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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

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Capa / Ci√™ncia ‚Äď Por Jorge Calife / Miss√£o Juno deixa astr√īnomos perplexos com o planeta J√ļpiter

Miss√£o Juno deixa astr√īnomos perplexos com o planeta J√ļpiter

Matéria publicada em 25 de janeiro de 2018, 10:00 horas

 


Planeta J√ļpiter confunde os astr√īnomos; segredos mostram que sabemos pouco dos mecanismos dos planetas.

A sonda espacial Juno, que se encontra atualmente orbitando J√ļpiter, revelou que este mundo √© muito mais estranho do que se pensava. Segundo o pesquisador chefe da miss√£o, Scott Bolton, os dados da Juno revelam que quase tudo o que se pensava sobre o planeta estava errado. E isso inclui sua estrutura interna, sua magnetosfera e seus sistemas de nuvens. J√ļpiter √© o maior planeta do nosso sistema solar, um mundo gasoso com uma atmosfera turbulenta rasgada por descargas el√©tricas muito mais potentes do que os raios do nosso planeta.
Antes da Juno os astr√īnomos pensavam que J√ļpiter n√£o tinha um n√ļcleo s√≥lido ou, ent√£o, tinha um n√ļcleo muito pequeno. Os dados da Juno mostraram que o planeta tem um n√ļcleo enorme e pastoso, sem limites muito definidos. Outra surpresa foram os furac√Ķes que envolvem os polos de J√ļpiter e que n√£o tinham sido previstos por nenhuma teoria. Como a Terra, J√ļpiter tem um campo magn√©tico que captura as part√≠culas at√īmicas do vento solar. O que produz len√ß√≥is de luz fluorescente como as auroras boreais e austrais do nosso planeta Terra.
Mas, como tudo em J√ļpiter √© grande, as auroras jupiterianas s√£o centenas de vezes mais potentes que as terrestres. Os estudos anteriores previam que elas seriam apenas algumas dezenas de vezes mais energ√©ticas. Ainda n√£o se conhece o mecanismo que ativa essas auroras superpoderosas. Nem o motivo de elas se desligarem quando os polos mergulham na noite joviana. Segundo o cientista existe alguma for√ßa f√≠sica misteriosa impulsionando essas autoras. Esses mist√©rios mostram que ainda entendemos pouco os mecanismos que controlam o clima e as energias que interagem com os planetas.
J√ļpiter tem sido observado com telesc√≥pios durante s√©culos, mas sua verdadeira natureza sempre confundiu os astr√īnomos. No s√©culo passado se acreditava que o planeta gigante tinha uma superf√≠cie s√≥lida, com vulc√Ķes e lagos de lava. √Č assim que J√ļpiter aparece em muitas hist√≥rias em quadrinhos e concep√ß√Ķes art√≠sticas at√© meados do s√©culo passado. As primeiras observa√ß√Ķes com telesc√≥pios revelaram a exist√™ncia de uma gigantesca mancha vermelha que rodopia no hemisf√©rio sul do planeta, um pouco abaixo do Equador.
A princ√≠pio os astr√īnomos acreditaram estar vendo um imenso lago de lava, maior do que o nosso planeta. Depois, perceberam que a mancha era um fen√īmeno gasoso, um furac√£o gigante que n√£o se dissipa e permanece ativo h√° mais de cem anos. Em um livro escrito em 1963 o astr√īnomo americano Carl Sagan especulou que o furac√£o gigante de J√ļpiter poderia estar ‚Äúancorado‚ÄĚ em alguma depress√£o ou acidente da superf√≠cie do planeta. Mas, observa√ß√Ķes posteriores mostraram que n√£o h√° uma superf√≠cie s√≥lida, a atmosfera vai se transformando em l√≠quido e depois em pasta √† medida que a profundidade e a press√£o interna aumentam.
Na d√©cada de 1990 J√ļpiter foi fotografado e observado de perto pela sonda espacial Galileu, que passou oito anos orbitando o planeta. Em 2011 foi lan√ßada a nave Juno, um rob√ī sofisticado que entrou em √≥rbita ao redor de J√ļpiter no dia 4 de julho de 2016. A Juno tem uma eletr√īnica toda blindada para resistir a radia√ß√£o intensa que envolve J√ļpiter. Uma radia√ß√£o que poderia matar um astronauta em poucos dias.
√Č por isso que a explora√ß√£o de J√ļpiter tem que ser feita com sondas n√£o tripuladas. J√ļpiter tem v√°rias luas, como Europa, coberta por um oceano de √°gua congelada, e Io, cheia de vulc√Ķes ativos que expelem enxofre borbulhante. Tudo isso era desconhecido antes das miss√Ķes das sondas espaciais. O que mostra que o Universo em que vivemos, como dizia o biof√≠sico brit√Ęnico J.B Bernal, √© muito mais estranho do que podemos imaginar. E muito mais bonito, como mostram as imagens dos furac√Ķes jovianos, que parecem um del√≠rio de um artista como Van Gogh .

Bizarros: Os furac√Ķes azuis no polo sul de J√ļpiter (Foto: Divulga√ß√£o)

Bizarros: Os furac√Ķes azuis no polo sul de J√ļpiter (Foto: Divulga√ß√£o)

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um coment√°rio

  1. J√ļpiter e suas luas s√£o os locais mais interessantes do Sistema Solar. Quem venham mais sondas, em especial uma para explorar Europa.

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