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Nasa relembra o desastre com a nave Apollo 1

Matéria publicada em 7 de fevereiro de 2017, 13:47 horas

 


Incêndio na plataforma foi a primeira tragédia na corrida para a Lua; em 1966 a primeira tripulação foi escolhida

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Semana passada lembrei aqui neste espaço o caso da porta do Boeing que se soltou em voo. Por coincidência, na mesma semana, a agência espacial americana relembrou outro desastre, que aconteceu porque uma porta não se abriu como devia. Foi o incêndio da nave Apollo 1, que matou três astronautas no dia 27 de janeiro de 1967. Para relembrar os 50 anos daquele momento trágico a agência espacial inaugurou, semana passada, uma exposição com fotos e peças da nave espacial, no Centro de Visitantes do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Na época os americanos disputavam uma corrida com os soviéticos para colocar um homem na superfície da Lua. Em 1961, durante um famoso discurso, o presidente americano John Kennedy tinha estabelecido uma meta. Antes do final da década os Estados Unidos iam colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta em segurança. O objetivo era colocar os americanos em igualdade de condições com seus rivais. Já que nem russos, nem americanos, tinham uma espaçonave capaz de ir até a Lua.

Do lado americano a Nasa iniciou o projeto Apollo, que tinha sete anos para construir e testar sua nave lunar. As primeiras espaçonaves da Nasa, as Mercury e Gemini, foram construídas pela McDonnell-Douglas, um gigante do setor aeroespacial que construía aviões de carreira e caças para a Marinha. Mas na concorrência para o projeto Apollo outra empresa, a North American Aviation, foi a vencedora. O projeto teria duas naves: as Apollo Block 1, mais simples, que seriam usadas para treinar os astronautas em órbita da Terra; e as Apollo Block 2, que iriam realmente até a Lua.

Em 1966 a primeira tripulação foi escolhida para a Apollo 1. Três homens incluindo o comandante Virgil Grisson, veterano dos projetos Mercury e Gemini, Ed White, o primeiro americano a andar no espaço e o novato Roger Chaffee. Eles começaram a treinar para o lançamento a bordo de uma Apollo Block 1, na base de Cabo Canaveral. E não gostaram nada do que viram. A nave parecia ter sido montada as pressas e tinha muitos problemas com a fiação elétrica e os controles.

Em sua primeira missão ao espaço, em 1961, Grisson perdera sua nave. O Sino da Liberdade 7 tinha afundado no oceano Atlântico devido a abertura acidental de uma porta de emergência. Depois desse acidente a Nasa eliminou portas de abertura rápida nos projetos de suas naves espaciais. A Apollo 1 tinha duas portas que se trancavam por dentro e levavam um minuto e meio para serem abertas. E era pressurizada com oxigênio puro, altamente inflamável.

Era um desastre esperando para acontecer. No dia 27 de janeiro de 1967 os três homens se trancaram dentro da Apollo 1, cheia de oxigênio, no alto de um foguete Saturno 1 de 50 metros de altura. Um astronauta descreveu essa situação com as palavras: “Você está no alto de um foguete cheio de combustível explosivo, trancado em uma cápsula construída por uma empresa que venceu a concorrência ao oferecer o produto mais barato”. No caso da Apollo 1 o barato saiu muito caro. Eram seis horas da tarde e a contagem regressiva estava em 10 minutos para o lançamento quando se ouviu um grito de “fogo”.

As equipes de segurança correram para a nave, mas era tarde demais. Em 20 segundos uma explosão violenta consumiu o interior da Apollo 1 matando os três astronautas. O projeto Apollo teve que ser suspenso por 18 meses e a missão seguinte só aconteceu em 1968. A nave foi reprojetada, com uma porta de abertura rápida e uma atmosfera não inflamável durante os testes na plataforma. E os astronautas passaram a usar roupas com uma cobertura de fibra Beta, a prova de fogo, no lugar do traje de nylon dos homens da Apollo 1. Que se tornaram os primeiros mártires da conquista do espaço.

 

Teste: Os astronautas com os antigos trajes A1-C

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

5 comentários

  1. eu não acredito que o homem tenha ido a lua.e com certeza nunca chegará lá.

  2. Realmente uma fatalidade, mas a morte deles não foi em vão. Os Estados Unidos em menos de dez anos, começando do zero, desenvolveram todas as tecnologias necessárias e foram à Lua, vencendo a corrida espacial. Hoje, com praticamente todas as tecnologias necessárias já disponíveis, uma missão tripulada ao planeta Marte não sai do papel.

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