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Janeiro, o mês dos cães abandonados

Matéria publicada em 9 de janeiro de 2018, 07:30 horas

 


População de cachorros de rua aumenta com as festas do fim de ano; algumas pessoas viajam e jogam fora seus animais de estimação

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Depois das festas do final de ano aumenta a população de cães abandonados. Algumas pessoas viajam e simplesmente jogam fora seus animais de estimação. Como se eles fossem coisas que pudessem ser abandonadas quando não têm mais utilidade. Outros fogem de casa assustados com a cacofonia dos fogos de artifício e ficam perdidos, sem saber como voltar. Ao contrário do cão de rua, que conhece bem a cidade, o animal que passou a vida preso se perde e fica andando sem rumo.

Outro dia eu voltava para casa e vi um cachorro preto em estado lastimável, perambulando pela calçada do ponto de ônibus, ali em frente ao Sider Shopping, na Vila. Os cachorros costumam atravessar a pista da avenida, correndo o risco de serem atropelados, atraídos pelo cheiro do churrasquinho que é vendido pelos ambulantes, ali perto dos quiosques. O que vi na semana passada tinha um ferimento no pescoço. As moscas já tinham pousado e ele apresentava três furos provocados por larvas de berne.

Não sei onde anda aquela ONG, o projeto Vira-Lata, que cuidava dos cachorros ali da Vila. Se continua em atividade aqui vai o meu recado. O cachorro preto precisa urgentemente de cuidados de um veterinário. Para matar aquelas larvas com um spray ou com uma dose de larvicida, tipo Captstar. Antes que a ferida aumente e o estado dele se torne crítico.

Lá em Pinheiral nós não temos ONGs, mas o pessoal cuida dos animais de rua do jeito que pode. Eu mesmo já tratei dos ferimentos de vários cachorros abandonados. Como a Preta, que acabou sendo recolhida pelo CIRAC depois de sofrer um atropelamento. Ela tinha mania de correr atrás dos carros e se enfiar na frente deles. Apareceu um dia na cidade sem que ninguém soubesse de onde tinha vindo. Provavelmente tinha sido abandonada pelos donos.

Houve uma época, no século passado, em que as prefeituras simplesmente exterminavam os cães abandonados. Em Volta Redonda eles eram levados para um infame “centro de zoonoses” e mortos com choque elétrico. Sei disso porque conheço um funcionário aposentado da prefeitura que testemunhou esse absurdo em meados da década de 1990.

Abandonados: Como coisas eles são largados na rua (Foto: Arquivo)

Abandonados: Como coisas eles são largados na rua (Foto: Arquivo)

Era o “banho da morte”. Os funcionários da prefeitura molhavam o cachorro com uma mangueira e depois encostavam um fio de 220 volts no focinho provocando a morte instantânea. Centenas de animais foram exterminados desse modo. Isso foi antes das leis que surgiram no início do século, proibindo o maltrato dos animais abandonados. Hoje a “solução final” de Volta Redonda é crime e os animais podem viver em paz, ainda que perigosamente.

Em Pinheiral, nos governos passados, a prefeitura contratava uma ONG para recolher os animais e levar para um abrigo em outra cidade. O problema é que novos cachorros abandonados continuavam chegando à cidade. As vezes a família chega de carro, abre a porta e deixa o cachorro saltar. Aí saem correndo com o veículo e o animal fica desesperado, procurando os donos, sem encontrar.

Os que são bonitos, de raça, acabam sendo adotados. Já os vira-latas, de cor preta em sua maioria, ficam perambulando pela rua. Pegando comida nas latas de lixo. Quando chove eles se abrigam embaixo das marquises, ou da cobertura dos pontos de ônibus. Tem três, dois pretos e um marrom, que fazem ponto na praça do Rolamão, lá em Pinheiral. Outro dia passei por lá e eles estavam dormindo embaixo dos bancos. Gordos e saudáveis.

Em Volta Redonda, nos dias quentes de verão, eles procuram se refrescar no ar refrigerado dos shoppings. Tem um pastor alemão enorme que deita sem cerimônia no tapete da entrada do centro de compras e fica lá. Ignorando a multidão que passa em volta.

