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Mundo pode se encontrar à beira de uma catástrofe

Matéria publicada em 12 de outubro de 2017, 07:00 horas

 


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Um novo estudo realizado por geofísicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) sugere que o nosso planeta pode estar à beira de um evento de extinção em massa. Se os atuais níveis de dióxido de carbono na atmosfera forem mantidos até o fim do século, o meio ambiente ficará comprometido e a vida no nosso planeta se tornará quase impossível. Ao longo da história da Terra já houve cinco catástrofes de extinção em massa, quando 90% dos seres vivos do planeta morreram. E em todos os casos houve uma alteração no ciclo do carbono na natureza.

A primeira catástrofe foi a extinção em massa do período Ordoviciano-Siluriano. Depois teve a catástrofe do final do Devoniano, a extinção do Permiano, que foi a pior de todas, a do Triássico Jurássico e a última, no final do Cretáceo, há 75 milhões de anos, que acabou com os dinossauros. Durante a catástrofe do Permiano os oceanos ficaram ácidos, 95% dos animais marinhos morreram e 70% da vida baseada em terra acabou. Os cientistas do MIT acham que a catástrofe ainda pode ser evitada se os seres humanos pararem de injetar dióxido de carbono na atmosfera do planeta. O que é meio difícil de ser conseguido em plena era Donald Trump.

Daniel Rothman, um dos autores da pesquisa, explicou no site Space.com que tudo depende da quantidade de carbono que entra na atmosfera e nos oceanos. Os principais fatores são a velocidade com que as emissões de carbono aumentam e o tempo em que elas são mantidas. A medição do carbono durante as extinções passadas foi feita a partir do estudo dos isótopos deste elemento contido nas rochas que se formaram naquela época. A partir desses dados eles extrapolaram para o que está acontecendo hoje, quando a humanidade joga carbono na atmosfera em grande velocidade.

Além de aquecer o planeta o carbono vai parar nos oceanos. O cálculo mostra que 310 gigatoneladas de carbono no oceano foi o suficiente para comprometer os ciclos da vida e iniciar uma extinção em massa durante as cinco extinções do passado. E pelos cálculos atuais esse nível estará chegando aos 300 gigatons aí pelo ano de 2100. O que acontece em seguida não é um apocalipse instantâneo, desses que a gente vê no cinema. A mortandade acontece aos poucos e seus efeitos se estendem por um período de 10 mil anos. Ao final do qual temos um planeta morto, ou quase morto.

Como o aumento dos níveis de carbono tem ocorrido bruscamente, desde o século passado, os autores do estudo acreditam que nossa melhor opção é reduzir o tempo de duração dessas emissões. Se o período for curto, um século ou dois, a catástrofe pode ser evitada. Daí a importância de passarmos da atual economia dos combustíveis fósseis para formas de geração de energia mais modernas e eficientes, que não dependam da queima de carvão ou de petróleo.

Se a frota atual de automóveis movidos a gasolina ou gás fosse trocada por carros elétricos, já seria uma grande ajuda. A geração de energia através do Sol ou dos ventos é outro caminho para evitar a catástrofe. No futuro, se tudo correr bem, poderemos ter grandes usinas de energia solar no espaço, em órbita ao redor da Terra, transmitindo a eletricidade gerada para a superfície por meio de um elevador orbital. A questão é se teremos tempo de desenvolver essas novas tecnologias antes que o processo de auto alimentação desregule o clima do planeta de vez.

Os indícios estão aí para quem quiser ver. Secas no Brasil e em outros países, furacões arrasadores no Caribe e no oceano Pacífico. É por essas e outras que bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos já estão se preparando para se mudar para o planeta Marte.

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

2 comentários

  1. O fim é o fetiche principal do homo sapiens! É o destino inexorável! É o medo da morte e da injustiça que fomenta essas religiões todas.
    O planeta não tem o que temer…a natureza se mantém inabalável.
    O triste é ver a prova da debilidade do homem animal: que, tanto no coletivo quanto no individual, se rende ao vício, e isto sim, é o motor do fim da dita cuja “humanidade”.
    O planeta está a salvo e sempre estará (a não ser que venha um meteoro que o pulverize).
    A salvação da humanidade se dará através da filosofia, do entendimento do que é humano e do aperfeiçoamento individual e exercício do que é humano. É olhar para dentro e vencer o animal.
    Acha que não temos salvação? Hahahahah! É…complicado.

  2. A salvação do planeta se dará através da economia e do desenvolvimento tecnológico. Quando os custos com a degradação ambiental se tornarem visíveis, a ponto do cidadão médio perceber a relação de causa e efeito, as atividades econômicas destrutivas ao meio ambiente serão diminuídas. Enquanto isso, as novas tecnologias de produção de energia – ou o aperfeiçoamento de antigas como os painéis solares – substituirão aos poucos as formas mais poluidoras.

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