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Genocídio brasileiro

Matéria publicada em 20 de outubro de 2017, 07:00 horas

 


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“Que país é esse?”, já cantava Renato Russo em sua música escrita em 1978. De lá para cá a única coisa que mudou foi a quantidade de vezes que repetimos esse refrão.

A pergunta não cala e a solução não vem. As gerações continuam a replicar a pergunta e a resposta nunca é dada.

Vivemos em um país de dimensões fantásticas, somos o quinto maior do mundo. Dentro do Brasil caberiam pelo menos outros 25 países, somos gigantes no tamanho e em muitas outras coisas, inclusive na ignorância, no trato com o povo que convive diariamente com todo o tipo de carência e negligência. Somos vítimas na saúde, educação, segurança, saneamento básico, transporte entre outros, algo que nos coloca entre os piores países do mundo, distante ano-luz dos países do Primeiro Mundo.

Somos o país do jeitinho que vai pouco a pouco se transformando em genocídio, algo feito de maneira deliberada, com consentimento de muitos daqueles que deveriam por dever, porque assim optaram, cuidar dessa terra.

Genocídio é um plano coordenado, com ações de vários tipos, que objetiva à destruição dos alicerces fundamentais da vida de grupos que vão sendo gradativamente aniquilados.

E assim que estamos nos sentindo, porque vivemos o dia a dia da violência, do desemprego, da falta de habitação, haja vista as milhares de favelas em condições sub-humanas espalhadas pelos quatro cantos do Brasil.

Temos a saúde pública que nos deixa morrer na porta dos hospitais, enquanto os planos de saúde nadam no mar das mensalidades escorchantes. A Educação carrega a triste marca de 13 milhões de analfabetos que não sabem ler e nem escrever, 8,7% da população acima de 15 anos de idade e ainda temos os analfabetos funcionais, pessoas que conhecem letras e números, mas não sabe o que fazer com eles, estes somam 27%.

Quando falamos de Saneamento Básico nada muda em relação ao olhar voltado para o povo, pois em um país que tem aviões modernos como um de seus principais itens da pauta de exportação, temos 40% de domicílios que não contam nem com a mais rudimentar rede de tratamento de esgoto. São quase 90 milhões de brasileiros despejando todos os tipos de dejetos em córregos, rios, encostas e ruas. Na Segurança vivemos um vácuo sem tamanho e um abandono sem data para terminar.

Atualmente o Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo, com 654 mil detentos e apenas 371 mil vagas, de acordo com o Ministério da Justiça. Ninguém se sente dono do problema e busca resolvê-lo de verdade, o que se vê é um eterno jogo político de jogar a granada sem pino no colo do outro, uma total falta de governância da vida pública, onde se maquia a situação e se enterra o assunto na cova rasa da falta de vergonha.

Quem deveria cuidar de nós, senta sobre nós, nos impõe impostos e leis que na maioria das vezes não os atinge. Rouba-se com facilidade até a dignidade. Ostentamos o triste troféu de ser um dos países mais corruptos do planeta.

É fato que o nosso país tem um sistema partidário caduco, onde as suas dezenas de legendas se juntam por causa do tempo de televisão e do rádio e continuam unidas para controlar uma fatia do bolo do estado ou se separam se os interesses forem outros e a cobiça por cargos for algo pequeno. Viva o Caixa 2, salve o maço de dinheiro vivo transportado em cuecas, bolsas, malas, mochilas ou em caixas de papelão.

Doentes

Estamos doentes, pobres, sujos, ignorantes e desabrigados. Somos carentes e o mundo sabe disso. Sabe que somos eternos emergentes, um país que tenta emergir da lama que nos cobre, que nos denigre e nos impossibilita de avançarmos, de mudarmos de século, porque não se iluda, ainda estamos no século XIX.

Somos um país com 35 partidos políticos, para que isso serve? Somente para nos tornar campeão internacional em número de partidos, somando mais de 69 mil políticos eleitos, onde 82% são vereadores.

Nosso sonho de consumo seria que todos indistintamente e não meia dúzia ou mais um pouco trabalhasse em prol dos seus eleitores, já que nem todos trabalham pelas cidades onde se candidataram. Dinheiro, acredite, não falta, pois apenas no caso do Congresso Nacional o custo é de R$ 10,2 bilhões por ano, valor suficiente para manter mais de 10,5 mil alunos do ensino médio da rede pública durante um ano.

E agora José… Maria, João, Isabel, Pedro, Luciano, Ana, Paulo, Carlos Drummond de Andrade, o que vamos fazer?

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

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