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Júpiter, da ficção a realidade

Matéria publicada em 9 de abril de 2018, 07:26 horas

 


Planeta gigante é perigoso até para os robôs

2001: Missão tripulada chega em Júpiter

2001: Missão tripulada chega em Júpiter

O filme “2001: Uma odisseia no espaço” está completando 50 anos de seu lançamento este ano. Ele mostra uma expedição tripulada ao planeta Júpiter com cinco astronautas viajando para o planeta gigante na aurora do terceiro milênio. Na vida real o homem ainda nem pisou em Marte e uma missão tripulada ao maior dos planetas esta completamente fora de cogitação. Júpiter é muito mais hostil do que se imaginava em 1968 e a tecnologia moderna não seria capaz de proteger seres humanos dos cinturões de radiação que envolvem aquele imenso globo nublado.
Se o céu não estiver nublado esta noite, olhe na direção do leste, aí por volta das 20 horas. Júpiter estará brilhando como uma grande estrela amarelada, na constelação da Espiga. É o astro mais brilhante do céu, superando o brilho azulado da estrela Sirius, na constelação do Cão Maior. Quando o roteiro do filme “2001” foi escrito, em 1965, os astrônomos sabiam pouca coisa sobre a verdadeira natureza de Júpiter. Sabiam que ele tem dezenas de luas, que é um mundo gasoso coberto por faixas de nuvens e que emite ondas de rádio.
A ideia de enviar uma nave tripulada até lá parecia ser um simples problema de logística. No filme a nave Discovery reboca um comprido comboio de vagões com suprimentos para a viagem de dois anos de duração. Júpiter fica a meio bilhão de quilômetros de distancia. Como uma missão tripulada teria que levar toneladas de água e suprimentos, a agência espacial americana Nasa preferiu explorar Júpiter com robôs. Que não precisam de água, comida nem de ar.
A primeira nave que se aproximou de Júpiter, foi a sonda robô Pioneer 10 em 1973. Seus sensores mostraram que o planeta estava cercado por cinturões de radiação mortais. As sondas seguintes foram as Voyager, em 1979. Elas descobriram maravilhas que os astrônomos e os roteiristas do cinema nem podiam imaginar. Uma das luas de Júpiter, Europa, tem um oceano de água líquida coberto por uma calota de gelo onde pode existir vida. Outra lua, Io, é um inferno de vulcões em erupção e lagos de enxofre borbulhante. Arthur C. Clarke, o roteirista de “2001” nem sonhava com isso.
A missão seguinte foi a Galileo, lançada do ônibus espacial Atlantis em outubro de 1989. A sonda tinha sido blindada contra a radiação. Mesmo assim teve problemas quando passou perto das luas mais próximas do planeta, justamente Io e Europa. A carga de radiação fez os computadores do robô ficarem lentos e eles só retomaram o funcionamento normal quando a nave se afastou de Júpiter.
Em 2011, a Nasa e a Agência Espacial Europeia enviaram uma nova espaçonave robô para sobrevoar Júpiter. A Juno recebeu uma blindagem anti-radiação bem mais grossa do que a usada pela Galileu em 1995. Atualmente ela esta orbitando o planeta gigante e enviou fotos espetaculares dos furacões que rodopiam no mar de nuvens que envolve Júpiter. A Juno também mostrou que Júpiter tem um núcleo enorme e semi-líquido. Júpiter interessa aos cientistas não só pela sua meteorologia, mas devido a possibilidade de existir algum tipo de vida no oceano de Europa, a lua gelada.
Para a próxima década estão previstas mais duas missões robóticas para Júpiter. A primeira é a JUICE, da agência espacial europeia, que deve decolar em 2022 e chegar em Júpiter em 2030. Se tudo correr bem a JUICE vai entrar em órbita ao redor da lua Ganimedes em 2032 tornando-se a primeira nave a orbitar uma lua de outro planeta. A Nasa americana está planejando a sonda Europa Cliper, que vai estudar a lua Europa e seu oceano. O projeto original previa que a sonda orbitasse Europa, mas devido a radiação intensa ela só vai passar perto. Júpiter é mortal até para os robôs.

Juno: Sonda da Nasa foi blindada contra a radiação

Juno: Sonda da Nasa foi blindada contra a radiação

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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Um comentário

  1. Júpiter é o planeta mais interessante do Sistema Solar. Suas luas são fantásticas e as possibilidades de vida em seus oceanos são excitantes. Que venham mais projetos de sondas para explorar estes locais!

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