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Mentiras viram ‘fake news’ na internet

Matéria publicada em 9 de abril de 2017, 07:00 horas

 


Invenções com cara de verdadeiras entopem as redes sociais e podem causar morte de inocentes

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Nesta quinta-feira (06), em Araruama, cidade mais conhecida pelas praias do que pelo noticiário policial, uma multidão cercou um carro, onde estavam um homem e uma mulher. O motorista, que estava na cidade a trabalho – é vendedor de produtos como queijo e linguiça – não entendeu o que estava acontecendo. O bando agrediu os ocupantes do carro e só não houve mortes porque a Guarda Municipal interferiu. Porém, depois que os ocupantes foram retirados do carro, alguém incendiou o veículo.

O motivo da selvageria foi um boato espalhado por redes sociais, com vídeos de um carro branco, que estaria sendo usado por um casal para sequestrar crianças. Tinha até um áudio de um homem se dizendo pai de uma criança sequestrada. Era mentira, mas agora o chique é falar “fake news”.

Em 2014, na cidade de Guarujá, litoral de São Paulo, Fabiane Maria de Jesus não teve a mesma “sorte” que o casal em Araruama. Não deu tempo de as autoridades interferirem e ela foi espancada até a morte por uma multidão furiosa. Motivo: outra mentira espalhada nas redes sociais. O boato era de que uma mulher da região seria bruxa e estaria sacrificando crianças em rituais satânicos. Fabiane teve a infelicidade de se parecer com a descrição que inventaram para a tal feiticeira.

No Sul Fluminense, em agosto de 2015, houve uma histeria na internet depois que boatos espalhados através de redes sociais insinuaram que haveria ações de integrantes de facções criminosas – do tipo incendiar ônibus, fechar comércio, atirar em quem estivesse na rua e coisas semelhantes – para vingar a morte de um bandido pela polícia. Felizmente, nesse caso ninguém ficou ferido. Só algumas pessoas ficaram com medo à toa.

Mentiras de Copa do Mundo

É claro que as mentiras que são contadas para muita gente não nasceram na internet. Só para exemplificar, há 35 anos, quando computador ainda era uma coisa rara e ninguém falava em celular no Brasil, a seleção comandada por Telê Santana, com craques como Junior, Sócrates, Falcão e Zico, foi eliminada pela Itália da  Copa do Mundo no que se convencionou chamar de “desastre do Sarriá”, nome do estádio em que o jogo ocorreu.

Minutos depois da partida, começou a circular um boato de que jogadores italianos teriam sido flagrados no anti-doping e a partida tinha sido anulada. Era mentira. Mas a coisa ganhou tanto corpo que as redes de televisão tiveram que desmentir no noticiário.

Depois disso, em 1998, circularam inúmeras histórias, depois que o Brasil perdeu a final para França por 3 a 0. No dia anterior, a Imprensa havia noticiado que Ronaldo Fenômeno, na época ainda chamado de Ronaldinho, estava fora da final. Ele acabou escalado, mas jogou muito mal. Surgiram boatos de decepções amorosas, menções a um conhecido repórter de TV como pivô de uma suposta separação do jogador, e o então médico da seleção, Lídio Toledo, disse que o craque passara mal na véspera do jogo, chegando a ter convulsões.

Nessa época, no Brasil já havia acesso à internet, ainda restrito a computadores. Logo surgiram boatos de que o Brasil teria vendido a derrota para a França.

Em 2014, já com a internet funcionando em milhões de celulares, os boatos começaram muito antes de a seleção brasileira sofrer a fragorosa derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Dizia-se que a Copa estava comprada (depois disseram que o cheque estava sem fundos) e após o massacre disseram que a derrota fora proposital, para enfraquecer o governo. Nada disso nunca foi provado, embora tenham surgido escândalos de outro tipo envolvendo a Fifa.

As mentiras por brincadeira

Detalhe: existem alguns sites que são especializados em publicar informações falsas, mas com o objetivo de fazer piada. O melhor exemplo é o Sensacionalista, que publica suas brincadeiras em forma de notícia. O pior é que, de vez em quando, tem gente que compartilha os conteúdos do site achando que são reais… E olha que a frase “Isento de verdade”, escrita em vermelho na página principal do site não quer dizer que se trata de um veículo imparcial…

OVNIs, Nibiru e similares

Há sites – geralmente blogs – cujos responsáveis acreditam em coisas como Nibiru, o planeta gigante que vai colidir com a Terra, segundo eles, ou nos gigantes anaquins e nefilins. Eles costumam postar diversas “provas” de que suas crenças são verdadeiras. Geralmente, trata-se de declarações de fé.

