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Grupo Internacional Ponte dos Ventos realiza residência artística em Paraty

Matéria publicada em 21 de dezembro de 2016, 07:00 horas

 


Evento reuniu pessoas com as mais diversas experiências e oriundas de diferentes países

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Durante quase 20 dias a cidade de Paraty, na Costa Verde, presenciou um marco teatral que modificará o percurso artístico de mais de 150 artistas que integraram as oficinas teatrais, além do público que pôde desfrutar de uma programação que contou com demonstração de trabalho, lançamento de livro, apresentações teatrais e musicais.

A realização da residência artística do Grupo Internacional Ponte dos Ventos foi uma realização do Centro Cultural Sesc Paraty que não mediu esforços para oferecer um encontro que irá reverberar cenicamente por muitos outros coletivos e trabalhos teatrais, pois conseguiu reunir pessoas com as mais diversas experiências e oriundas de diferentes países.

O projeto pedagógico teatral Ponte dos Ventos, que em dinamarquês chama-se Vindenes Bro, uma criação da diretora Iben Nagel Rasmussen, atriz e diretora do grupo desde 1989 e que integra outro importante grupo de teatro, o Odin Teatret, nasceu do desejo dela em reunir um grupo internacional de artistas, e fazer um coletivo orgânico cuja transversalidade se dá no percurso artístico de cada integrante.

O grupo Ponte dos Ventos é formado por Carlos Simioni (LUME- Brasil), Iza Jurkowska (Polônia), Guillermo Angelelli (Argentina), Kasia Kazimierczuck (Polônia), Rafael Magalhães (Brasil), Emilie Molsted Norgaad (Dinamarca), Frida Molsted Norgaad (Dinamarca), Sofia Monsalve (Colômbia), Tippe Molsted (Dinamarca) Sandra Pasini (Itália/Dinamarca), Lina Della Rocca (Itália), Jori Snell (Holanda), Signe Thomsen (Dinamarca), Annemarie Waagepetersen (Dinamarca) Antonella Diana (Itália/Dinamarca), Luís Alberto Alonso (Cuba/Brasil), Tatiana Cardoso da Silva (Brasil).

Visando uma profunda imersão teatral e com o intuito de investigar e promover intercâmbios entre atores brasileiros, latinos e europeus, a residência contou com quatro oficinas de Treinamento Físico e Vocal e uma Oficina de Palhaçaria. O resultado do processo das oficinas pôde ser visto pelos moradores e turistas durante o último domingo, dia 18, pelas ruas de Paraty.

Cada uma das oficinas fez um cortejo teatral que percorreu um trajeto específico conduzindo o público até o Largo de Santa Rita, onde aconteceu uma apresentação musical com todos os participantes das oficinas e em seguida o espetáculo UR NAT do Ponte dos Ventos. Após a apresentação o público presente pode dançar junto da apresentação da atração do grupo Maracatu Palmeira Imperial, convidado para o encerramento.

Desde o dia 13, o grupo internacional promoveu encontros diários que começavam as 8h30 com um intenso trabalho de investigação corporal e vocal apresentando jogos e exercícios que vêm sendo pesquisados e desenvolvidos pelos integrantes do Ponte. Após o primeiro momento alunos das cinco oficinas participavam do ensaio musical em conjunto formando um grande coral que entoava cantos de várias nacionalidades. No período da tarde os alunos assistiam o processo de criação e ensaio do espetáculo UR NAT dirigido por Iben Nagel.

A programação contou ainda com a performance “Branca como Jasmim” onde a atriz Iben Nagel Rasmussen nos apresenta sua trajetória artística durante mais de 50 anos de prática teatral. Com o lançamento da obra “O Cavalo Cego” de Iben que relata sua experiência artística com o diretor Eugênio Barba. No lançamento do livro a autora foi homenageada pelos núcleos de pesquisa em artes cênicas Ponte dos Ventos, pelo Ateliê de Pesquisa do Ator (APA) que acontece na cidade de Paraty e já está em sua terceira turma e o núcleo Patuanú. O público presente no lançamento ainda pôde assistir a exibição do documentário Ponte dos Ventos que contou com a presença do cineasta Francesco Galli (Itália), que fez o registro das fotos da coluna.

A carioca Lorrana Mousinho, atriz e professora de teatro, relembra como foi importante a residência artística do grupo em Paraty durante esta última semana.

– A oficina foi um acontecimento muito especial para todos os participantes, tenho certeza. Todos os companheiros de turma supermotivados e movidos pela vasta programação de verdadeira imersão cultural que nos foi oferecida. Um mergulho em uma maneira de se fazer teatro que me parece essencial. Onde o artista da cena descobre suas variadas potencialidades e as desenvolve coletivamente, através do treinamento. Este momento que precede a cena é enaltecido como base para o surgimento de um artista-artesão, legítimo autônomo sobre a arte que estuda e através da qual cria, aquele que cuida dos detalhes de sua arte com esmero e não desperdiça suas forças criativas. Tive o prazer de ser participante deste evento, a generosidade dos mestres e companheiros de turma, e as belezas que vivenciamos ficarão guardadas na minha memória – disse.

 

 

JOÃO VITOR MONTEIRO NOVAES  | joao.vitor@diariodovale.com.br

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