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Independência ou morte

Matéria publicada em 6 de abril de 2018, 07:20 horas

 


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A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.

Winston Churchill

O título dessa crônica mais que lembrar a célebre fase dita por D. Pedro I as margens do riacho Ipiranga em São Paulo em 7 de setembro de 1822, portanto há 195 anos, busca renovar um desejo que mais uma vez precisa ser percebido por um país inteiro e sobretudo pelos seus políticos que acreditam que o comandam e sobretudo que nos têm nas mãos. Precisamos de independência no sentido mais amplo da palavra, temos que vencer esta estagnação que tomou conta do país desde 2015 e estancar de vez o número de mortes das quais somos vítimas diariamente. São mais de 160 mortes por dia, vítimas de homicídios. Um número bem maior do que a guerra entre palestinos e israelenses. Temos hoje um país cheio de mandatários, porém essa soma se revela ineficaz e em nada ou muito pouco atende o povo.
Não quero e não vou discutir aqui o que poderia nessa altura do campeonato, ser melhor para o nosso país: a Monarquia ou o Presidencialismo, até porque já houve em 1993 um plebiscito para saber o que o nosso povo queria, se um regime republicano ou monarquista e a escolha foi feita.
O Brasil possui uma enorme fragmentação partidária e não é para menos, pois com 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mais 73 aguardando o registro junto à Justiça Eleitoral, não se pode esperar muita coisa desse aglomerado que não facilita em nada a governabilidade e acaba por confundir por completo a cabeça do eleitor.
Por governabilidade, entendemos a capacidade do Poder Executivo de colocar em prática as políticas públicas e a partir dai tomar as decisões de forma relevante, que privilegie o povo e não para meia dúzia de interessados.
Diante desse quadro perturbador na política brasileira, onde muito se manda e pouco se faz, urge um pacto tático entre os partidos, sentar e conversar é algo a ser feito imediatamente. Não cabe dar continuidade as inúmeras gambiarras que estão sendo feitas de um tempo para cá onde os partidos no afã de mostrar que mudaram em todos os sentidos, passaram a trocar de nomes, buscando receber do eleitor um atestado de idoneidade.
O sistema partidário se apresenta de pé quebrado, assim como o sistema de financiamento de campanha, onde nas últimas eleições 40% dos doadores estavam com algum tipo de suspeita por irregularidades. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, é constituído por dotações orçamentárias da União, além de multas, penalidades, doações entre outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei. Indiscutivelmente o Fundo é um maná dos deuses, todos os partidos, pequenos e grande se privilegiam dele.
O mais sensato seria a sua extinção o que iria acarretar uma economia anual de milhões aos cofres públicos. O dinheiro economizado poderia ser usado na saúde e na educação, além de outras áreas. É fundamental que os partidos arregacem as mangas e saiam para as ruas indo sem medo ao encontro dos seus eleitores, buscando uma interatividade real e com isso arrecadando os valores que necessitam com os seus membros. Valores que servirão para sustentar as campanhas todos oriundos de recursos dos seus filiados. Se o partido não tem condições de fazer tal ação, não consegue seduzir seus pares, eles certamente nem deve existir. De que adianta ser uma formiga perdida no meio de uma manada de elefantes.
É fato que quanto mais partidos representados no Legislativo, mais complicado será para o Executivo negociar e por conseguinte garantir apoio dentro daquele mesmo poder. A partir dai nascer o temido e usual “toma lá, dá cá”, uma vertiginosa troca de favores e vantagens entre os inúmeros partidos. São trocas e mais trocas que vão de simples cargos a ministérios.
A nossa política se revela um labirinto de falsas portas, mas não são poucos os que argumentam que o imenso número de partidos é por demais positivo, tentando provar que esta pluralidade serve para solidificar ainda mais a nossa política. Ela serve muito mais para provocar um inchaço e como parece que irá acontecer neste ano quando das eleições para presidente, o número de candidatos será algo assombroso, haja vista que já estamos próximos de pelo menos dez pré-candidatos.
Esperamos mudanças reais e radicais, alguém que nos assuma e que não nos deixe na orfandade como tem acontecido, promessas que ficam pelo caminho, obras nunca acabadas, orçamentos super faturados, uso da máquina pública de maneira escandalosa, nepotismo descarado e prevaricação sem medo de penalidades.
Política não é profissão e muito menos ascensão, política deveria ser vista como um sacerdócio e não o caminho mais rápido para o ócio. “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. Essas são palavras doloridas e por vezes reais ditas pelo escritor Eça de Queirós.

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. A república é tão boa que em 128 anos o Brasil está ladeira abaixo.

    Mais um presidente condenado dentre outros cassados. Qual será o próximo? O candidato daqueles eleitores alienados que esperam as pesquisas para votar e ainda terá a ajuda dos eleitores que:

    – pagarão a multa eleitoral,
    – votarão em branco ou
    – votarão nulo.

  2. Vai Vendo, bom dia. Obrigado pela suas palavras, intervenções que ajudam a dar o melhor sabor a crônica que escreve, tirando-a da inércia é algo que muito me agrada. Como não sou o dono da verdade, acho sempre importante, primordial dividir e conhecer mais através dos meus leitores. Grande abraço.

    • Vamos crescendo juntos. Eu aprendo muito mais com o DV. Agradeço a paciência dos moderadores e me perdoem os excessos.

      Eu sou do tempo que comentava aqui sozinho.

  3. Não há problema em dividir o governo com partidos com cargos comissionados. Ninguém governa sozinho, e é impossível em se tratando do Brasil, um país continental.

    O problema é o eleito aceitar desvios dos nomeados. Muitos presidentes deixaram isso acontecer.

    O último foi o Temer. Ministros e indicados por ele se mantiveram no postos após falcatruas. Juntou tudo em governar a favor dos capitalistas não deu outra: 5% de aprovação de seu governo, ou seja, só tem aprovação dos ELEITORES DE BANDIDOS do PMDB, incluindo os evangélicos de VR.

    • Quanto ao plebiscito em 1993 foi realizado num contexto republicano depois de décadas de república. Na época pouquíssimos brasileiros sabiam do assunto – hoje um pouco mais – , além de falta de apoio da mídia, ainda não tínhamos subsídios, como livros e muito menos internet. Ainda hoje vá a qualquer biblioteca e pergunte antes de procurar algo sobre o Brasil Império.

      Agora é diferente. Entre em qualquer grupo monárquico para saber de muitos livros e autores que falavam sobre o assunto. Isso é bom para saber mais e não desconstruir o retorno do BRASIL IMPÉRIO.

      Só para lembrar: a maioria dos melhores países do mundo são MONARQUIAS. Raras são repúblicas e repúblicas diferentes daqui. EUA é uma república, mas lá o presidente não recebe voto direto do eleitor. Lá petistas e comunistas não têm vez. Esta é outra grande diferença.

    • Só para lembrar 2: há no senado proposta com a finalidade de novo plebiscito.

      Infelizmente ainda não estamos preparados. Há muitos brasileiros que não aceitam sustentar uma família real, MAS não percebem que sustentamos várias famílias de ex-presidentes bandidos, muitas delas MAIS CARA do que a família real da Inglaterra que tem a RAINHA ELISABETH II.

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