Tem também quem acredite em OVNIs, nos antigos astronautas e nas conspirações dos Illuminatis. A questão é que essas crenças não podem ser comprovadas, assim como nenhuma religião pode ostentar o título de comprovada, a não ser pela fé de seus seguidores.

Nesses casos, quem está lendo deve levar em conta que não se trata de algo cientificamente comprovado, mas é a crença de alguém. Então, este colunista repete o conselho que recebeu de seus pais: você não é obrigado a concordar com a fé de ninguém, mas não deve ridicularizar.

Fim do mundo

Um tipo de postagem que já está virando motivo de piada são os sucessivos “fins do mundo” supostamente causados por colisões de meteoritos com a Terra ou por uma erupção solar gigantesca. As duas hipóteses são possíveis, mas se houver um alerta verdadeiro é bem possível que ninguém leve a sério – inclusive este colunista – por causa de tantos alarmes falsos que já foram dados.

E nós com isso?

Quando uma mentira se espalha pelas redes sociais, sempre há consequências. Pode ser a reputação de uma pessoa comum, pode ser a carreira de um artista, ou mesmo a vida de alguém que está em risco. Na dúvida, não clique em “compartilhar”. Procure checar as informações que você recebe através da internet, principalmente quando a origem não for um órgão de imprensa. E o colunista fala em órgãos de imprensa lembrando que eles não são infalíveis. Porém, como veículos de informação têm uma reputação a zelar e podem ser responsabilizados judicialmente caso veiculem informações falsas, os profissionais que formam suas equipes tomam o máximo de cuidado antes de publicar alguma coisa.

Declaradamente falso: Site apresenta piadas em forma de notícia, mas avisa ao leitor com a frase ‘Isento de verdade’ (Foto: Reprodução internet)

Declaradamente falso: Site apresenta piadas em forma de notícia, mas avisa ao leitor com a frase ‘Isento de verdade’ (Foto: Reprodução internet)

 

PAULO MOREIRA | paulomoreira@diariodovale.com.br

7 comentários

  1. Vão também chamar Abraão, Moisés, Jesus e Maomé de mentirosos criadores de “fake news”?… Na época não havia internet…

  2. Algo bem típico, o herói sem nenhum caráter atacando a investigação do maior esquema de poder e corrupção de todos os tempos perpetrado pela esquerda sociopata, se não é bandido,logo os tem como de estimação.

  3. Vamos evitar confusão: o “Sensacionalista” é um site de humor e acredito que até o coxinha mais obtuso já percebeu isso.
    Por outro lado há sites especializados no crime de criar boatos, como MBL, Folha Politica, “Vem Pra Rua”, “Joselito Miller”, “RevoltadosOnLine”, “Imprensa Viva” etc, que arrastam facilmente a boiada de compartilhadores dos dedinhos frenéticos. O sonho e a obsessão do juizeco tucano de Curitiba é o de que algum desses boatos tivesse algum fundo de verdade; por enquanto, é obrigado a caçar pedalinhos.
    Outros sites, como “Veja”, “IstoÉ, Globo e FSP lançam uma mentira em manchete de capa e, dias depois, desmentem-na numa notinha de canto de página, na seção “Erramos”. Mas aí a boiada histérica já foi acionada pelo efeito Efeito “Não Temos Provas Mas Temos Convicção”.
    O fenômeno é nítido nas fanpages e sites de fórum de leitores como este. Um sujeito diz algo como “fulano roubou x milhões” (com o requinte de declinar o valor exato dos milhões), ou “fulano é dono do frigorífico tal”. Aí, vc humildemente pede a “fonte” da “notícia” e o cara sai esperneando, xingando…
    Gente assim facilitaria muito a tarefa de Goebbels.

    • Interessante nessa matéria é aparecer um cara comentando o assunto se referindo a um JUIZ FEDERAL de GABARITO, como o Dr. Sergio Moro, com JUIZECO TUCANO. Muita coragem sua Macunaíma, pois se ele o Juiz quiser te prender é muito fácil te localizar. Boa sorte.

    • É verdade, leitor com apelido de baterista escrito errado. Fiquei com medo agora. Não quis ofender o cara, mas “tucano” é meio forte mesmo. Foi mal.

  4. As pessoas têm que ser responsabilizadas pelo que postam e/ou compartilham! É a solução para isso é evitar tragédias, já que grande parte da população “se informa” pelo facebook.

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