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Funeral à parmegiana

Matéria publicada em 6 de março de 2018, 07:00 horas

 


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Tenho um grande amigo de infância (literalmente grande, porque ele era bem avantajado nas lateralidades) que afirmava que quando morresse dispensaria as flores no funeral, preferia mesmo um fumegante bife à parmegiana. Bem apropriado para o seu biótipo e seu humor inabalável, embora uma antecipação um tanto bizarra para um menino de 14 anos.
Seu desejo me pareceu esdrúxulo até a semana passada, quando soube que na China costumam contratar strippers para “animar” os funerais.
– No meu enterro não quero ninguém com cara de velório. Quero uma festa bem excitante !
Fiquei pensando na razão desse hábito estranhíssimo. Seria uma derradeira tentativa de reanimar o falecido?
Segundo me informei, na China, sobretudo em comunidades rurais, ter uma grande audiência no enterro é sinal de prestígio, então as famílias contratam dançarinas, artistas e músicos para aumentar a frequência ao funeral.
Pode parecer piada de mal gosto, mas eles chamam até humoristas para animar a “festa”.
O morto lá estendido no caixão e a viúva morrendo de rir das piadas.
Segundo a tradição, fazer do funeral um grande evento cheio de pessoas, seria uma forma de honrar o falecido.
Um renomado professor de uma Universidade Chinesa, Huang Jianxing, afirmou que as danças eróticas são uma tradição cultural que simbolizam o desejo do falecido de ser abençoado com muitos filhos.
Como assim? O sujeito não tá morto feito um presunto? Como então ele vai ter filhos? A stripper teria que possui poderes sobrenaturais para fazer o sujeito levantar. Tem sujeito aliás que já não levanta nem quando vivo.
Seja como for, agora o Governo da China está querendo proibir essa tradição. Deves ser porque não paga imposto.
Mas Cultura é Cultura e cada parte do mundo tem a sua.
Em se tratando de funerais, os Filipinos também têm suas esquisitices. Habitantes de Tinguian costumam deixar o morto com suas melhores roupas e em poses triviais, como sentados, por exemplo, para parecer que ainda estão vivos. E o povo de Sagada faz algo ainda mais esquisito: coloca os caixões pendurados em penhascos, para que a alma do falecido fique mais próxima do céu.
Pelo menos não tem risco da pessoa morrer de novo se o caixão cair do penhasco.
Na Coréia do Sul já existe uma empresa que transforma as cinzas da pessoa incinerada em miçangas que enfeitarão joias e colares.
– Marcela onde você comprou esse colar? Lindo de morrer! Como eu faço pra ter um assim também?
Bom, seja como for, eu só quero avisar que se quiserem me fazer honrarias e oferendas, sejam dançarinas ou bifes a parmegianas, que o façam em vida que me será de maior serventia.

 

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

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