Ultimamente anda sumido. Tomara que tenha encontrado um dono.

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

20 comentários

  1. Não maltratar animais, sim.
    Castração sim.
    Mas vamos parar de tratar animais como humanos, não faz bem aos bichos é nem aos donos.
    Tem gente que gosta mais do seu cachorro que de seus irmãos, pais e filhos.Pois esses falam e divergem em opinião.O cão não diverge porque não fala , já pensaram nisso.Se falassem iam dizer poucas e boas para cada dono chato.

  2. CUIDEMOS DOS ANIMAIS

    Li tudo. Carta de resposta,reportagem,comentarios e etc. Promeiraente o espaco de tal jonalsta devia ser aproveitado psra lancar campanhas,incentivar adocoes e para exigir dos orgaos publicos cuidar dos animais de rua. Com amor e logico , e nao exterminando. No atual governo tem pessoas ligadas aos animais , que devem mexer as maos e fazer por eles que estao na rua. Tambem poderia em vez de instigar que a ONG devia cuidar de tal cao,podetia ter comprado um spray e com ajuda de outros, comecar a cuidar de tal cao ja que se sabe aonde fica e assim lancar a campanha:”vamos cuidar do animal de rua “. Teria sido mais simpatico e humano e demonstrando assim sua preocupacao.

  3. Reportagem inútil!

  4. Dona Forinda arranjou treta com a ONG…

  5. Recebi a carta aberta, endereçada ao ilustre jornalista correspondente desse meio de comunicação e, resolvi me manisfestar aqui. A constituição de 1988 assegura a liberdade de expressão aos meios de comunicação, por outro lado também assegura o direito de resposta, quando um cidadão se sentir ofendido, ao ter seu nome vinculado e tenha a sua honra subjetiva atingida. O Jornal ao meu ver deveria publicar a carta aberta escrita pela ONG, pelo menos no espaço reservado de cartas ao leitor pois até onde sabemos é um espaço GRATUITO, destinado a opinião de leitores. É lamentável, um jornal desse porte, vincular uma matéria depreciativa tentando repassar para ONG uma responsabilidade que é de fato do município.

  6. Muito fácil falar pra uma ONG fazer uma coisa, ONG auxilia, ajuda como e com o que pode. Se cada um de nós, isso te inclui senhor jornalista que faz muito pelos animais de rua, fizéssemos a nossa parte, seja ela grande como resgatar,castrar, adotar, ou simplesmente um pouco de comida e água, ou enfim, alguma coisa, já ajudava, mas passar nossas responsabilidades pros outros é sempre mais fácil

  7. Passar a responsabilidade é beeeeeeeem fácil. Quanta ignorância neste texto. A ONG vira lata nunca recolheu animais, nunca foi uma obrigação. Se procurasse se informar antes de escrever tanta asneira passava menos vergonha.

  8. Muito engraçado o senhor exigir que ONGs cuidem desse problema, mas ao mesmo tempo sabe que por ser uma ONG (espero que você saiba o significado dessa sigla, do alto de sua montanha de ignorância), nem sempre há recursos suficientes para cuidar de TODOS os animais de rua. No mais, se está insatisfeito com o trabalho que é feito pela ONG Vira-Lata, venho lhe desafiar para que inicie a sua própria e faça um trabalho superior ao que já tem sido realizado, pois com seu mimimi de revoltadinha sua opinião é inválida.

  9. Vc quer é discussão né mona ? Tendo em vista ser solitário, precisa de pessoas p extravasar suas frustrações. Aaaaaa coitado…………..kkkkkkk

  10. No Chile, os cães que vivem nas ruas são adotados pelos comerciantes e moradores, castrados, cuidados e alimentados. Vivem em liberdade e são respeitados por todos.

  11. Muito triste ver os melhores amigos do homem abandonados deste jeito. Uma das cenas mais tristes que vi foi uma família abandonando um cachorro na Rodovia Presidente Dutra. Eles pararam no acostamento, colocaram ele para fora e arrancaram com o carro. O animal correu por centenas de metros antes de desistir. Mais triste que ver o PT ganhando uma eleição…

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