sábado, 16 de dezembro de 2017

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Morrendo pela boca

Matéria publicada em 19 de setembro de 2017, 13:27 horas

 


Epidemia de obesidade afeta mais as classes pobres; açúcar está matando mais do que a pólvora

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Outro dia, em uma entrevista para a televisão, o historiador Yuval Harari, autor do best-seller “Homo Deus”, afirmou que o açúcar está matando mais do que a pólvora. Foi uma daquelas afirmações bombásticas que o escritor solta aqui e ali. Mas ao contrário de outras opiniões do Harari, como sua crença no “fim das guerras”, essa aqui reflete um problema real. A Organização Mundial da Saúde já trata a obesidade como uma epidemia mundial que, infelizmente, atinge mais os pobres do que os ricos.

Mas voltemos ao Harari e sua entrevista. Relembrando uma visita ao Vale do Silício, na Califórnia, onde ficam situadas as grandes empresas de informática, o israelense notou que lá as pessoas são esguias, atléticas, e os obesos são raros. Já nos bairros mais pobres eles são maioria. À primeira vista isso parece uma contradição. Os pobres são gordos, já os funcionários das empresas de informática, que ganham altos salários, são saudáveis e atléticos. O problema é que a obesidade, o excesso de peso, estão ligados ao consumo da chamada “fast food”, a conhecida “comida de lanchonete”.

É aquela comida que a população de menor poder aquisitivo e nível cultural mais baixo aprende a consumir desde a infância: batata frita, pizza, lasanha, pastel, churrasquinho, linguiça. E refrigerante, muito refrigerante, principalmente daqueles bem calóricos. Não é de espantar que eles fiquem gordos e sofram todos os problemas que derivam do excesso de peso: diabetes, doenças cardíacas e neurológicas como enfarto e AVC, problemas de coluna e por aí afora.

Eles comem essas coisas não só por desinformação, mas porque é mais barato. Se o leitor for ao supermercado mais próximo e olhar os preços nas prateleiras, vai verificar que uma garrafa de dois litros de refrigerante custa em torno de quatro reais. Já um litro de suco de fruta puro e saudável pode custar tão caro quanto uma garrafa de azeite importado. Com o pão acontece a mesma coisa. O pão integral e os pães especiais, que vêm cheios de grãos e fibras, ótimas para o intestino, custa mais do dobro do pãozinho comum, aquele cheio de bromato e outros aditivos. Para ter uma vida e uma alimentação saudáveis é preciso ter antes de tudo uma boa situação financeira.

Uma revista dessas de medicina e vida saudável listou recentemente os quatro mandamentos para se viver bem e com saúde. O primeiro é fazer exercícios e caminhadas e fugir da vida sedentária. Isso não custa nada e está ao alcance do todas as camadas da população. O segundo mandamento é ser alegre e feliz, sem estresse ou preocupações. O que é mais complicado no mundo de hoje, onde a maioria das pessoas sofre com o desemprego ou o medo de ficar desempregado e faz uma ginástica mensal para pagar as contas.

O terceiro item da lista é comer bem, comer verduras, tomar café da manhã (estamos falando daquele café da manhã completo, com suco de frutas, leite, pão integral e fatias de melão ou papaia). Um ótimo conselho para a turma lá do Vale do Silício, mas difícil para o cidadão comum.

Outro dia uma mulher começou a passar mal no ônibus, aí por volta das três horas da tarde. Um passageiro tentou ajudá-la e ela contou que não tinha almoçado e só tomara um copo de leite pela manhã. O rapaz ofereceu uma fruta e ela se sentiu melhor. É por isso que o quarto mandamento para a vida saudável é ter uma gorda conta bancária. Se você tem dinheiro, não só pode se alimentar do bom e do melhor, como terá acesso aos melhores médicos e clínicas. Podendo fazer exames periódicos e testes de capacidade física.

O que mostra que o problema da vida saudável e da obesidade também passa pela questão social e econômica da má distribuição de renda.

Alimentação: Comer e viver bem custa caro

Alimentação: Comer e viver bem custa caro

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

10 comentários

  1. >>>>>>> ESQUECI DE ESCREVER….. NAO COMO TRANGENICOS>>>>>>>

  2. >>>>>>> SOMENTE COMO….. AÇUCAR MASCAVO ORGANICO…. CEREAIS TAMBEM ORGANICOS INTEGRAIS E COZIDOS POR TECNICA PROPRIA USO A NIXMATALIZAÇAO TECNICA ADAPTADA

  3. Arroz, feijão, fubá legumes, macarrão, um frango nos fins de semana e fruta. Fruta era quase sempre banana e laranja. Era isso o que comíamos. E podemos dizer que tínhamos boa saúde. Isso não é impossível de se fazer pois éramos pobres também. Ou seja, acho que é mais uma questão de bons hábitos alimentares.

    • A gente comia comida de rico e não sabia, vai ver se donos desses madonalds da vida come aquelas porcarias, claro que não e ainda ficam bilionários vendendo aquilo.

    • الفتح - الوغد

      Garanto que nenhum desses itens era integral ou orgânico. Logo, não era natural…

  4. Matéria doida. Desde quando esse pão integral faz bem? E o leite então, esse do formol? Dá um tempo..café da manhã com boa qualidade tem que ter ovos e bacon e esse pãozinho você pode trocar por mandioca, margarina por manteiga e etc…

  5. Não concordo com as ideias do texto. As camadas mais pobres não têm acesso a uma alimentação saudável? Tenha paciência! Será que o preço de alimentos como cenoura, brócolis, beterraba, chuchu, milho, ervilha, feijão, couve, alface, cebola, pimentão, agrião, espinafre, frango, peixe, laranja, tomate, leite, etc, está tão alto a ponto de impedir alguém de ter uma dieta saudável? Será que os pobre não têm acesso a uma feira de rua? O problema não é econômico, não é da “sociedade de consumo”, muito menos do capitalismo, é de educação alimentar. Que culpa tem Adam Smith se os pais não conseguem dizer não ao filho de 10 anos que quer comer no Mc’donalds todo dia?

    • Anderson esta certíssimo, as vezes passo em frente ao macdonalds e vejo muitas crianças lá comendo aquelas porcarias, e fico indignada de como um pai ou mãe tem coragem em comprar aqueles lixos pros filhos e ainda achar que estão dando um presente para as crianças, que nojo, dá vontade de vomitar, sinceramente também acho que é muita falta de educação, o gente alienada que não tem amor próprio, aos filhos e nem valoriza seu dinheiro, Deus me livre.

    • الفتح - الوغد

      Lamento informar, mas uma dieta baseada em produtos orgânicos e integrais é sim muitíssimo mais cara que a cesta equivalente com itens tradicionais… Quem está na rua e quer algo rápido e saudável para comer, simplesmente não encontra… A alimentação “saudável” é um mito!…

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