quarta-feira, 16 de agosto de 2017

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Nasa prepara sua nova estação espacial

Matéria publicada em 10 de agosto de 2017, 07:10 horas

 


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A nova estação espacial americana vai ficar na órbita da Lua, bem mais distante da Terra do que a atual Estação Espacial Internacional. É o Deep Space Gateway que será lançada em 2020. Pequena e automatizada a estação servirá de abrigo temporário para os astronautas da nave Orion, durante suas missões no espaço profundo. Enquanto isso, aqui em baixo, o Brasil vai participar de uma missão conjunta com a agência espacial americana para estudar a ionosfera da Terra acima do Equador.

A única estação espacial ativa, atualmente, é a ISS, sigla em inglês de Estação Espacial Internacional. Ela fica em órbita baixa, a 400 quilômetros de altura, o que é bom para os astronautas, que ficam protegidos das tempestades solares pelo campo magnético da Terra. Doze países participaram da construção da ISS e enviaram seus astronautas para passarem temporadas de até seis meses lá em cima. Os americanos tem verba suficiente para manterem suas tripulações na ISS até o ano de 2024.

A partir de 2020 os astronautas da Nasa vão começar suas missões com a nova nave espacial Orion. Capaz de ir a Lua, aos asteroides e até ao planeta Marte (se for acoplada a uma nave maior). Esses astronautas vão precisar de um ponto de apoio, uma espécie de motel espacial onde poderão parar e fazer reparos em suas naves. Daí o projeto do Deep Space Gateway.

Ao contrário da ISS, que tem vários módulos para ciência, habitação e geração de energia, a Gateway será bem menor, com apenas um módulo para os astronautas dormirem e relaxarem.

Enquanto a ISS é tripulada o tempo todo, a Gateway ficará funcionando sozinha, sem tripulação durante longos períodos de tempo. Para isso a empresa Lockheed, encarregada do projeto da nova estação, está usando a tecnologia dos robôs usados na exploração de Marte.

“Quando a tripulação não estiver lá a Gateway funcionará como um laboratório automático, cuidando de suas próprias experiências”, explicou o gerente do projeto Bill Pratt em uma entrevista para o site Space.com.

Como a Gateway terá apenas um módulo, o espaço interno terá que ser cuidadosamente dimensionado. O avanço constante da miniaturização dos componentes eletrônicos desde que a ISS foi projetada ajuda muito. Os computadores e sistemas da nova estação serão bem menores do que os usados na Estação Internacional. Infelizmente não dá para miniaturizar as pessoas e um desafio dos projetistas é garantir o conforto e a privacidade dos astronautas dentro de uma única cabine. Também será preciso projetar novos equipamentos de exercício para os astronautas que precisam de uma mini academia no espaço.

Voltando aqui para a Terra o Brasil vai participar de um projeto conjunto da Nasa para estudar os fenômenos da ionosfera. A ionosfera é uma camada de gases eletrificados, situada a mais de 80 quilômetros de altura, que pode interferir nas telecomunicações. O projeto vai enviar ao espaço, em 2019, um pequeno satélite, do tamanho de duas fatias de pão de forma, o SPORT, do tipo conhecido como Cubesat. O satélite foi construído pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São Paulo, e o projeto tem a participação do Instituto de Pesquisas Espaciais, o Inpe.

O alvo da pesquisa são as bolhas de plasma que se formam perto do Equador e podem interferir nos sinais de navegação do GPS. “Com os dados da pesquisa será possível refinar os sinais do GPS e tornar mais seguros os pousos e decolagens em nossos aeroportos”, disse o cientista Otavio Durão do Inpe. O satélite ficará em uma órbita entre 350 e 400 quilômetros de altura.

Apertada: Estação ficará perto da Lua

Apertada: Estação ficará perto da Lua

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

Um comentário

  1. Ainda acho que para ir a Marte não precisa de uma estação em órbita da Lua, vai direto e pronto! É só seguir o conceito Mars Direct do Robert Zubrin.
    Quanto ao projeto de pesquisa da ionosfera, tomara que o Brasil não dê outro calote na NASA, como fez com sua parte na ISS.

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