Hotel espacial será lançado em 2021 - Diário do Vale
sábado, 18 de agosto de 2018

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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Hotel espacial será lançado em 2021

Hotel espacial será lançado em 2021

Matéria publicada em 12 de abril de 2018, 07:37 horas

 


Hospedagem na estação orbital vai custar U$ 9,5 milhões

Projeto: O hotel espacial ficará em órbita baixa

Projeto: O hotel espacial ficará em órbita baixa

 

Depois de anos de projetos e promessas, o primeiro hotel espacial pode entrar em órbita em 2021. Pelo menos é o que diz a empresa Orion Span, que está construindo o módulo orbital em Houston, no Texas. Os turistas ricos pagarão apenas 9,5 milhões de dólares para passarem 12 dias flutuando no espaço. O que é pouco comparado com os 20 milhões de dólares que os russos cobram por uma viagem em suas naves Soyuz até a Estação Espacial Internacional ISS.
Chamado de Estação Aurora o hotel espacial será colocado em uma órbita baixa, a 320 quilômetros de altura (A Estação Espacial Internacional fica a 400 quilômetros de altura).
O projeto foi apresentado este mês na Conferência Espacial 2.0 em San José, na Califórnia. Do tamanho de um jato executivo, o Aurora terá 13,3 metros de comprimento por 4,3 metros de largura e um volume interno, pressurizado de 160 metros cúbicos. Espaço suficiente para alojar quatro hóspedes e dois tripulantes. Se o projeto der certo novos módulos serão acrescentados ao primeiro, como aconteceu com a Estação Espacial Internacional.
Além dos turistas ricos a empresa pretende alugar o espaço do hotel para companhias interessadas em fazer pesquisas no espaço e até para agências espaciais governamentais. Segundo a empresa a Estação Aurora foi projetada por antigos técnicos da Nasa que trabalharam na construção dos módulos da ISS.
O projeto é interessante mas apresenta alguns problemas. A Orion Span terá que alugar um foguete, como o Falcon da Space X, para levar os módulos até o espaço. Depois será preciso conseguir uma nave para levar os turistas e tripulantes até o hotel. A empresa Boeing deve testar este ano a sua cápsula espacial Starliner, mas será preciso aguardar até que a Starliner se torne operacional para que a Orion Span possa contratar seus serviços. Como a inauguração do hotel está prevista para 2022, espera-se que até lá a Starliner já esteja operando regularmente.
Enquanto a humanidade se prepara para colonizar o espaço próximo da Terra, os astrônomos continuam fazendo descobertas nos limites do universo. Semana passada eles conseguiram fotografar a estrela mais distante já vislumbrada. Apelidada de Icarus, a estrela MACS J1149 é uma supergigante azul que fica a 9 bilhões de anos-luz da Terra. (Um ano-luz é igual a 9,5 trilhões de quilômetros). Normalmente a essa distancia só é possível observar galáxias, que são formadas por milhares de estrelas e não estrelas individuais.
A Icarus só pode ser observada porque sua imagem foi ampliada por uma lente gravitacional. Que é uma distorção nas ondas de luz provocada pela massa de uma galáxia ou aglomerado de galáxias. Devido ao tempo que os raios de luz levam para atravessar o espaço, estamos vendo a Icarus como ela era há 9 bilhões de anos. Atualmente essa estrela não deve mais existir. Supergigantes azuis tem um tempo de vida curta e provavelmente ela já explodiu como supernova e se transformou num buraco negro ou em uma estrela de nêutrons. O que os astrônomos fotografaram foi o fantasma de uma estrela que já morreu há muito tempo.
A visualização da Icarus mostra as verdadeiras dimensões do Universo. Quando se fala em conquista do espaço ou em viagens espaciais na verdade estamos nos referindo ao espaço próximo da Terra e aos planetas próximos. É até onde a tecnologia atual pode nos levar.
No futuro, com o desenvolvimento de sistemas de propulsão fotônica, a laser, talvez seja possível enviar espaçonave até as estrelas mais próximas. Mas o mundo das galáxias distantes estará para sempre além do nosso alcance. Mesmo assim a raça humana é a única espécie conhecida que conseguiu compreender e medir as dimensões do universo de onde surgiu. Talvez existam outras espécies, mas a possibilidade de interagirmos com elas ainda é pura ficção científica.

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 

Um comentário

  1. Pelo visto o futuro da exploração tripulada do espaço pertence mesmo à iniciativa privada.

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