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Escárnio

Matéria publicada em 21 de novembro de 2015, 08:15 horas

 


Rio Doce de amargo que está vai deixar de existir; tomara que essas outras represas não passem da ameaça

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O fenômeno Cunha só pode ser fruto de uma fértil, criativa, porém doentia imaginação.
Ele não existe! Não paira como nos faz crer com aquele sorriso daqueles que se sentem acima do bem e do mal.
Não, ele é apenas um fenômeno visual, auditivo. Até porque nenhum presidente da Câmara poderia mentir tanto com tantos olhos voltados para si.
Haja cara-de-pau!
E essa cara-de-pau não é só de um potencial presidente da República. O que está rolando no entorno desta figuraça, não está no gibi.
A ciranda de interesses envolve as principais correntes políticas do país.
E ele vai aprovando leis que são um tremendo retrocesso para os brasileiros. Ele, óbvio, e seus parceiros, notadamente aqueles que ele bancou nas eleições. Todo mundo deve ao grande chefe. É muita gente.
Voltando ao terreno dos mortais, o rio Doce de amargo que está vai deixar de existir. Os peixes, as primeiras vítimas. O Eco sistema já foi pras cucuias.
Tomara que essas outras represas não passem da ameaça. Inaguentável. Com tudo de ruim que está acontecendo, as intermináveis secas, as chuvas inundando cidades e nos grandes centros as balas achadas (sempre as perdidas “acham” cidadãos que não estão envolvidos nos embates, quando há, entre policiais e traficantes), um outro rompimento de represa nem precisa. As cidades vizinhas já vivem o pavor de outro tisumani de lama.
Voltando à incidência crescente do fenômeno das balas “achadas”, que são seletivas, apontadas para quem já vive em sobressaltos, é bom que se diga que para haver vítimas não é necessário nenhum embate. Vítimas, muitas das quais são assassinadas friamente pelas costas, frutos de “confusões” improváveis, são frequentes no noticiário.
Está difícil viver (não é de hoje) com todas as crises, erros de condução de quem governa;  desvio de dinheiro público aos montões; falta de escrúpulo de dirigentes no geral; problemas sérios na área da saúde e outras mazelas inacreditáveis que passam pelo Judiciário;  temos que conviver com talvez o pior Congresso de todos os tempos.
A corrupção grassa em todos os poderes e estamos apenas começando uma geral absolutamente necessária.
***
Os 3X0 sobre o Peru não são nenhuma novidade. A única possibilidade de que o jogo pudesse ter sido duro, seria sido um gol deles na frente. Mas, o Guerrero perdeu a boa chance, como vem ocorrendo no Flamengo.
Muito bom que o William se mantenha como boa opção, solução de ataque, e o Douglas Costa tenha reafirmado suas boas atuações do Bayern.
Neymar, pelo meio como acontece agora no Barcelona, com liberdade é melhor do que estacionado na ponta esquerda. Não foi bem como se espera dele.
Do esquema, sinto falta de um centroavante de referência. É melhor para todos. É uma perspectiva mais ofensiva. Uma opção.
***
Morreu Iná Meireles.
Médica, recebeu com sobriedade a notícia de que o câncer se espalhara pelo corpo.
Companheira de luta contra ditadura, após sua saída da prisão política, se dedicou, como sempre, à luta pelos direitos humanos e foi fundamental na retaguarda das lutas e greves de fome dos presos políticos do Rio de Janeiro e do Brasil.
Importante figura na luta pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.
Amiga, visita excepcional por seu humor e carinho, era reverenciada por todos nós, admiração que ultrapassava nossas necessidades de uma ponte importante com o mundo político exterior.
Inazinha, como a chamamos.
Linda, graciosa, muito forte em suas convicções, uma lembrança pra sempre viva.
Eterna.
Estará lado-a-lado com quem, como nós, companheiros e amigos, tivemos o privilégio de curti-la em todos os sentidos.
Amiga, irmã, para sempre companheira, até daqui a pouco.

 

NELSON RODRIGUES | nelson.filho@diariodovale.com.br

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