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Expansão do Universo é mais rápida do que se imaginava

Matéria publicada em 2 de fevereiro de 2017, 07:05 horas

 


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O universo está se expandindo com uma velocidade muito maior do que se imaginava. A descoberta foi feita por um grupo de astrofísicos do Instituto Max Planck, da Alemanha, e da Escola Politécnica Federal, da Suíça. Eles mediram a constante de Hubble a partir da imagem de quasares distantes. Os quasares são núcleos brilhantes de galáxias ativas que se encontram a bilhões de anos luz da Terra. Frequentemente a luz desses faróis distantes é multiplicada por galáxias mais próximas criando um efeito conhecido como “lente gravitacional”.

Usando os telescópios espaciais Hubble e Spitzer a equipe, liderada pelos astrofísicos Sherry Suyu e Frédéric Courbin, chegou a um valor para a constante de Hubble de 71,9 quilômetros por segundo por megaparsec (um megaparsec é 3,26 milhões de anos-luz e um ano-luz é nove trilhões de quilômetros). A medida antiga, feita pela equipe do satélite europeu Planck, em 2015, era de 66,9 quilômetros por segundo por megaparsec.

As novas medições conferem com as observações feitas pela equipe do prêmio Nobel Adam Riess, no ano passado. Ele usou um método diferente, baseado em estrelas variáveis conhecidas como Cefeidas e na radiação cósmica de fundo. Ainda não existe uma explicação para essa expansão rápida. Talvez ela seja provocada pela energia escura, que estaria aumentando desde a formação do universo há bilhões de anos atrás. Ou pode ser uma consequência de uma falha na teoria da gravidade de Einstein.

Até o início do século passado a maioria dos astrônomos acreditava que o Universo, ou seja, tudo o que existe, era infinito no tempo e no espaço. O vasto mar de estrelas que observamos a noite, no céu, não teria começo nem fim. Esta concepção mudou a partir das observações feitas pelo astrônomo americano Edwin Hubble, que deu nome ao telescópio espacial da Nasa e a constante que mede a velocidade com que as galáxias se afastam de nós.

Hubble descobriu que todas as galáxias estavam se afastando da Terra com velocidade crescente. Quanto mais distante uma galáxia, mais rápido ela se afastava de nós. Mas a Terra, o nosso planeta, não se encontra no centro do Universo. Ela faz parte de uma galáxia chamada Via Láctea, que está se afastando das outras galáxias como tudo o mais.

Isso levou os cosmólogos, como o padre Lamaitre, a concluírem que o Universo tinha surgido de uma grande explosão, o Big Bang, que teria acontecido há 13,8 bilhões de anos. No começo o Universo estava concentrado em um ponto de densidade infinita, menor do que a cabeça de um alfinete. Hoje ele abrange uma esfera com bilhões de anos luz de diâmetro. Essa esfera é uma bolha gigantesca de espaço e tempo. Fora dela não existe espaço, nem existe tempo.

Até o século passado os cosmólogos discutiam se essa bolha ia continuar se expandindo para sempre, ou se ia se contrair e tudo voltaria a ser esmagado em um ponto. Isso dependeria da quantidade de matéria existente em todo o Universo. Se fosse muito alta a força da gravidade superaria a expansão e o Universo voltaria a se contrair.

Todavia, medições feitas no século XXI mostram que existem outras forças em ação. Forças que fazem o Universo se expandir a uma velocidade muito maior do que era considerado possível.

Para nós seres humanos, que vivemos em um grãozinho de areia, em um canto remoto desse vasto cosmos, a expansão do universo não tem nenhuma consequência prática. Nossa galáxia continuará existindo por bilhões de anos no futuro, muito depois da espécie humana ter se tornado extinta. Ou ter se transformado em alguma coisa inimaginável.

Mas a pesquisa das forças que movem esta expansão pode revelar novas fontes de energia. O que seria muito útil para livrar nossos descendentes da dependência de fontes de energia poluidoras como o carvão e o petróleo.

 

Longe: Lentes gravitacionais multiplicaram imagem de quasares

Longe: Lentes gravitacionais multiplicaram imagem de quasares

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. Adorei as explicações. Vivendo e aprendendo. Muito, muito leiga, mas bastante interessada no assunto. Parabéns pela explicação, didática e com bom conteúdo.

  2. Esta é a beleza do método científico:, se aperfeiçoar com a descoberta de novas evidências chegando cada vez mais próximo da verdade sobre como funciona nosso maravilhoso universo. Com a chegada do telescópio James Webb no ano que vem, poderemos ter informações ainda mais precisas no futuro.

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