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Entre turnos e rezas: melhor negociar

Matéria publicada em 22 de outubro de 2017, 07:05 horas

 


Sobre como conversar antes de tomar uma decisão pode evitar desgastes financeiros e de imagem

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Na semana que terminou neste sábado, dois assuntos chamaram a atenção deste colunista: a primeira reunião entre a CSN e o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense após a suspensão do turno fixo de oito horas para negociação e a ordem judicial que impediu a Secretaria Municipal de Educação de Barra Mansa de implantar na rede municipal de ensino a oração do ‘Pai-Nosso’.

O turno: CSN negocia para não brigar na Justiça

No primeiro caso, a CSN, em termos estritamente legais, sempre teve a faca e o queijo na mão. A Constituição Federal fala em “turno de revezamento” de seis horas, o que deixa o turno fixo ao critério do empregador, desde que respeitado, claro, o limite legal das jornadas de trabalho semanais e mensais. As montadoras que operam na região usam o turno fixo na área de produção – isso quando o mercado gera demanda para tanto.

Desde que os trabalhadores rejeitaram, em 2007, a renovação do acordo do turno de revezamento de oito horas, a empresa poderia ter implantado o turno fixo – até o de doze horas. Não fez isso. Deve haver motivos para não “apelar” para o turno fixo, além da rejeição da medida por parte dos trabalhadores.

Agora, com o mercado em crise e uma reforma trabalhista apitando na curva, a CSN tentou de novo voltar ao turno de oito horas. Diante de mais uma negativa dos empregados em negociar o retorno do turno que valia até 2007, a Companhia “deu um murro na mesa”: partiu para o turno fixo, com a sutileza de um rinoceronte em disparada e a leveza de uma locomotiva sem freios.

Quais seriam as alternativas do sindicato e dos trabalhadores, se a empresa se mantivesse firme nessa decisão? Partir para uma greve, que teria grandes chances de dar errado por falta de adesão, ou tentar a via judicial – mas sabendo que a lei trabalhista e a Constituição estão ao lado da CSN.

A ação na Justiça poderia render algumas liminares suspendendo o turno fixo, mas provavelmente ia acabar com vitória da empresa.

Por que a Companhia decidiu, então, suspender o turno fixo e negociar o de revezamento?

Bem, vários dos advogados que o colunista conhece dizem que “é melhor um mau acordo do que uma boa briga”.

Forçar o turno fixo “goela abaixo” dos empregados e do sindicato seria até possível, mas iria criar uma situação que poderia reduzir, em vez de aumentar, a produtividade, além de colocar em risco a qualidade do processo siderúrgico e fazer a empresa enfrentar uma longa e cara briga judicial.

Em resumo: geraria custos.

O colunista não teve acesso aos números, mas é capaz de apostar que algum cálculo indica que a negociação é a saída mais rentável para a empresa.

Se a CSN não aceitou negociar porque é boazinha, o sindicato também não fez pé firme, acenando com a possibilidade de greve, por ser quixotesco. Na verdade, os dois lados agiram com estratégia.

Partindo do princípio de que a diretoria do sindicato entende de CSN, eles sempre souberam que, embora a empresa tenha suporte legal para implantar o turno fixo, essa alternativa não seria a melhor.

A estratégia do sindicato foi colocar a greve e a negociação na mesa. A diretoria provavelmente acreditava que os trabalhadores votariam pela negociação, e calculava que a empresa suspenderia o turno fixo caso os trabalhadores tomassem essa atitude.

Deve haver algumas rodadas de negociação antes que uma proposta venha a ser votada, mas uma coisa é quase certa: o turno será de revezamento e de oito horas.

Sem necessidade de briga judicial: a CSN provavelmente vai fazer algumas concessões e o sindicato vai levá-las aos trabalhadores. É assim que conseguem soluções pacíficas.

A reza: Justiça muda uma decisão pouco pensada

A ordem para que em todas as escolas municipais se rezasse o “Pai-Nosso” antes de as crianças entrarem para as aulas veio de uma simples ordem de serviço assinada pelo secretário municipal de Educação de Barra Mansa. Trata-se de um instrumento administrativo, e o Sepe-BM entendeu que a medida fere os princípios da laicidade do Estado e da liberdade religiosa.

O colunista não acredita que a Prefeitura de Barra Mansa achasse que a decisão seria aceita sem resistências. Qualquer advogado que fosse consultado provavelmente teria advertido sobre a facilidade com que a ordem seria questionada nos tribunais.

Mas não houve negociação. O secretário de Educação usou sua prerrogativa de emitir ordens de serviço. A resposta do Sepe foi questionar a atitude judicialmente.

Teve sucesso.

A Prefeitura agora vai recorrer. Vai haver um longo e custoso processo pra decidir se as crianças rezam ou não.

Para o bem e para o mal, as imagens da Prefeitura de Barra Mansa (pela reza) e do Sepe-BM (contra a reza) vão estar expostas nas redes sociais.

Tudo isso poderia ser evitado se houvesse negociação.

