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Guerra e paz

Matéria publicada em 30 de março de 2018, 07:30 horas

 


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Hoje é Sexta-feira da Paixão, uma data religiosa católica, que relembra a crucificação de Jesus Cristo e a sua morte no Calvário.
Mesmo que muitos dos ritos praticados pela igreja católica não passe pelas outras religiões, sabe-se que neste período de alguma forma a busca pela reflexão se torna maior, de maneira o coração e os olhos se tornarem introspectivos, o pensamento ganha contornos diferentes do dia a dia. Obviamente, que aqueles que mais vivem esse momento pelo mundo são os que praticam o catolicismo e como tal seguem seus ritos.
Seja pela própria massificação da data ou mesmo pelo momento que atravessamos onde nos deparamos com guerra e paz a cada esquina, somos levados a fazer a comparação entre Jesus e Barrabás, entre o bem e o mal, entre aquele que ama e o que mata.
O mundo clama por justiça, as pessoas já não aguentam a proliferação do descaso. Vê-se a cada instante os erros que prendem, julgam e condenam crimes que assustam pela sua banalidade, como a de um pai que rouba para alimentar um filho, e o contrário quando nas grandes esferas, políticos e nomes que se destacam na mídia continuam a viver impunes depois de roubarem milhões. Qual será a diferença entre um crime e outro? Por que um crime é diferente, sobretudo, na condenação?
A Justiça é cega, mas não insana. Ela sabe exatamente quem é quem, as leis existem para serem cumpridas e por todos. Quem as infringe inevitavelmente deve receber a merecida condenação e para isso não pode haver privilegiados, regalias e sentenças duvidosas.
Todos os dias a mídia nos mostra um tipo de crime, nos apresenta um criminoso, que se pobre e sem defesa, está fadado a engrossar as estatísticas que mapeiam os aglomerados de seres humanos que vivem nas celas dos muitos presídios espalhados pelo país.
Mas há os que defendem esse modo de “ressocialização”, as chacinas a cada rebelião, a prisão perpétua ou mesmo a pena de morte.
A solução para aqueles que cometem crimes e merecem uma segunda chance, fica muitas vezes no discurso do político demagogo e bem poucos ganham contornos de realidade, deixando de ser teoria e passando a ser prática.

Proteção

Queremos e merecemos ser protegidos, mas não sabemos bem por quem, porque muitas vezes aquele que deveria nos proteger também vive no crime ou é vítima dele. Então, quem protege quem?
Jesus ou Barrabás estão sempre na disputa pela sentença que faça a verdadeira justiça, mas muitas vezes o primeiro fica em segundo plano e o segundo se torna livre, ganha as ruas e some nas brumas do tempo.
O mundo está povoado de Barrabás. Essa sensação de que o outro ficará no nosso lugar, pagando pelos nossos erros é algo incrivelmente tranquilizador. Quantos e quantos estão por aí a pagar pelos crimes de outros. Quantos morrem pelos crimes que não cometeram, e sim por aqueles que tentaram evitar.
A guerra e paz, nunca dormem, nunca repousam, elas ganham as ruas pelos quatro cantos do mundo. Visita bairros pobres e ricos, cidades grandes e pequenas, invade as casas e tomam de assalto a nossa vida e quando não a roubam sem nada levar, levam nossos bens como prêmio de consolação. É uma luta incessante do bem contra o mal.
Vivemos como muitos teimam em dizer, o final dos tempos, o fim de um ciclo que tem se fechado e estrangulado quem nele teima em permanecer.
Aquela luta de polícia e ladrão, de político e povo, de Jesus e Barrabás a cada dia mais se acirra, mais se torna impiedosa e desumana. Tudo é incompreensível porque como bem disse o filósofo inglês Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do homem”. Ou seja, o homem é o maior inimigo do próprio homem. A arena está aberta e como se repete todo o santo dia, o espetáculo vai começar.

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br

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