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Manias e simpatias

Matéria publicada em 11 de julho de 2017, 07:00 horas

 


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Rafael Nadal é um tenista sensacional, possivelmente um dos melhores da história do tênis.

Assisti-lo jogar é tanto um deleite para os amantes do esporte quanto um espetáculo de esquisitices para quem não está acostumado com o sujeito. Sim, porque além de um grande desportista ele é um tremendo obsessivo transtornado e cheio de manias. Antes de cada saque (e no tênis eles têm direito a no mínimo dois antes de cada ponto) o sujeito ajeita a cueca, depois ajeita o cabelo do lado direito da orelha, passa a mão no suor do nariz, depois ao lado da orelha esquerda, depois ajeita a camisa do lado direito, e depois do esquerdo, depois bate a bolinha no chão x vezes, e assim absolutamente TODAS as vezes que saca, o que no tênis pode representar algumas centenas de vezes por partida. Isso pra ficar apenas numa rotina de manias (ele tem outras, que vou poupá-los dos detalhes).

Esportistas possuem mesmo seus rituais (lembram da Hortência nos lances livres de basquete?).  Dizem que isso ajuda a acalmar a mente e entrar na sintonia do movimento conhecido e automático.

Roberto Carlos é outro cheio de rituais e manias. Só usa branco e azul, tem horror a marrom e é cheio de superstições. Uma vez ele programou um show de gravação de um DVD ao vivo no Maracanã. Estava tudo preparado para uma grande festa, cenário, iluminação, um monte de artista pra fazer participação especial e, claro, o Maracanã lotado de fãs fiéis.

Mais eis que bem no meio de show desaba um dilúvio no maraca, daqueles colossais, pé dágua mesmo. O Rei sai do palco e o show é temporariamente paralisado. Quinze ou vinte minutos depois, a chuva passa e o céu fica bordado de estrelas. Mas nada do rei. Muuuito tempo depois, com o tempo limpo, ele volta para continuar o show. Mas o DVD nunca foi lançado. Dizem que, supersticioso como só ele, interpretou como um mau presságio aquele dilúvio no meio do show e cancelou o lançamento do DVD.

As pessoas sempre tiveram manias. Nicola Tesla, um cientista genial (que dizem que talvez tenha sido o verdadeiro inventor da lâmpada) era obcecado pelo número três. Só entrava num edifício depois de dar três voltas em seu redor, só ficava em quartos de hotel cujos números fossem múltiplos de três e limpava seus pratos sempre com dezoito guardanapos (e dezoito, obviamente, é múltiplo de 3).

Mas de uns tempos para cá esquisitice tem nome, sobrenome e sigla: TOC, transtorno obsessivo compulsivo, que é uma patologia derivada da ansiedade, que faz com que a pessoa desenvolva ações e pensamentos repetitivos.

Mas além das manias e TOCs tem também a tal da simpatia, uma crença popular de que determinada ação esdrúxula pode solucionar (ou causar) determinado problema.

Dizem por exemplo que não se deve varrer o pé de uma pessoa, caso contrário ela nunca se casará. Se você estiver se perguntando agora se pode varrer o próprio pé para não ter o risco de um dia se casar, infelizmente eu não sei dizer.

Outra simpatia diz que se você juntar um magro que quer engordar e um gordo que quer emagrecer o primeiro pode comprar peso do segundo, e que assim procedendo o milagre se operará na corpo de ambos. Quem disse que ser gordo não pode ser lucrativo?

Graças a Deus eu não tenho manias e estou livre desse transtorno repetitivo.

Graças a Deus eu não tenho manias e estou livre desse transtorno repetitivo.

Graças a Deus eu não tenho manias e estou livre desse transtorno repetitivo.

 

ALEXANDRE CORREA LIMA| alexandre.lima@diariodovale.com.br

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