 

Estratégia: Trabalhadores decidem dar a autorização para o Sindicato dos Metalúrgicos negociar o turno de oito horas (Foto: Paulo Dimas)

Estratégia: Trabalhadores decidem dar a autorização para o Sindicato dos Metalúrgicos negociar o turno de oito horas (Foto: Paulo Dimas)

 

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

12 comentários

  1. Os operários tinham que lutar e pelo turno de 12 horas.
    Eu faço e digo que é muito bom

  2. Peladinha da coqueria

    Precisamos entender que o pião ter aceitado a negociação não mérito do sindicato. É medo de ser mandado embora. E se de fato 1.000 empregados podem ser mandado embora com o turno de 8 horas, como diz o sindicato, então que ele consiga nas reuniões com a empresa um documento oficial e assinado garantindo estabilidade de emprego. Ele já fez conseguiu isso em outras empresas, porque não na CSN? A resposta é: porque ele é ruim e não favores os empregados. Não tem um sindicato que briga de verdade por nós. E no entanto a reforma trabalhista vem para acabar de vez com eles. Para o pião dá na mesma ter ou não ter sindicato, pois é sempre a vontade da csn que vai vigorar. O sindicato já até aceitou a solução paliativa, ou seja, enfia abono no pião. E o pião acuado e com medo acaba pegando mesmo, e todo mundo sabe que abono é dinheiro ao vento, que o pessoal gasta e vai embora. A briga deveria ser para incluir duas horas a mais de trabalho em folha de pagamento, gerando todos os reflexos em férias, 13°, fgts e horas-extras. Mas com um sindicato desse não resta mais nada para o trabalhador a não ser baixar a cabeça e entrar no abatedouro.

  3. “Quais seriam as alternativas do sindicato e dos trabalhadores, se a empresa se mantivesse firme nessa decisão? Partir para uma greve, que teria grandes chances de dar errado por falta de adesão, ou tentar a via judicial – mas sabendo que a lei trabalhista e a Constituição estão ao lado da CSN.”

    Meu caro, você diz em sua matéria que ambos os lados (CSN e Sindicato) usaram de estratégia. A CSN sim, eu concordo. Mas o Sindicato fez aquilo que se espera sempre, ou seja, abriu as pernas. Essa é a estratégia deles, além de se unirem a CSN para forçar os trabalhadores a engolir um turno de 8 horas. Em alinhamento, sindicato e csn estão caminhando juntos – cada qual com seu papel neste processo. O sindicato nessa história toda é fraco e em franca desvantagem se quiser partir para a briga, fazer greve e etc…e agora, o que ele fará, é valorizar ao máximo essas reuniões de negociação – eles precisam disso! A imagem da diretoria do sindicato, do Silvio como presidente, foi abaixo do chão com toda esta história. Aqui na região, todo mundo sabe, é a CSN quem elege chapa em eleição sindical. As demais empresas da região juntas, contando só aqueles que podem votar (os sindicalizados), não vão conseguir salvar aquela chapa que não tiver um bom desempenho de votos dentro da CSN. E no voto limpo a diretoria atual do sindicato não ganha mais em 2018. Por este (csn/turno) e por outros desgastes de imagem a mais nas outras empresas. Esta atual diretoria, inclusive, é a mais fraca de todas em pelo menos 20 anos. E o Silvio como presidente é péssimo. Ele não tem perfil para sindicato. O perfil dele é para empresário. A fala dele com essa turma de empresários é mansa demais da conta. Se uma empresa ameaça demitir, por exemplo, só falta ele pedir pelo amor de Deus – e não engrossa a voz de jeito nenhum. Quer dizer, um sindicalista mediador e bonzinho demais com os empresários não dá em nada. Não se espera nada. Coitado dos trabalhadores.

  4. Qualquer coisa é melhor que o turno fixo não da e fazer escala de cinco por um isso é marcar o peão

  5. Nós vivemos uma decadência na área da educação, pois enquanto os professores, imbuídos da fé comunista, falavam livremente sobre a importância de votar nos partidos políticos como PT, PSol, PCdoB, etc… o SEPE não via nada, não sabia de nada, nunca tinha ouvido falar sobre esse comportamento não republicano dos professores e era como um gatinho que miava…
    Contudo, se os professores resolvem introduzir a fé cristã, que tem procedimentos opostos à fé comunista, aí o SEPE fica nervosinho, começa a ver tudo, sabe de todos que rezam, já ouviu falar de todos que professam essa fé estranha à eles e se transformam de um gatinho em um leão bravo, rugindo furiosamente e pronto para devorar qualquer um que reza o “Pai-Nosso”….

    • Vem cá, guto, me convenceu a orar: vou entrar na sua rezinha.

    • Não tomou seu remedinho, né. Mamãe falou q está em cima da geladeira, ela tbm disse p vc toma-lo na hora certa p evitar que tenha delírios e mania de perseguição………

    • Guto é um aiatolá das hóstias com mania de perseguição, que vive surtando. Tarja-preta venceu…

  6. A CSN é uma mãe, dá vale-alimentação… a peãozada e sindicatos adoram um mimimi…
    E tem que botar a criançada pra rezar sim, pai-nosso, Ave Maria, salve-rainha. E quem não rezar leva ZERO.

  7. Idiotices danada, a lei não está a favor da empresa, parece ser mais um caso de financiamento da CSN aqui.

  8. Quanto ao turno de 8 hs com revezamento, que já foi praticado na CSN anteriormente, sem dúvida alguma, para a Empresa é excelente, e para o peão não é de todo ruim. O de seis horas, foi conquistado na ERA ESTATAL, quando Sindicato impunha muitas coisas na Empresa. Já nos dias de hoje, principalmente com a recessão que estamos vivendo, é pegar logo essa mudança, pois do jeito que a coisa vai, Sindicato tende a perder totalmente a força. Já vão perder a boca do UM DIA DE TRABALHO, pois só os trouxas concordarão em pagar isso . Quanto ao PAI NOSSO nas Escolas, essa oração é ECUMÊNICA, pertence a TODOS os CRISTÃOS. Na minha opinião melhoraria as nossas crianças, pois a maioria nem sabe mais rezar. Parabéns pelo artigo Paulo.

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