizada, inclusive por entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Empoderamento tem marcado inúmeros discursos mostrando, sobretudo, que as mulheres estão a cada dia conquistando mais e mais o seu espaço, mas se engana quem pensa que empoderamento é algo exclusivo delas. Esta palavra “revolucionária” conceitua o ato ou mesmo o efeito de promover uma real conscientização e tomada de poder, influenciando não apenas uma pessoa, mas também um grupo. Sua ação busca promover mudanças significativas de ordem social, política, econômica e cultural. Ela sinaliza o poder de decisão.

Se falarmos de mulheres que deixaram sua marca, até mesmo antes do empoderamento entrar para ordem do dia, teremos: Chiquinha Gonzaga, Anita Garibaldi, Carmen Miranda, Leila Diniz, Lota Macedo, Zuzu Angel, isto só para citar algumas. Lá fora tivemos Rosa Parks, uma fabulosa personagem negra da história americana que em 1955 se recusou a ceder o seu lugar no ônibus a um homem branco, tornando-se a ponta de lança do movimento que foi chamado de boicote aos ônibus Montgomery, marcando o início da luta antissegregacionista. Ainda Indira Gandhi, Marie Curie e a extraordinária Malala Yousafzai, que através da sua dor em uma luta marcada pelo seu próprio sangue, tem mudado aos poucos a face do seu país, o Paquistão, que proíbe as mulheres de estudar, além de inúmeras outras restrições.

Esses são alguns nomes que representaram e ainda representam a mudança através das lutas, não necessariamente armada, mas sim apaixonada pelo outro, buscando marcar e abrir espaço não somente para mulheres, mas também para os homens, porque inegavelmente quando uma ação de luta e consequentemente de conquista acontece, são capazes de abrir espaço para todos, indistintamente.

Diz-se que a palavra empoderamento não nasceu da boca de uma mulher e sim de um homem: Paulo Freire. Indiscutivelmente um dos mais influentes pensadores do século XX, falecido em 1997, foi o primeiro a usar esse neologismo no dia a dia como educador.

Na verdade esta palavra já existia na Língua Inglesa: Empowerment e seu significando é “dar poder” a alguém para realizar uma tarefa sem precisar da permissão de outras pessoas. Já o conceito de Paulo Freire segue uma lógica bem diferente. Para ele, a pessoa, grupo ou instituição empoderada é aquela que realiza as mudanças que a levam a evoluir e se fortalecer.

Como a palavra ganhou força a partir das colocações feitas pelas mulheres, este empoderamento feminino consiste na concepção de exigir a equidade de gênero, de forma democrática. Uma forma objetiva de desafiar às relações patriarcais que ainda tomam conta do nosso país. É a luta por uma mudança da dominação tradicional dos homens sobre as mulheres, dando a estas a inadiável autonomia no que se refere ao controle de tudo, sobretudo de seus corpos, além da sua forma de pensar e agir, deixando de ser submissa aos mandos masculinos.

O empoderamento é a palavra que starta a consciência para os problemas que afligem a todos, mas acima de tudo as mulheres que deve e constantemente buscam mecanismos para combatê-los. Jamais será emancipação pensar que as novas tecnologias abrem portas para a visibilidade feminina, enquanto persistir a divisão sexual sobretudo no trabalho, enquanto o termo feminino não se impor, o empoderamento não terá de fato deixando a sua marca.

Duas frases, a meu ver, marcam essa mudança, esse empoderamento de fato e de direito. “Eu não me dou o respeito, porque ele é meu por direito.” e “Por trás de toda a mulher bem-sucedida, existe ela mesma”.


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2 comentários

  1. Como diz meu filho de todos os super heróis ele queria ter os poderes do Batman.
    Os poderes de ser milionários…
    Rsrs.

  2. Sempre existiu nos séculos passados e até hoje mulheres, homens empoderados que ficaram famosos e podemos ler estórias de pessoas que se destacaram por serem empoderadas, senhores de si, donos de suas vidas e de suas vontades sem se importarem com a opinião alheia. Hoje a palavra empoderado ficou pop, todo mundo fala como se fosse uma descoberta, mas eu observo que mesmo com tanta modernidade, tecnologia e cultura a nossa disposição os jovens não querem saber de empoderamento e sim entrar numa de ser subservientes, andar curvados e manipulados, pelo menos é o que tenho lido em redes sociais e ouvindo de alguns jovens pessoalmente, acho que nem percebem o que falam, me assusta muito, tomara que seja passageiro, só uma impressão equivocada da minha parte.

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