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Missão Juno deixa astrônomos perplexos com o planeta Júpiter

Matéria publicada em 25 de janeiro de 2018, 10:00 horas

 


Planeta Júpiter confunde os astrônomos; segredos mostram que sabemos pouco dos mecanismos dos planetas.

A sonda espacial Juno, que se encontra atualmente orbitando Júpiter, revelou que este mundo é muito mais estranho do que se pensava. Segundo o pesquisador chefe da missão, Scott Bolton, os dados da Juno revelam que quase tudo o que se pensava sobre o planeta estava errado. E isso inclui sua estrutura interna, sua magnetosfera e seus sistemas de nuvens. Júpiter é o maior planeta do nosso sistema solar, um mundo gasoso com uma atmosfera turbulenta rasgada por descargas elétricas muito mais potentes do que os raios do nosso planeta.
Antes da Juno os astrônomos pensavam que Júpiter não tinha um núcleo sólido ou, então, tinha um núcleo muito pequeno. Os dados da Juno mostraram que o planeta tem um núcleo enorme e pastoso, sem limites muito definidos. Outra surpresa foram os furacões que envolvem os polos de Júpiter e que não tinham sido previstos por nenhuma teoria. Como a Terra, Júpiter tem um campo magnético que captura as partículas atômicas do vento solar. O que produz lençóis de luz fluorescente como as auroras boreais e austrais do nosso planeta Terra.
Mas, como tudo em Júpiter é grande, as auroras jupiterianas são centenas de vezes mais potentes que as terrestres. Os estudos anteriores previam que elas seriam apenas algumas dezenas de vezes mais energéticas. Ainda não se conhece o mecanismo que ativa essas auroras superpoderosas. Nem o motivo de elas se desligarem quando os polos mergulham na noite joviana. Segundo o cientista existe alguma força física misteriosa impulsionando essas autoras. Esses mistérios mostram que ainda entendemos pouco os mecanismos que controlam o clima e as energias que interagem com os planetas.
Júpiter tem sido observado com telescópios durante séculos, mas sua verdadeira natureza sempre confundiu os astrônomos. No século passado se acreditava que o planeta gigante tinha uma superfície sólida, com vulcões e lagos de lava. É assim que Júpiter aparece em muitas histórias em quadrinhos e concepções artísticas até meados do século passado. As primeiras observações com telescópios revelaram a existência de uma gigantesca mancha vermelha que rodopia no hemisfério sul do planeta, um pouco abaixo do Equador.
A princípio os astrônomos acreditaram estar vendo um imenso lago de lava, maior do que o nosso planeta. Depois, perceberam que a mancha era um fenômeno gasoso, um furacão gigante que não se dissipa e permanece ativo há mais de cem anos. Em um livro escrito em 1963 o astrônomo americano Carl Sagan especulou que o furacão gigante de Júpiter poderia estar “ancorado” em alguma depressão ou acidente da superfície do planeta. Mas, observações posteriores mostraram que não há uma superfície sólida, a atmosfera vai se transformando em líquido e depois em pasta à medida que a profundidade e a pressão interna aumentam.
Na década de 1990 Júpiter foi fotografado e observado de perto pela sonda espacial Galileu, que passou oito anos orbitando o planeta. Em 2011 foi lançada a nave Juno, um robô sofisticado que entrou em órbita ao redor de Júpiter no dia 4 de julho de 2016. A Juno tem uma eletrônica toda blindada para resistir a radiação intensa que envolve Júpiter. Uma radiação que poderia matar um astronauta em poucos dias.
É por isso que a exploração de Júpiter tem que ser feita com sondas não tripuladas. Júpiter tem várias luas, como Europa, coberta por um oceano de água congelada, e Io, cheia de vulcões ativos que expelem enxofre borbulhante. Tudo isso era desconhecido antes das missões das sondas espaciais. O que mostra que o Universo em que vivemos, como dizia o biofísico britânico J.B Bernal, é muito mais estranho do que podemos imaginar. E muito mais bonito, como mostram as imagens dos furacões jovianos, que parecem um delírio de um artista como Van Gogh .

Bizarros: Os furacões azuis no polo sul de Júpiter (Foto: Divulgação)

Bizarros: Os furacões azuis no polo sul de Júpiter (Foto: Divulgação)

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Júpiter e suas luas são os locais mais interessantes do Sistema Solar. Quem venham mais sondas, em especial uma para explorar Europa.

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